Lembro-me do 1º de março quando esse blog que vos fala nasceu. Sim, “ele fala”! Tem vida própria, mesmo que se tente levá-lo em rédeas curtas como notei ao longo desses poucos meses. Isso não é ruim, é quase natural; “quase” porque é sabido que o blog tem alguém que o escreve, que o pensa, que o movimenta, que o controla até algum ponto e que, por sua vez, é um ser em transição. Falando em transição, também a língua materna sofre, eventualmente, ao longo do tempo a sua própria e o título do post hoje não é apenas uma dúvida (para mim nem tanto…o baby é meu e nome é nome. Se eu quisesse chamá-lo INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE DA SILVA? Tudo bem, sei que o bom senso precisa soprar aos ouvidos dos pais na hora em que se toma tal decisão, afinal, o bambino vai carregá-lo para o resto da vida e as pessoas parariam sempre no começo com a seguinte pergunta: INCONST… o quê??? Seria muito chato para o pequeno ter que explicar e repetir a mesma coisa ao longo dos anos, ao final, excomungaria a família. Não é isso que se deseja ao escolher um nome para quem se ama, concorda?), o título de hoje, por conseguinte, é uma homenagem “reflexiva”, pois é, essa é uma das particularidades desse blog à qual me propus desde o início: refletir toda sexta-feira, além de informar, compartilhar, divagar, desabafar, fazer rir e até chorar (de raiva? Espero que não…rs) em qualquer outro dia da semana, enfim, nos últimos tempos ando assoberbada, tenho postado semanalmente com frequência somente as reflexões das sextas-feiras.
Esse “bichinho virtual”, “diário ou periódico eletrônico”, “terapEUta pessoal ou grupal”, como queira descrever dadas as exigências particulares e cuidados que requer, ao ler e participar da blogosfera você percebe que existe a sua ideia inicial e existem ideias de tantos outros blogueiros que por aqui “circulam” (não à toa o termo “blogosfera” e, não à toa, o nome de cada um desses blogs terem uma real importância e um significado próprios).
O Viraletras foi concebido, de fato, da necessidade de explorar o que há nesta curiosa e pseudoafastada estudante das Letras e quem já circula (para não perder o ritmo da esfera…) por aqui, sabe também, que além da sobrinhamiga ter incentivado e apoiado bastante a “tia que gosta de escrever” (dos enormes e-mails que trocamos e através dos quais nos tornamos mais que tia e sobrinha somente…), outro fator decisivo e impulsionador foi não permitir que ficassem estanques sentimentos desde a morte de minha mãe em novembro passado, era preciso extravasá-los ou me sufocariam ainda mais.
E, voltando ao parto desse pequeno…
A Cris veio até minha casa junto do marido, o Adriano, que também teve participação especial no nome do blog. Ela, amadurecida na prática de blogar, foi logo compondo a base e, feito uma inseminação artificial, indagava como eu gostaria que a “cria” tivesse suas feições (olhos azuis ou castanhos, cabelos lisos ou cacheados, etc., etc., etc. rs). A parte que lhe coube foi feita. E eis que veio a pergunta que suscitou a reflexão de hoje: qual é o nome da criança? Meses antes, em nossos e-mails já havíamos combinado algumas coisas, inclusive, dar à luz ao pequeno em breve, pois, há muito eu tinha me tornado assídua leitora do Cristiane Marino e, de certo modo, ingressei na blogosfera através dele. Mas, uma coisa é ler um blog, outra bem diferente é manter, o que implica, em algum momento ou em vários, “revelar-se”. Não sei se é possível ou mesmo interessante ficar totalmente anônimo nesse meio, sua escrita também é reveladora, uma extensão de si, e, afinal, há inúmeros recursos que localizam, apontam, identificam você, aliás, tenho feito uso de alguns na aprendizagem com blogueiros mais experientes no intuito de melhorar essa relação. Sou bastante arredia em alguns aspectos, demoro para devotar confiança e não gosto de me expor tanto, o blog precisava de um nome que não fosse o meu próprio, pensei alguns que desceram por água abaixo e já tinham domínio. Nessas horas a criatividade (ou falta dela porque outros já tinham escolhido certos nomes…rs) precisa gritar e a colaboração do esposo e dos sobrinhos foi válida, começamos um brainstorming e, de uma última cartada entre três possíveis nomes, eu escolhi e remodelei o possível “vila letras” ou “vila das letras” que o Adriano sugerira. Foi engraçado e houve até votação. Sei que Viraletras nascera em época de reforma ortográfica e, com hífen ou sem hífen, eis a questão!
Após pensar e repensar, a lógica da gramática induzia para o Vira-letras, num relâmpago todos os conhecimentos do curso vieram à tona e, mais do que nome próprio, do que desafiar e se opor simplesmente, inovar e discutir o assunto de Virar ou não virar, um apelo maior se fez pelo significado do termo: vira…letras! O fato das Letras virarem meu mundo desde que as conheci determinou o que eu pretendia com o blog. Não por acaso, há tempos eu vivencio e “viro” um pouco do que as letras me ensinam. Talvez o blog pudesse até chamar-se Viroletras, não? Claro, ele transforma este ser real no ser virtual, consegue transportar minhas ideias e sentimentos e trazê-los de volta em forma de aprendizagem, da troca constante entre os blogamigos e até de alguns blogvisitantes. O espaço comporta muitas e muitas letras, de maneira ilimitada. Blogues de todos os tipos surgem e se conectam por identificação com alguma filosofia de vida, de trabalho ou seja lá o que for.
Esse pequeno está engatinhando, mas, desde que o batizei, creio que tem feito seu papel e representado um pouco da sua progenitora, pois, já dizia o velho e sábio ditado: quem sai aos seus não degenera!
Bom final de semana para você, com muitas letrinhas!






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