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quinta-feira, 1 de março de 2012

Aniversário do Blog e coisas afins!

Resolvi iniciar escrevendo o que vier à mente, tenho tantas palavras borbulhando nela e o tempo tem sido mais precioso que nunca nos últimos meses. O que a maternidade faz! Coisas incríveis como esta que para mim seria "o fim da picada". Imagine, escrever de repente, sem muito pensar, sem muita revisão, sem ruminar as palavras? Sei que não se deve estender o texto no blog, também sei que não sei quando voltarei para o próximo post…rs

Está com tempo e ânimo agora? Vambora!

O aniversário do blog é algo especial porque esta ferramenta da internet se tornou parte de mim, embora eu consiga conviver afastada dela, inclusive, por priorizar a família, meu bem maior neste mundo! Diversas ocasiões suscitam ideias e eu gostaria de trazer à blogosfera um novo texto (mais um dentre os milhões pelo mundo!), no entanto, seria o meu texto, com pequenas e grandes lições que a minha experiência pessoal poderia compartilhar, assim como os bons textos de tantos blogueiros; entretanto, há uma baixinha exigindo cuidados constantes e ela não abre mão disso, de jeito nenhum!(rs)

Falando em prioridades, meu coração tornou-se devoto do Sagrado Coração de Jesus em meados de 2010, e, caro leitor, não estou dizendo tal coisa para discutir religião, isso cabe à consciência e a vivência individual das pessoas, só referi na intenção de explicar as transformações que este blog (obviamente esta blogueira!) sofreu de lá pra cá. Sofrer é palavra que veio a calhar exatamente aqui, talvez não por acaso, dado que estamos em plena quaresma: é pelo sofrimento que nos voltamos mais a Deus, não tem como discordar, é preciso muitas vezes um solavanco da vida para despertarmos outros sentidos adormecidos e mesmo quando estamos atentos, aquele tipo perigoso de atenção descuidada caminhando para a tibiez. Quantas vezes deixamos de agradecer ou rogar a Misericórdia Divina (por conseguinte, eis outra devoção que tenho atrelado àquela) quando tudo vai bem? Ainda que dispersos na imensidão do mundo e diante das exigências cada vez maiores dele, nos damos conta de que é preciso fazer algo para inovar de dentro pra fora. Observe ao redor: Há pessoas tristes, deprimidas, doentes, desorientadas, inconformadas, revoltadas ou perdidas no sentido da própria existência perto de você? Quantas dores e lamentações diariamente são lançadas ao vento, ou pior, sobre o próximo?

Doses homeopáticas venho ministrando desde então, de fé, de aperfeiçoamento espiritual. Isso não se deu do dia para a noite; na adolescência estive imersa na igreja em grupos de jovens, porém, com o passar dos anos, com outras coisas acontecendo, distanciei-me desse lado cristão. Não dá pra deixar o que era e se tornar o que pode ser sem haver uma boa transição de um para outro, mas, o fundamento estava lá, perdido, em algum lugar, compreende? Desde o momento em que descobri um mioma subseroso de 4cm no útero (aconselhada por minha obstetra à intervenção cirúrgica) e da decisão de ter outra criança, arcando com as consequências de uma gravidez de risco, pois, além disso, conto com mais de 35 anos, decidi que "era pegar ou largar". A tristeza não conseguiu me abater, pelo contrário, empurrou-me para o Sagrado Coração cheio da misericórdia de Jesus. Na gravidez o mioma ficou do tamanho de uma laranja de quase 10cm, mas, correu tudo bem, graças a Deus, ainda que um susto aqui ou outro ali tenha posto à prova minha fidelidade cristã. Recuperei a memória espiritual, das coisas que ficaram empoeirando desde a juventude, abri a velha caixa, comecei a reorganizá-la e notei muita coisa boa que guiou-me vida afora, mesmo esquecida ali, esteve a esperar por este momento oportuno e mostrar-me quanta riqueza estava abandonada.

O que isso tem a ver com o 3º aniversário do Viraletras, afinal? Bom, se aniversariar é celebrar alegrias, eis que esta blogueira precisava contar as que vem colecionando enquanto não pode escrever com tanta frequência. Por falar em alegrias, havia me esquecido também como é lindo, maravilhoso e divertido ter e acompanhar o crescimento de um bebezinho. Cada fase uma descoberta que só pai ou mãe pode mensurar!

Ah, a vida, cheia dos seus mistérios! Não para nos surpreendendo sempre, dando um limão azedo aqui e acolá, deste meu resolvi fazer uma limonada e digo que ficou das boas: tirou aquele enjoo do estômago, o amargo da boca e refrescou a alma! O ser humano tem essa capacidade de transformação, graças a Deus, caso contrário, estagnados e medíocres morreríamos. Mais uma vez o tempo da quaresma e a páscoa que virá em seguida abre-me os olhos para este tema: a morte. Estou lendo um livro (A última grande lição: o sentido da vida, de Mitch Albom) enquanto amamento, precisa ver como rende leitura assim, nem eu mesma acredito! E olha que antes dele já estudei uma pancada de leis (coisa que nunca tinha visto antes… Aff!) de direito administrativo, de licitação, de noções de orçamento público, de PCCS da prefeitura para a qual trabalho a fim participar do processo de promoção por competências e habilidades, tudo isso somado às provas de títulos que poderão render uma melhora no salário, coisa que só acredito vendo, pois, cansei das promessas políticas. Depois dessa pressão toda, voltei-me para outro livro estacionado há tempos na prateleira: As crianças aprendem o que vivenciam – O poder do exemplo dos pais na educação dos filhos, de Dorothy Law Nolte e Rachel Harris. De toda essa leitura, nenhuma obra prima nem clássica, tenho tirado bastante proveito. Voltemos ao que estou lendo, ainda nas primeiras páginas: o velho professor morrendo lentamente de uma doença neurodegenerativa reencontra um ex-aluno e dão-se em lição através da mesma. A morte é o que delineia a trama, paradoxalmente, dela nascem as melhores histórias, isto é, quando se pensa no fim é dele próprio que se tem o começo ou um recomeço, assim como a Páscoa propõe aos cristãos. Veja, este blog mesmo, é fruto de refúgio dos sentimentos de perda que vivi com a morte de minha mãe em 2008, através dele pude me olhar de fora para dentro, avaliar, ponderar, extravasar!

Obrigada amigo leitor por chegar ao final do post, sei que a correria do mundo exige muito de nós todos, porém, há coisas que nos impelem a continuar, não é? Eu mesma desejo que o Viraletras complete outros aniversários e que ele frutifique tanto quanto as bênçãos de Deus permitirem.

Sejamos como as grandes árvores: lançam fortes raízes na terra, porém, crescem sempre em direção ao céu, aproveitando-se das chuvas, do calor e da luz do sol que as fazem subir mais e mais! Deixam seus galhos ao redor como "quem" deixa seus braços abertos estendidos aos que precisam de ajuda para também chegarem lá…

Fonte da imagem: Google

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Foi a gota d’água?

Já passou por isso?

Num belo dia, ou, certamente, num dos piores da sua vida, você estoura, extravasa com gritos e lágrimas, talvez faça um pouco menos de estardalhaço, não importa, sente que a pressão externa atingiu em cheio sua cota de paciência e de boa vontade com seus semelhantes e nada mais é possível fazer para ignorar totalmente aquele fato ou um amontoado de elementos que se ligam direta ou indiretamente ao mesmo. Pode ter sido uma única frase, um gesto ou qualquer outra coisa menos significante, não há o que nos recupere daquele momento que acostumamos chamar de “gota d’água”, não é mesmo?

E o que faz essa pequena gota nos tirar do eixo completamente, a ponto de termos que recorrer às terapias alternativas da medicina, nos agarrarmos a nossas doutrinas religiosas ou a melhor amizade antes que enlouqueçamos de verdade? Por que esse tipo de coisa acontece conosco?

Será pura falta de paciência com nosso próximo ou realmente os que nos rodeiam perderam a sensibilidade e nem se importam mais em notar o quanto precisamos de palavras menos ásperas ou de gestos menos egoístas? Qual é a dificuldade nisso tudo? Por que o ser humano não pode dizer coisas mais gentis um ao outro ao invés de simplesmente contrariar e irritar, como se quisesse, de fato, “alfinetar” por motivos nem sempre claros e evidentes? E mais, há os que dão de ombros, ignoram totalmente o que você pensa, faz ou sente. Que há de errado com as boas palavras, essas que fazem o outro se sentir melhor, mesmo que ele não esteja precisando? Que há de errado com o sentimento de superação das próprias vaidades, do doar-se, apenas se colocando no lugar daquela pessoa?

O problema, no final, não é a gotinha, pobre gota! Leva toda a fama ruim por ter sido a última da fila e, neste caso, os últimos serão os primeiros a receber a paga! O erro dessa gotinha tão insignificante foi se colocar junto das outras tantas, das inúmeras que foram se acomodando no recipiente quando já não havia mais nenhum espaço, concorda?

Muitas vezes a culpa também é nossa em deixar o recipiente transbordar, deveríamos fazer um controle da água que cai e do recipiente que a comporta, ou, pelo contrário, deixando de comportar só mais uma única “gota d’água” tudo parece ser muito maior do que é, então, nos damos conta de que todo estresse e tristeza do momento não foram provenientes apenas daquela gota e lá vêm arrependimentos, remorsos…

Volto, pois, à pergunta que intitulou o post: “Foi a gota d’água”? Teríamos mais controle sobre a vida se pudéssemos evitar uma gota dessas ou ela é realmente necessária em muitas ocasiões? Essa gota sobreviveu escondida e estancada em nós mesmos ou foi lançada de fora para dentro do nosso recipiente sem que a quiséssemos ali?

Sei que não se pode viver tranquilamente esperando que a última gotinha caia para só depois resolvermos o que poderíamos ter feito. Penso que é preferível se antecipar e adequar o tamanho do recipiente ao passo em que a água começa a vazar da torneira, ou, melhor seria se eliminássemos a torneira, porém, sem água não é possível viver!

Evitar ou não a gota d'água: Eis a questão!

Fonte da imagem: Google

sábado, 22 de janeiro de 2011

Balanço e saldão!

Que saudade da blogosfera! Não só de escrever não, de visitar meus blogs favoritos e comentá-los, infelizmente, o tempo anda curto demais, contudo, ainda hei de fazer surpresas, disso não duvido, basta esperar e confiar!

Por ora, prefiro registrar para a posteridade o que consegui com o Viraletras nos seus (quase) dois anos de existência. Creio que os que têm seus blogs o fazem da mesma forma, se não através de posts, provavelmente de outras maneiras, mas, o importante é que esse balanço seja feito e tenha, ao final, um saldo positivo!

Em 2009 escrevi muito, participei de várias blogagens coletivas e eventos, queria conhecer mais a vida e a experiência dos que blogam, sob meu ponto de vista, deixei torrentes estancadas de sentimentos e pensamentos tomarem conta do espaço, fluíram até sem rumo algumas vezes, em outras fui surpreendida pelo modo como me permiti escrever e como blogueiros absorviam o teor daqueles posts, fiquei feliz e aliviada, pois, naquele ano ainda pesavam a perda e o luto com a morte de minha mãe e essa, em especial, tenha sido a mola propulsora. Entretanto, escrever faz parte dessa blogueira desde a infância, brincar com as palavras usando de alguns recursos que a aprendizagem na faculdade me proporcionou, deixar de lado as mesmas regras e dar outros significados aos textos, enfim, tudo isso fez e continuará a fazer a diferença, continuarei amadurecendo em cada parágrafo que escrevo porque sei que nunca um é igual ao outro, embora o estilo seja delineado de alguma maneira, as mesmas palavras em um contexto específico ganham formas e significados variados, eis aí a beleza dessa arte, concorda?

Ano passado escrevi bem menos, praticamente um terço em relação a 2009 e não lamento por isso, precisei tirar o pé do acelerador e foi conscientemente. Mesmo assim, não deixei que a qualidade de meus posts também se reduzissem, pelo contrário, sempre prezo pelo melhor que ofereço, não gosto das coisas feitas ao léu. O positivo de 2010 é que me senti uma blogueira mais independente, resultado das experiências do meu primeiro ano na blogosfera, com certeza!

Não fiz grandes planos para o Viraletras em 2011, exceto o de que quero continuar escrevendo e aprendendo, lendo e comentando sempre que possível meus blogs favoritos, despertando mais a leitura e a escrita em minha vida pessoal porque é um dos hábitos que alimenta minh’alma, aliás, de 2010 pra cá tenho me empenhado em ler os muitos livros que adquiri, acho até que exagerei, porém, costumo dizer para não me colocar de frente para as prateleiras cheias de títulos que enlouqueço!(rs).

Concluindo, no geral, meu saldo está mais para credor porque tenho pautado a vida no sentido de encontrar a paz e dela colher seus frutos, pois, não importa o que fazemos, se isto não conforta, não alegra, não satisfaz, então, não valerá a pena insistirmos neste caminho.

Façamos sempre um balanço, não só dos nossos blogs, mas, de nossa vida pessoal, da carreira profissional e de tantas outras vertentes, ao contrário do que se pensa muitas vezes, teremos mais crédito do que débito. De resto, é possível (e até necessário!) mudar sempre e tudo começa assim: o que tenho, o que devo e o que excede para doar!

Na matemática da vida é preciso muito mais que uma calculadora! É preciso cabeça e coração! Fonte da imagem: Google

sábado, 1 de maio de 2010

Trabalhador: rima melhor com labor ou com amor?

“O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.” – Madre Teresa de Calcutá

Creio que essa citação resume, em partes, minha visão no mundo enquanto trabalho. Noto que muita gente trabalha mecanicamente, mal se dá conta da própria importância naquele momento para determinadas pessoas e, trabalhar a contragosto ou por simples necessidade monetária sem pensar nisso é deixar uma boa parte da vida passar em branco e tristemente. Dinheiro é fundamental para a subsistência, nem sempre para preencher nossa complexa existência.

Tive alguns empregos ao longo da vida: secretária de advogado; auxiliar de escritório numa ótica, onde também exerci funções de caixa, vendedora e estoquista; auxiliar de ensino e, há quase doze anos, continuo no serviço público. Por vezes me pergunto: Será que envelhecerei fazendo a mesma coisa? Terei estômago de aço para suportar mais as dificuldades que a cada dia ganham proporções inimagináveis ao meu redor? Garanto, em cada um deles dei o melhor de mim e quando meu melhor não estava comigo, resolvia que era hora de mudar.

Comumente algumas pessoas tendem a jogar sobre o funcionalismo público (especialmente sobre aqueles que encontram pela frente!) toda sua revolta e amargura pelas dificuldades enfrentadas no dia a dia, seja culpa das autoridades ou nem sempre por isso, pode ser que naquela circunstância as coisas não tenham dado tão certo para elas e pronto! Dizem coisas que elas mesmas não gostariam de ouvir em seu ambiente de trabalho, com certeza! Há quem até volte atrás e se desculpe.  Existe, via de regra, uma depreciação generalizada do que eu e outros colegas fazem com dedicação e extrema responsabilidade; isso deve-se ao fato de uma minoria, corrupta e indiferente, muito bem remunerada, diga-se de passagem, manter-se distante da verdadeira realidade que, nós, funcionários da base, vivenciamos diariamente.

Em contrapartida, ainda que em raríssimos casos, há pessoas que reconhecem e tornam público o seu apreço por nossos esforços como foi o caso de um paciente nessa semana, que dia após dia tem comparecido para realizar curativos em seu braço; ele escreveu uma pequena carta agradecendo o carinho com que o tratamos todas as vezes em que precisou de nosso trabalho e conseguiu nos arrancar lágrimas. Deixamos a referida cartinha pendurada, como um lembrete de que vale a pena continuarmos, apesar das adversidades enfrentadas.

Todo trabalho é recheado de prós e contras, não vejo um que traga apenas benefícios, mas, a maneira como  vemos e lidamos com qualquer coisa que nos propomos realizar faz toda diferença, tanto, que deixamos transparecer aos outros: estando fatigados e desmotivados, provável que nossas feições denotem tristeza e/ou mau-humor, e, ao contrário, estando receptivos e conscientes da nossa importância, certamente, nosso semblante dirá  que podemos ser via de acesso e de bons resultados. Vejo isso na prática. Aprendi, portanto, que devo estar envolvida com o outro e com o meu trabalho, que sou também uma gota no oceano com a qual Madre Teresa se comparava, porém, que não a deixou impotente diante das mazelas humanas que enfrentava, aliás, a fez tão forte que se tornou exemplo da dignidade humana no trabalho que realizou.

Você pode pensar que seu trabalho nada vale, mas alguém pode precisar muito dele, especialmente, quando o faz com o coração!

“O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.”

Fonte da imagem: Google

terça-feira, 16 de março de 2010

Lamento e não lamento

Lamento, caso você não queira ler…

Não lamento caso se arrisque daqui por diante.

A vida é feita dessa dualidade (Eclo 33,15), sabe?

Eu sabia e só venho confirmando mais e melhor de tempos em tempos. E por falar em tempo, faz tempinho que não lamento a perda da mãe aqui no blog, porém, às vezes é saudável lamentar discretamente, veladamente, conscientemente. A mim ajudou bastante e continua a me fortalecer. Não vivo a me lamentar, saiba!

Lamentarei muito se este meu momento se tornar ridículo e duramente lamentável visto sob outros aspectos que não intento suscitar nesse post.

Hoje a mãe completaria 61 anos se estivesse viva, mas, há um ano, quatro meses e dez dias ela nasceu para seus três filhos de um jeito diferente, doloroso ao extremo no começo, talvez como deva ser a nossa própria chegada ao mundo, daí aquele choro, aquele temor do recém-nascido… Coloco-me a pensar: Será que ela chorou ou sorriu? Ou será que está adormecida feito embrião? Mil pensamentos percorrem essa mente que vos escreve e não lamento se as respostas forem mais estranhas que as perguntas, nem se sequer houver respostas…

Lamento que minha mãe não esteja aqui para eu presenteá-la, costumeiramente, com aquela blusinha linda, tamanho P, que ao experimentar ficava sempre grande e eu dizia: mãe, vou comprar suas roupas na seção infanto-juvenil! ou, para não correr o risco, um perfume ou bijuterias  que ela gostava, era vaidosa, apesar da tristeza que muitas vezes se tornou a fragrância e o adorno de seus dias.

Não lamento que tudo tenha acontecido tão rápido, abreviando seu sofrimento com o câncer e contra ele, não lamento porque ainda assim tive tempo de ficar mais próxima, meus irmãos também puderam, mesmo morando um pouco mais distantes de nós. Não lamento que eu tenha acariciado seus cabelos e beijado sua fronte nos momentos de dor; não lamento que tenha ao menos conhecido um tratamento alternativo e que não houve tempo para começá-lo; não lamento que eu tenha chorado e me desesperado enquanto trabalhava, tentando ser profissional ouvindo a lamentação alheia; não lamento que eu tenha ficado alguns poucos dias de licença ajudando a tia, irmã da mãe, se bem que esse anjo caído do céu nem precisou muito, ela sabia bem o que estava fazendo o tempo todo, chamou pra si a responsabilidade de cuidadora e o fez com louvor; não lamento ter ficado junto dos irmãos, da tia e do meu esposo no momento derradeiro.

Lamento sim, por pessoas que não puderam se despedir de seus entes queridos como eu pude, mesmo com meu coração em frangalhos, estive consciente e ciente desde que soubemos que ela enfrentaria seu maior medo e o fez com bravura, devo dizer. Lamento que muitos de nós não consigam nem se lamentar, que escondam sentimentos sob uma grossa casca de orgulho ou seja lá o que for…

Lamento que você também tenha perdido alguém e sinta saudade, só não lamento que outros tenham a dádiva do dia de hoje e possam comemorar, possam, inclusive, se lamentar como eu! Por isso, não lamento minhas lamentações, pois, fizeram-me mais gente.

Como eu gosto de uma boa prosa, provável que tenha “puxado à mãe” nesse quesito, o netinho aí junto dela também, fala feito matraquinha e os dois se davam bem por isso, era um converseiro, ele bagunçando os cabelos da avó, ela ria feito criança com a peraltice… Não lamento momentos assim que ficaram registrados na mente e no coração.

Mãe, esteja na Paz de Nosso Senhor!Imagem: arquivo pessoal (não autorizada a sua reprodução)

E você?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Who Wants To Live Forever?

Em março, quando estreei este humilde blog não sabia exatamente até que ponto chegaria (ainda não sei!), desde então venho (a conta-gotas) desenvolvendo, aprendendo, partilhando o que posso e satisfaço-me com cada conquista. Não almejo aumentar dígitos, embora a curiosidade os procure aqui e ali e sejam, de certo modo, consequência dessa inter-relação na blogosfera, isso não é o que me motivou inicialmente e, agora, mantenho o propósito de, simplesmente, continuar a

CRESCER

Parece algo tão banal e tão simplório, não acha? Alguns  podem dizer que isso é balela porque bem lá no fundo todos querem um lugar ao sol com direito à sala VIP, então, por que alguém se alegraria em ser apenas mais um? Eu direi…

A razão do post de hoje é, novamente, em homenagem a minha mãe. Lá se vai um ano do seu falecimento e parece que foi ontem! Mencionei-a aqui e acolá, não gostaria que o assunto se tornasse chato e recorrente, contudo, é inevitável que recorde datas e fatos tão marcantes para mim e, sobretudo, das lições que  me fizeram uma pessoa diferente (não radical nem completa!), porém, um tanto quanto destemida em relação à morte. Presenciar os últimos dias da mãe e percebê-la “abraçando o próprio fim” nessa esfera terrestre foi, inexoravelmente, doloroso e revelador. Quando meu esposo perdeu o pai há mais de 11 anos eu passei a me perguntar: quem perderá quem a seguir? A vida seguirá a linha aparentemente óbvia dos “mais velhos primeiro” ou nos surpreenderá?

De certa forma ela seguiu o curso mais ou menos esperado “os pais antes dos filhos”, não necessariamente na ordem dos mais vividos ou de idade avançada. 

Por alguns instantes custo a crer na efemeridade, mas, o fato é que não está entre nós como a conhecemos no passado, salvo as lembranças, tanto as boas quanto as ruins pululam em *nossas mentes e corações. De início sonhei com ela umas três vezes, tentei decifrar o que significava: seriam recados ou somente resquícios da memória  transitando entre o que foi e o que é? Como ter certeza?

A depender da doutrina que se segue e se acredita há respostas que acalentam e dão o impulso necessário para continuarmos a caminhada, para continuarmos a crescer, não importando que idade teremos ao findar. Um cunhado costuma dizer em nossas rodas de conversa: Quem quer morrer? Ninguém, claro. Concordo (também quero ficar velhinha e cheia de netos, bisnetos… quem sabe?) e mesmo os que procuram a morte prematura o fazem à revelia, entretanto, tanto uns quanto outros estão fadados a fechar ciclos nesta vida (nascer, balbuciar, engatinhar, andar, estudar, trabalhar,etc.,etc.,etc.) e a morte encerra todos eles. Tenho a dizer que minha mãe fechou muitos ciclos por aqui, se do jeito certo ou errado, não cabe o julgamento, alegro-me que ela tenha visto os filhos se casando e lhe dando netos e netas, que tenha deixado bons exemplos como mãe, superando alguns equivocados ou incorretos, afinal, antes que ela fosse mãe ou qualquer outra coisa, era um ser humano em busca de sonhos e ideais.

"A Luz que traz Vida convida-nos a CRESCER diariamente!"Imagem Stock Photo

E, ao contrário das muitas lágrimas que permearam meus textos há uns meses, confesso que algumas ainda permeiam - e isso só mostra o quanto não sou indiferente ao que vivo; hoje tenho a firmeza de aceitar e conviver com essa perda, em particular, pois, compreendi que mesmo ela é passageira, que os contornos da vida podem ser alterados de modo que sejamos gratos e felizes pelo que somos e temos e também pelo que fomos e tivemos, compreende?

Ofereço este vídeo aos que chegaram até aqui, com a canção que inspirou, em partes, o post de hoje. Agradeço a cada pessoa que se manteve próxima, fosse com uma palavra amiga ou mesmo em pensamento, numa oração. *Em especial, ao meu esposo, irmão e cunhada que estiveram e estão sempre presentes em momentos importantes na travessia do luto à luta!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

REFLEXÃO - Pais e Filhos

Felicidade: paro, penso e...
sinto-me feliz!
Boas coisas aconteceram, outras nem tanto e daí? Coisas curiosas e estranhas também. Seriam pequenos sinais divinos? Seria hora de mudar hábitos e rotinas? Seria o momento oportuno ou o mais certo a se fazer?

Dia desses ouvi um depoimento de uma jovem que sofreu um terrível acidente, inclusive, sua história veicula em PowerPoint pelos e-mails, eu mesma cheguei a achar que fosse criação de alguém tentando amedrontar os que (ainda) bebem e dirigem. O pior é que o fato foi real! Em resumo: um motorista embriagado causou um acidente com o carro da jovem, o qual se incendiou com ela e a deformou de tal maneira que lá se foram 40 cirurgias e muito, muito sofrimento com queimaduras de 3º grau em mais de 60% do corpo. Imagina um absurdo desses? Tamanha dor (no corpo e, especialmente, na alma) é incalculável, foge à minha pequenez... a história dela poderia culminar em suicídio para muitos, porém, lá estava exposta num programa de TV famosérrimo contando sua experiência nesse desastre que modificou não apenas sua aparência externa, modificou seu ser. Ela atualmente se vê a mesma pessoa, obviamente não no aspecto físico, ela consegue dizer a si mesma que é possível encontrar a paz de espírito, um conforto para a alma ou como queira chamar esse ato de "permitir-se ser feliz."
Na quinta-feira recebi um convite de uma pessoa muito próxima e, embora eu o tivesse recusado, diante da insistência, notei que era sim um pretexto para algo maior. Então, lá fomos para uma reflexão bíblica em grupo na casa da mãe dela. Na adolescência fui uma beata, muito aprendi com os grupos de jovens, porém, mudanças de endereço, faculdade, casamento, etc., afastaram-me, de certo modo, dessa realidade. Fiquei à distância, mais recolhida. Nada de grupos nem encontros na igreja. Vivenciei os "grupos da vida": no trabalho, na escola, na família. Dizem que o mundo nos ensina muito, mas, muito do bom e do ruim, não é? É preciso peneirar somente o que é bom, o resto é resto, se não serve para mim nem para você, então, desprezo sem titubear.
Agora diga: o que tem de ligação entre os pontos levantados até aqui? Felicidade, superação e convite? Não necessariamente nessa ordem. Sei lá, pensa um pouquinho e diga se encontra elo entre os três.
Pensou? Ainda não? Tenta, vai...faz um esforço! Isso...
Depois me conta o que foi de interessante que saiu dessa cabecinha, ok?

Bem, dessa aqui saíram conjecturas, divagações mil...rs, ao final, muito positivas. No começo o convite pareceu-me uma cilada(rs), um pequeno grupo de onze adultos e cinco crianças reunido para refletir trechos da Bíblia e absorver uma gota de conhecimento. Os que já se reúnem semanalmente foram revezando leituras e dinâmicas do encontro, passado alguns minutos de concentração no assunto em questão "justiças e injustiças", entrei na roda viva e soltei o verbo. De repente, aquele grupo que estava meio que acanhado e sem palavras tornou-se numa espécie de terapia grupal, um desabafo de suas frustrações e, claro, senti-me na obrigação de amarrar o assunto com o trecho que havia sido lido antes para não ficarmos só nesse momento "tenho pena de mim!". Veio à luz as experiências daquelas pessoas, inclusive as minhas, especialmente das perdas. É justo? Injusto? Perder mãe, marido, filhos? Qual o peso de cada perda dessas? É justo descarregarmos as nossas perdas sobre os outros em forma de ira? Resolve ou ameniza a dor?E o outro, também não tem as próprias perdas e dores? Será justo com ele?

Após o encerramento do encontro é que pude conversar mais com a pessoa responsável pelo "convite cilada"(rs) e parabenizá-la pelo motivo que a fez juntar-me àquele grupo na casa de sua mãe. Sua perda também reverteu-se em alegria! Lá estava ela e o marido: novamente grávidos! Queriam muito compartilhar a felicidade que sentiam e eu (quase) me neguei a estar presente. Logo o assunto mudou de ares e tudo soava como novidade e até redenção. Sim, se nos é "permitido" que tenhamos perdas, também nos é "permitido" que tenhamos presentes divinos e quer coisa mais divina que a vinda de um filho?
Agora, podem criticar à vontade o que vou dizer, já o disse para a nova mamãe em questão, talvez ela nem se recorde, falamos tantas coisas sobre tudo(rs), mas, vejo que Deus nos permite ter filhos para que nos sintamos um pouco como Ele, entende? Uma prova de fogo. Queremos o melhor para aquele ser, nos primeiros anos tão indefeso, de repente, ganha autonomia e o mundo, contudo, mãe e pai são para sempre, mesmo os que têm suas divergências e conflitos sabem, lá no fundo, que a figura deles permanece em nós, seja fisicamente, nos genes, seja no coração ou só na mente. Quantas pessoas relatam e atribuem dificuldades na fase adulta por conta dessa relação pais e filhos? O quanto pai e mãe são realmente "culpados" pelo sucesso ou fracasso de um filho?

E quanto à história de superação da jovem que sofreu o trágico acidente de carro? Bem, acabei por suscitar o caso somente entre o mais novo casal de "grávidos", nos referindo ao "desabafo coletivo" surgido no encontro bíblico e o quanto nos lamentamos dos infortúnios, esbravejamos até contra a Mão Divina que rege o mundo, assim mesmo, como os filhos acusam os pais quando se frustram: a culpa é sua porque estou nessa situação!
"Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?"
trecho da música Pais e Filhos - Legião Urbana

E a jovem acidentada disse que podia sentir-se feliz, apesar da tragédia, permitia-se ter pena de si mesma apenas cinco minutos por dia e arrancou risos da plateia dando uma "palhinha" desse momento de lamúria diária: "Por que isso foi acontecer logo comigo? Bom, acabaram-se os 5 minutos!"

Concluo que somos "convidados" a aceitar ou não certos desafios nessa vida, uma delas é nos tornarmos pais e mães. Permitirmos a "felicidade" é melhor do que lamentarmos o "leite derramado" e a "superação constante" pode ser o bálsamo necessário nessa escalada.
*PS.: apesar do atraso na postagem por conta de alguns contratempos, a reflexão aqui está e espero que todos possamos ter um ótimo fim de semana, bem como uma ótima jornada durante a vida: com convites, superação e felicidade! Aliás, aproveitarei o espaço para novamente PARABENIZAR O CASAL DE AMIGOS RECÉM-GRÁVIDOS! A JOVEM MAMÃE TAMBÉM É BLOGUEIRA E LOGO SE MANIFESTARÁ, ENTÃO, NÃO QUERO ADIANTAR MAIS!

Fonte das imagens: 1ª Google; 2ª Anne Geddes