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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Con-julgando o verbo Professa(o)r!

Eu brincava de professora quando criança

Tu duvidavas que esse sonho se realizasse

Ele ria porque não entendia tal desejo (professora?!)

Nós conquistávamos lugares ao sol!

Vós conquistáveis também e cada um seguia seu rumo

Eles titubeavam, enquanto eu, finalmente, recebia meu diploma após árdua jornada entre trabalho e estudo


Eu persisti, ainda, por um bom tempo no mesmo sonho

Tu desististe logo no primeiro obstáculo!

Ele desistiu, não por vontade própria, mas porque a vida lhe foi ceifada muito cedo

Nós continuamos, saudosos, não derrotados!

Vós descobristes carreiras mais atraentes

Eles estacaram no ponto em que estavam. Pena!


Eu aprendi muitas lições com meus mestres e contigo

Tu aprendeste com eles e também comigo!

Ele desdenhou do magistério; cursou Direito, Medicina, Odontologia… (oferecem “status” e pagam melhor!)

Nós insistimos na vocação, por mais dura que fosse!

Vós trocastes ideais por estabilidade financeira

Eles ignoraram a realidade do país, por completo!


Eu resolvi deixar este sonho pelo caminho, elaborei novos!

Tu criticaste tão somente o governo, a escola, os professores. Isso basta?

Ele culpou a si porque teve dinheiro e nenhuma alegria

Nós contornamos dificuldades e tentamos soluções plausíveis

Vós endurecestes o coração!

Eles ofereceram sempre menos aos educadores!


Eu, tu e ele fomos seus alunos um dia!

Nós devemos respeito e consideração, pelo menos!

Vós devestes se envergonhar pela falta de incentivo

Eles fizeram o mínimo e esperaram o máximo dos professores


Eu sinto que sou professora no coração, embora tenha deixado o sonho de infância para trás

Tu precisas enaltecer este 15 de Outubro!

Ele reconhece que sem bons professores ninguém chegaria a “alguém”

Nós acreditamos que é possível melhorar o nível da educação porque sem ela nada muda, tudo atrofia!

Vós fechais os olhos, mas, muitos os mantêm bem abertos para educar nossas crianças!

Eles desprestigiam a classe com baixos salários e promessas vazias, mas, PROFESSORES JAMAIS DEIXAM DE ENSINAR NOSSOS FILHOS E DEDICAM VERDADEIRO AMOR À VOCAÇÃO!

PARABÉNS A VOCÊ PROFESSOR E PROFESSORA!

Fonte da imagem: Google

sábado, 1 de maio de 2010

Trabalhador: rima melhor com labor ou com amor?

“O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.” – Madre Teresa de Calcutá

Creio que essa citação resume, em partes, minha visão no mundo enquanto trabalho. Noto que muita gente trabalha mecanicamente, mal se dá conta da própria importância naquele momento para determinadas pessoas e, trabalhar a contragosto ou por simples necessidade monetária sem pensar nisso é deixar uma boa parte da vida passar em branco e tristemente. Dinheiro é fundamental para a subsistência, nem sempre para preencher nossa complexa existência.

Tive alguns empregos ao longo da vida: secretária de advogado; auxiliar de escritório numa ótica, onde também exerci funções de caixa, vendedora e estoquista; auxiliar de ensino e, há quase doze anos, continuo no serviço público. Por vezes me pergunto: Será que envelhecerei fazendo a mesma coisa? Terei estômago de aço para suportar mais as dificuldades que a cada dia ganham proporções inimagináveis ao meu redor? Garanto, em cada um deles dei o melhor de mim e quando meu melhor não estava comigo, resolvia que era hora de mudar.

Comumente algumas pessoas tendem a jogar sobre o funcionalismo público (especialmente sobre aqueles que encontram pela frente!) toda sua revolta e amargura pelas dificuldades enfrentadas no dia a dia, seja culpa das autoridades ou nem sempre por isso, pode ser que naquela circunstância as coisas não tenham dado tão certo para elas e pronto! Dizem coisas que elas mesmas não gostariam de ouvir em seu ambiente de trabalho, com certeza! Há quem até volte atrás e se desculpe.  Existe, via de regra, uma depreciação generalizada do que eu e outros colegas fazem com dedicação e extrema responsabilidade; isso deve-se ao fato de uma minoria, corrupta e indiferente, muito bem remunerada, diga-se de passagem, manter-se distante da verdadeira realidade que, nós, funcionários da base, vivenciamos diariamente.

Em contrapartida, ainda que em raríssimos casos, há pessoas que reconhecem e tornam público o seu apreço por nossos esforços como foi o caso de um paciente nessa semana, que dia após dia tem comparecido para realizar curativos em seu braço; ele escreveu uma pequena carta agradecendo o carinho com que o tratamos todas as vezes em que precisou de nosso trabalho e conseguiu nos arrancar lágrimas. Deixamos a referida cartinha pendurada, como um lembrete de que vale a pena continuarmos, apesar das adversidades enfrentadas.

Todo trabalho é recheado de prós e contras, não vejo um que traga apenas benefícios, mas, a maneira como  vemos e lidamos com qualquer coisa que nos propomos realizar faz toda diferença, tanto, que deixamos transparecer aos outros: estando fatigados e desmotivados, provável que nossas feições denotem tristeza e/ou mau-humor, e, ao contrário, estando receptivos e conscientes da nossa importância, certamente, nosso semblante dirá  que podemos ser via de acesso e de bons resultados. Vejo isso na prática. Aprendi, portanto, que devo estar envolvida com o outro e com o meu trabalho, que sou também uma gota no oceano com a qual Madre Teresa se comparava, porém, que não a deixou impotente diante das mazelas humanas que enfrentava, aliás, a fez tão forte que se tornou exemplo da dignidade humana no trabalho que realizou.

Você pode pensar que seu trabalho nada vale, mas alguém pode precisar muito dele, especialmente, quando o faz com o coração!

“O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.”

Fonte da imagem: Google

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Gripe A (H1N1) – Novo round e histórias!

Quem já me acompanha sabe que em julho passado fiz dois posts falando dessa epidemia, e, trabalhando na área da saúde é difícil não dizer ou escrever absolutamente nada sobre o assunto, por mais cansativo e batido que esteja sendo, e coloque cansativo nisso, aliás, exaustivo. Entretanto, faz parte de toda campanha de vacinação esse ritmo frenético, pelo menos por aqui, imagino que no restante do Brasil seja da mesma maneira.

Uma coisa interessante é notar a presença das pessoas com suas dúvidas e, principalmente, com seus medos: umas porque podem receber a vacina, de acordo com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, e acabam não fazendo por temerem reações adversas; outras porque não se enquadram nestes critérios e gostariam de receber a dose, sentindo-se, desse modo, mais protegidas contra a doença. As coisas mudam rapidamente, portanto, atente-se, pois, quem não foi contemplado pode vir a ser e a mídia deverá divulgar.

Há e-mails circulando, há notas em blogs e sites, há pessoas até discutindo com funcionários acusando os mesmos de estarem aplicando “mercúrio” para causar assassinato em massa a mando das autoridades!

Eu fui vacinada e estou aqui para contar essa e outras histórias (se Deus permitir, claro!). Meu braço ficou doloridíssimo no dia da aplicação, no dia seguinte estava tudo bem, nenhum sintoma extra, porém, há profissionais da saúde que tiveram reações esperadas e sabidas, como febre e sintomas relacionados ao quadro gripal. Há colegas que nem sentiram aquele meu dolorido… Então, não há como saber a reação individual previamente, exceto em casos de pessoas que já tenham um histórico de contraindicação médica para determinados remédios e vacinas.

Como sabemos, ao longo da história da humanidade, num primeiro momento o medo do que é novo tende a se sobrepor, até mesmo sobre as mentes mais esclarecidas, centradas e conscientes da situação (como foi o meu caso e de outros trabalhadores da saúde, com certeza, pois, fomos os primeiros da fila e não havia ninguém para contar essa história a nós, soldados da linha de frente… ai Jesus!). Passado o susto, restou-nos dali por diante enfrentar o medo dos próximos: gestantes, crianças, doentes crônicos e por aí vai - e estamos indo, sem maiores obstáculos, exceto o próprio medo de cada um e sobre o qual nenhuma outra pessoa é capaz de interferir plenamente, a não ser o próprio indivíduo.

Por falar em medo, aqui abro um parênteses para um bom puxão de orelhas na faixa etária dos 20 aos 29 anos – decepcionaram em dois sentidos: não levam o cartão de vacinas (diga-se de passagem é UM DOCUMENTO IMPORTANTE, CIDADÃO!) e só procuram as unidades de saúde por causa da pressão, seja da própria sociedade, família ou da mídia. Aproveitamos, como bons funcionários que somos, para colocar o esquema vacinal desses jovens em dia, isto é, sob muitos protestos e queixas de “ai, vai doer?”, “é de agulha?”, “pode ser de gotinha?”, “só quero a H1N1… tetânica, febre amarela, rubéola não!” e assim muitos e muitos deles enlouqueciam e nos levavam à loucura junto!

As pessoas precisam entender que não se fica doente só da gripe A (H1N1) porque ela está em evidência, obviamente a epidemia deve ser contida de todos os lados, entretanto, façamos um alerta para tantas doenças e para as quais existe a PREVENÇÃO. Fazendo uma comparação, a grosso modo, quando a poliomielite devastava a vida de famílias com a paralisia, imagino que fosse semelhante ao drama de pessoas que tiveram parentes acometidos com a gripe A (H1N1) num estágio já avançado: O que fazer? Tem cura? Tem remédio? Tem retorno? Por que as autoridades não fazem algo?

Surgiram campanhas e até hoje elas existem no combate à paralisia infantil, não é? Digo que ainda há mães e pais que deixam passar essa oportunidade, mesmo com tanta divulgação, mesmo que façamos campanhas todo santo ano! Com as outras campanhas, idem! O fato de certas doenças terem diminuído nas estatísticas e não constarem no noticiário não quer dizer que sumiram do mapa! Agora o caso é com a Influenza H1N1 e Deus sabe lá o que pode surgir de novo, porém, o ciclo deverá ser o mesmo: muitos infectados, mortes, mobilização da mídia, indignação da população ao ver a medicina tão avançada sem dar conta em tempo real dos surtos, falta de governabilidade…

Logo aparecem as vacinas preventivas e… Bom, essa história eu já contei!

A informação é sua maior aliada!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

“Sempre fica um pouco de perfume…”

Todos tivemos e os que ainda frequentam os bancos escolares devem ter uma lista dos seus bons e maus professores e, inevitavelmente, mesmo que não gostemos de lembrar deste ou daquele, cada um compôs o mosaico de nossa carreira estudantil. Da mesma forma, para eles sempre haverá aquele “pestinha” a infernizar suas aulas, o “matraca” a disputar as atenções, outro “desligado” que parece estar sempre longe e tantos tipos característicos que bem sabemos existir entre os alunos.

Enquanto aluna fiz o tipo “muda” durante o fundamental e só no magistério é que acabei me desinibindo, já na faculdade interferia nos bons debates e mergulhava nos estudos em grupo, sugerindo e puxando os trabalhos em muitas das vezes. Do outro lado, no pouco tempo em que lecionei, fosse estagiando ou recebendo para isso, convivi com várias faixas etárias e comunicava-me bem com todas, exceto com alguns adolescentes, pois, faltava-me a experiência e a maturidade, creio que me viam como “uma deles” e isso era péssimo! O respeito e a disciplina nem sempre aconteciam de forma satisfatória, exauriam-me as forças! De qualquer maneira, essa troca fez com que eu crescesse e apreciasse ainda mais a profissão pela qual me apaixonei um dia.

E, estereótipos à parte (ou não), lembro-me de muitos professores e professoras e , provavelmente, você tenha tido alguns semelhantes: minha primeira série foi marcada por uma “tia” bastante apática e sem graça, focada apenas no be-a-bá, ao contrário da professora subsequente que elogiava e, ao mesmo tempo, ralhava pelo excesso de páginas que eu preenchia nas redações (cinco ou seis) – ainda padeço desse mal! Entre a turma chegou a ficar afastada pelo descuido com as cordas vocais, punha emoção demais nelas! No terceiro e quarto anos do fundamental as “tias” eram, respectivamente, carinhosa e dada a ter alunos auxiliares em classe.

Da 5ª a 8ª séries alguns se destacavam por detalhes interessantes: uma professora de ciências que a todos cativava; um professor de história que nos levava a passeios para universidades e outros lugares fora da sala, uma figura com seus óculos fundo de garrafa; a professora de estudos sociais revoltada com “sistemas” fazia-nos sentar em círculo para não reproduzir a hierarquização social; um de matemática que nutria amor pela disciplina e pela educação, especial, mesmo para mim que preferia as letras aos números.

No ensino médio cursei o magistério e por lá houve vários mestres e mestras direcionando futuras(os) profissionais da educação. Uma que marcou não só a mim, mas, toda turma que se defrontasse com ela, professora de metodologia do ensino da matemática, tínhamos que ler vários livros das coleções “Vivendo a Matemática” e “A descoberta da Matemática”, resumir e propor atividades, era um suplício, entretanto, aprendíamos muito! Igualmente a professora de inglês precisava recuperar tempo perdido e guiou-nos por vários títulos da “Literature for beginners”; a de Alfabetização encantava-me assim como o de Psicologia, senti por não serem disciplinas com mais horas na grade. Na faculdade, recordo alguns: o bom e idoso professor de Latim fez-me aprender sintaxe como nunca; o mesmo professor que lecionou Teoria da Literatura no primeiro ano, também lecionou Literatura Brasileira no último ano e beirava a crueldade, às vezes, tamanhas eram as suas exigências! E a minha preferida foi a professora Lídia, de Produção de Textos, e, não fossem alguns percalços e frustrações acumuladas, eu teria feito especialização na referida disciplina, quando decidi recusar a chamada. Coisas da vida! Ela também me ensinou muito, porém, meus educadores ensinaram mais!

Impossível descrever tantos outros, porém, todos deixaram suas impressões, fossem boas, outras nem tão boas assim e, mais que impressões, deixaram conhecimento e um mundo a ser explorado a quem quisesse descobri-lo.

Hoje dedico sinceros agradecimentos aos professores que fizeram parte da minha trajetória escolar, deixando um pouco de si ou mesmo muito, cabendo completar o título do post: "...nas mãos de quem oferece flores!".

Compartilharei uma leitura que surgiu daqui e foi parar ali, resumindo quão importante, inovadora e desafiadora pode ser a arte de educar.

“A cabeça e o coração dos professores são as coisas mais importantes.” ALVES, RUBEM. Revista Ler & Cia. Ensino: Novos caminhos para a educação. ed.28, p.17, set/out. 2009.

blackboard

Este texto é parte da Blogagem Coletiva “Professores do Brasil” proposta pelo Valdeir do Blog Ponderantes

Fonte da imagem: Google

sexta-feira, 3 de julho de 2009

REFLEXÃO - Por amor ou pela dor?

"O burro nunca aprende, o inteligente aprende com sua própria experiência e o sábio aprende com a experiência dos outros".Provérbio chinês

Tenho pensado em postar algo sobre um assunto pertinente ao meu trabalho e, principalmente, a todos nós sujeitos ao vírus da influenza A(H1N1), que começaram a chamar de gripe suína e que foi erroneamente interpretada por isso (então, a culpa é do porquinho?), por conta desse alarde muita gente ficou apavorada em consumir a carne e, consequentemente, os suinocultores não ficaram muito felizes com o termo, eu também não, simplesmente pelo fato de achar o nome horroroso, concorda? Gripe A(H1n1) soa mais "bonitinho" que gripe suína...rs. Enfim, creio que o mal-entendido tem sido desfeito aos poucos. Ah! Tenho um cunhado que acredita na "teoria da conspiração", pode ser que queiram super valorizar a produção da vacina ou algo parecido para o controle da nova gripe e disseminaram o vírus criado em laboratório, também tem gente que acredita que alguns grupos queiram acabar com o hábito de comer carne suína e impuseram o termo primeiro para disseminar o medo! Quem sabe!
Quais os sintomas? Todos perguntam. Oras, os mesmos de qualquer gripe! Por isso a população se torna alvo fácil dessa nova mutação, nosso organismo ainda não criou defesas, felizmente, muitos de nós supera e superará muitas gripes, contudo, não pensemos em nós somente, pensemos, sobretudo, em crianças, idosos, imunodeprimidos e tantas outras pessoas que poderão ser acometidas pela gripe A(H1N1) e necessitarão de leitos hospitalares, os quais, se requisitados em número maior que o disponível, disputados com outras doenças além da nova gripe...isso não vai prestar, já viu esse filme antes? Eis aqui um belo conselho que ouvi de uma enfermeira, porta-voz das ansiedades dos funcionários envolvidos no trabalho e também expostos a mais essa doença, dentre as que já conhecemos e convivemos: antes de nos preocuparmos apenas quanto à letalidade da gripe A(H1N1), cuidemos para que a epidemia não caia sobre nossas cabeças feito uma avalanche. E como? Cuidados básicos para começar a prevenção e controle, ou seja: lavar bem as mãos com água e sabonete antes das refeições, após espirrar, tossir ou usar o banheiro; evitar tocar olhos, nariz e boca após contato com superfícies; proteger com lenço descartável ou papel higiênico a boca e nariz ao tossir ou espirrar; indivíduos suspeitos ou confirmados da nova gripe devem ficar em casa em repouso (exceto casos de risco), com alimentação balanceada e ingerir muito líquido; manter ambientes ventilados; evitar as aglomerações desnecessárias. São medidas simples que podem contribuir muito para que, de fato, não sejamos nocauteados por mais essa epidemia, lembre-se do que foi a dengue sem a devida conscientização! Ainda continuemos a eliminar água parada, hein! O Aedes Aegypti está à espreita, aguardando nosso vacilo em meio a essa nova epidemia.
Desde a semana passada, quando pela primeira vez tivemos uma suspeita da nova gripe (ainda sem confirmação, pois os exames "viajam" aos laboratórios responsáveis e tudo isso demanda tempo), sei que foi um rápido "Deus nos acuda!", todos os funcionários colocando máscaras, isolando a paciente, atordoados, como quem diz "E agora? Que faremos? A danada chegou aqui também?" (como se o vírus precisasse de passaporte ou convite para cruzar fronteiras, não é?), entretanto, aquele susto súbito do que é inevitável batendo em nossa porta passou, buscamos mais informações, recebemos mais instruções sobre o planejamento que o ministério veicula para os que trabalham com saúde (às vezes sem...) e pela saúde! Tal episódio fez-nos crer que o vírus nos encontrou no mapa: Ai Jesus! Que bichinho esperto, hein!
Agora sério! Vi outro dia um breve lembrete sobre a inevitável epidemia que está chegando ao Brasil, ainda que na referida propaganda o médico diga estarmos "preparados" para a tal gripe. Estamos mesmo preparados para o ataque do "inimigo invisível"? É a pergunta que me faço atualmente e a repasso para quem queira saber como uma epidemia é capaz de suplantar nossa inteligência, daí a citação que fiz questão de colocar logo no topo do post e que também inspirou o título de hoje. Quantas vezes você já ouviu te dizerem: "se não for por amor, será pela dor...", na intenção de alertar que algo precisa e será feito, de um jeito ou de outro. No caso da saúde, seria melhor que fosse por amor, todavia, nem sempre é possível, a dor está (quase) inexoravelmente atada a nossa realidade. Façamos com que ela seja minimizada e evitada, se tanto!
Como "façamos"? Quem tem que fazer não são os órgãos responsáveis pela saúde?
Sim e não. Sim no quesito informar ao máximo possível, conter os "invasores"da melhor maneira que puder, cuidar, tratar e monitorar os que forem expostos. Aqui abro um parênteses (o que diferencia a gripe A(H1N1) nesse momento das outras é o fator CONTATO: apareceram sintomas de gripe? Esteve viajando nos últimos 7 dias? Esteve em contato com quem viajou recentemente e também apresenta sintomas? Esses "contatos" têm nome e endereço ou são apenas frutos de um diz que me diz? Foram ao médico e confirmaram a gripe referida por exames, ou ainda, são suspeitos até que os resultados saiam? Estão em isolamento domiciliar?).E não, quando digo que cada pessoa é responsável pela transmissão e disseminação do vírus, caso não se comprometa com a prevenção e controle, achando que é problema dos outros, tornando-se uma grande aliada do vírus mutante.
Parece um tanto desumano falar em isolar alguém, não acha? Contudo, sem vacina ou remédios apropriados e prescritos por médico, aliás, não se automedique! Pode ser fatal!É um verdadeiro tiro no pé! A opção que sobra viável para o momento é o isolamento, evitando assim que o vírus se dissemine descontroladamente como já ocorreu com toda América do Sul, mais drasticamente com nossos vizinhos e, desse modo, "por amor" daremos preferência aos casos mais graves que venham a surgir.
Imagina se todos que derem um espirro correrem aos postos e hospitais já autodiagnosticando a nova gripe? Colapso total! Além de não ser nada inteligente "aglomerações", lembra? Por ora tenho percebido uma certa letargia por parte das pessoas, olham-nos de máscara e até acham engraçado: "Olha, é verdade que a nova gripe já chegou aqui!" - isso porque não há um caos instalado, parece que estão só esperando por ele para tomar consciência real do que o mundo "lá fora" vem enfrentando. Também não vá esperar mais que 48 horas cheio de sintomas e ainda se encaixando naquele parênteses ali atrás, ok? Nem 8 nem 80, por favor!
Volto ao provérbio do início: seremos burros, inteligentes ou sábios ao lidar com essa situação?
Claro que eu desejo o último!
Não esquece de lavar as mãos depois de mexer nesse teclado e nesse mouse, hein! Quantos já os usaram hoje?
Bom humor é algo que não deve ser confundido com irresponsabilidade, com falta de conscientização ou descuido desde agora, eis porque fiz uso dessas charges. Confira outras no link da fonte de imagens.
Bom final de semana para todos nós!

Fonte das imagens: Kibeloco

sexta-feira, 19 de junho de 2009

REFLEXÃO - Quem mexeu no meu queijo?

Em outras postagens estive a considerar e refletir pontos que *"mexem em nossos queijos" vida afora. A quem queira reler ou ler pela primeira vez, basta clicar aqui, ali ou acolá. Tais posts tanto independem um do outro quanto criam, em algum momento, um ponto de intersecção entre si, mais ou menos como a medicina, que tanto pode ver o paciente como um todo (clínica geral), quanto tratá-lo por áreas específicas (especialidades). Simples e complexo assim!(rs)

O título em questão já deve ser velho conhecido de muitos. Não estou aqui para fazer críticas nem elogios ao livro, pois, o mesmo já foi bastante divulgado, nem sou apta para tanto, sou apenas alguém que gosta das parábolas, troco ideias a respeito e reformulo continuamente a opinião primeira, aliás, quem já não leu o mesmo livro ou assistiu ao mesmo filme algumas vezes em tempos diferentes e não os viu com novos olhos? Em especial, leitura e releitura abarcam essa mudança, esse novo olhar, por isso, o mundo das letras é mais forte que o pulsar do coração, ele resiste às muitas intempéries, daí alguns escritores serem citados e lidos, receberem homenagens, ainda que póstumas, através dos tempos (não estou a falar do título em questão, veja lá, hein!).

Nos dias de hoje é bastante comum a busca da autoajuda, por quê? Penso que a simplicidade foi invadida pela complexidade do mundo moderno (tudo tão fácil e tão acessível, tão descartável...), assim, nos lamentamos muito mais, nos deprimimos muito mais, nos estressamos muito mais... e você, certamente, já parou para pensar nisso, não é? Já leu autoajuda também? kkkkkk! Rio junto contigo porque eu assumo, já li e leio coisas assim, leio outras também, mas, há os que repudiam tal escolha no mundo da literatura (tão farta de ótimos e memoráveis livros). Bem, cada qual com seu cada qual. Ler não é o problema, ficar dependente como se fosse remédio tarja preta é que acredito ser, então, não me incomodo. Posso queimar neurônios lendo textos científicos, quanto ler divertidamente um bom gibi infantil e, ainda assim, tirar proveito de ambos para a vida, entende?

Caramba! Você vai dizer já, já: quanta justificativa e divagação? Onde chegaremos?

Aí é que está: Onde se quer chegar? Que objetivos traça para viver melhor? Quanto questionamento é preciso fazer e refazer para alcançar o que se quer? Quer alcançar algum objetivo, pra começo de conversa?

Temos o velho hábito de apenas reclamar quando tudo vai mal, de reclamar quando as coisas mudam (estava tudo tão bom do jeito que estava!), de declinar os verbos da dificuldade antes dos verbos da perseverança, afinal, parece ser bem mais fácil assim, pois, enfrentar novos desafios despertam o medo e quem não teme? Ainda bem que as pessoas são bem diferentes umas das outras, que nem todas são pessimistas ao extremo (haveria suicídio em massa, cruzes!), em contrapartida, nem todas são otimistas ao extremo também (haveria "cegueira" geral diante dos problemas, aff!). Um misto disso e daquilo, ponderando prós e contras, reafirmando o que é bom, desprezando o que é ruim, encontrando saídas para o *labirinto são coisas a considerar sempre diante dos desafios desta vida.

Então, espero que todos possamos procurar por *queijo novo e encontrá-lo, apesar das dificuldades, que não fiquemos parados chorando pelo *queijo que se foi, afinal, você é um homem ou um rato?

Uma boa sexta-feira!


*os termos marcados pertencem ao título em questão e podem ser apreciados resumidamente em vídeo do Youtube.


Fonte da imagem: Google

Bibliografia do Livro: SPENCER, Johnson. Quem mexeu no meu queijo?
Título original norte-americano WHO MOVED MY CHEESE?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

REFLEXÃO - Prof.Marins


Cá estou e após um momento particular de reflexão para esta sexta-feira, encontrei algo muito bom e, coincidência ou não, complementa a postagem anterior.

Prof. Marins é alguém que conheci através de meu marido e logo gostei do modo como aponta falhas e soluções práticas para as pessoas no mundo do trabalho e até na vida pessoal delas através de seus textos. Depois disso, também o encontrei na Rede Vida no programa Motivação & Sucesso e, num de seus muitos textos semanais que deram origem ao título do programa citado, algo importante chamou-me a atenção: sabemos muito criticar e apontar erros (dos outros). Humildade é virtude que nem sempre consideramos e, muitas vezes, quem é assim pode ser rotulado de "bobo" porque não tem a "esperteza" para viver no mundo cão.

Leia seguindo o link :Criticar é fácil. Difícil é mudar nosso comportamento (15 de abril de 2007) - por Prof. Marins.

Não caiamos no exagero narcisista nem nos entreguemos às afirmações do "espelho, espelho meu..."

Excelente sexta-feira e um fim de semana melhor ainda para você!



Fonte das imagens: 1ª - Obra Narciso de Caravaggio;
2ª - Madrasta da Branca de Neve (Google)

sábado, 18 de abril de 2009

Blogagem Coletiva - Quem foi seu Monteiro Lobato?

Memórias de uma leitora

Prefácio
Falar sobre o 18 de Abril, Dia Nacional do Livro Infantil e de seu representante maior Monteiro Lobato não é tarefa fácil, todavia, muito gratificante porque o prazer de brincar com as palavras e recontar coisas passadas não se mensura, um misto da literatura na vida e da vida na literatura. Incomparável, sua obra infantil deixou marcas em minha geração, deixará também para as subsequentes posto que é imortal.

Capítulo 1 – em casa: o pontapé inicial da literatura
Meu pai, que fora criado com o mínimo de estudo, na base da enxada, em nossa infância, contava a mim, ao meu irmão e minha irmã, basicamente duas histórias: João e Maria, em que a parte mais interessante era a tensão de saber se a bruxa descobriria a mentira das crianças na tentativa de se livrarem dela e, Ali Babá e os 40 ladrões, desta que ficou marcada a célebre frase “abre-te Sésamo!”, funcionava como mágica num mundo distante e diferente do nosso cotidiano. Coitado de meu pai! O seu repertório era composto apenas por estas e sempre pedíamos para que ele as repetisse, mil vezes que fosse!
Capítulo 2 – o primário: caminho das letras
Aos sete anos e meio iniciei a primeira série. Aprendi o alfabeto no velho método da abelhinha, quem se lembra? Em cada letra uma história, um som, uma grafia. As dificuldades eram substituídas por muitas repetições com a introdução de fichas no alfabeto silábico.
Já no ano seguinte, descobri a escrita de outra forma: produzindo redações: temas livres ou direcionados, não importava, eu queria muito inventar situações e pessoas, tanto que a professora chegou a pedir certa vez que eu preenchesse um pouco menos que cinco ou seis páginas dos pequenos cadernos de brochura, afinal, aquilo não era para ser um livro!
Na terceira série fui premiada com um coelhinho “Quick”, por ter escrito a melhor história numa competição entre os colegas da turma. Esse “troféu” dormiu, passeou e ficou ao meu lado por muito tempo.
Por essa época estava a frequentar a biblioteca, por ser um colégio novo não tinha muitos livros, contudo, dentre os que li, apenas uma coleção, em especial, passou a fazer parte das minhas várias idas e vindas naquele lugar:
Anita, escritos por Marcel Marlier e Gilbert Delahaye. Como toda criança, buscava algo que chamasse a atenção pelos sentidos: os olhos viram as capas duras e as lindas ilustrações. O cheiro do livro levava-me a viajar junto com a protagonista nas diferentes histórias. Folheá-los era a certeza de encontrar um pouco mais de aventura, podia, inclusive, ouvir as vozes, os sons...
Posso dizer que foi o marco zero de minhas leituras e elegê-la como alusiva ao meu Monteiro Lobato remonta a estas memórias, concomitantemente, Lobato apareceu-me de outro modo: pela televisão através dos muitos episódios exibidos no programa Sítio do Pica-pau Amarelo. Era um vício assisti-los todas as tardes, certa vez cheguei a sonhar com o Minotauro tentando me encurralar num labirinto, foi muito pior que sonhar com a Cuca! Meu personagem favorito era o Visconde de Sabugosa, tão culto e cheio de explicações inteligentes, fazia um ótimo par com a Emília nas suas intermináveis filosofias e ideias.
Na 4ª série tomei “ares de professorinha”, pois a “tia” cultivava o hábito de seus alunos serem auxiliares em classe: escrever na lousa, confeccionar cartazes, ajudar os colegas com dificuldades, etc. Coloquei na cabeça que seria professora no futuro.
Capítulo 3 – o ginasial: tomada de decisões
Da 5ª a 8ª séries a coleção Vaga-Lume, que acredito ter sido uma coqueluche entre professores e alunos da época, foi outra que apreciei muito, tendo lido vários, dentre eles alguns como: O Mistério do Cinco Estrelas; Sozinha no Mundo; A Ilha Perdida; Açúcar Amargo; Aventuras de Xisto; Deus me Livre!; O Caso da Borboleta Atíria; Os Barcos de Papel ; Xisto e o Pássaro Cósmico; Xisto no Espaço; etc.
Nesta fase, o estudo da Língua Portuguesa, além de Inglês e Estudos Sociais eram as disciplinas que mais me agradavam.
A partir da 7ª série comecei a trabalhar. O mundo foi ficando mais complexo, difícil e, ainda assim, com muito esforço conseguia manter meus estudos de modo saudável, não tanto quanto antes que só me dedicava a eles, porém, jamais deixei de ser uma boa aluna, uma boa leitora.

Capítulo 4: 2º grau profissionalizante – o Magistério
Meu sonho de ser professora teve seu início, meio e fim, infelizmente, o fim foi FIM mesmo. Cursei-o com dificuldades por trabalhar no comércio, contudo, jamais o releguei ao segundo plano: dormia tarde, sacrificava feriados e finais de semana, férias nem as tive para cumprir meus estágios. Já formada, travei batalha com o sonho perante a realidade, esta última foi dura e deixou que o primeiro sucumbisse diante dos obstáculos. Boa teoria e vontade não bastaram para seguir adiante, eram necessárias “provas de títulos” ou salários ínfimos, ambos não me eram possíveis naquele momento. Fazia parte de uma família, almejava construir a minha também e era preciso algo concreto. O sonho acabou por ora.
Capítulo 5: curso superior – Letras: orgulho de ser
Pedagogia ainda foi uma ideia que alimentei por um tempo, logo trocada pelo curso de Letras, sugerido por meu marido (namorado ainda na época). Jamais houve arrependimento, creio que foi a melhor coisa que fiz depois do magistério. Ambos corroboraram para tornar-me alguém muito melhor. Cheguei a lecionar inglês em escola particular para crianças, provei que era capaz, fui feliz, entretanto, a vida faz das suas, precisei tomar novo rumo, priorizar pessoas e coisas. Comecei a trabalhar na área da saúde com a burocracia onde continuo até hoje.

Considerações finais
Síntese é algo que tenho trabalhado ao longo da escrita e ao longo da vida, porém, bem sabemos que é quase impossível reduzir tantas histórias e tantas memórias em poucas palavras. Tentei ao máximo e peço sinceras desculpas se meu caro amigo leitor ficou enfadado, a intenção não era essa, de modo algum. A intenção maior foi suscitar algo, por mínimo e simples que fosse, de Monteiro Lobato em suas muitas e muitas criações. Minhas memórias podem não ter o glamour das aventuras de seus mais famosos personagens, porém, como foi proposto pela blogagem coletiva do
Fio de Ariadne, apoiada por Jorge Zahar Editor, apontei pessoas, fatos e autores que trilharam comigo esta trajetória no mundo da leitura. Assim se fez. Assim se faz. Era uma vez. Nada mais.
Fonte de imagens coleção Anita: site Editora Verbo
Fonte das demais imagens: Google

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Povo Santo e Pecador!

Normalmente as pessoas chegam esgotadas do trabalho. Hoje cheguei muito mais que o normal, com a cabeça em chamas, com o coração melancólico...mil pensamentos convergindo para um único ponto que não comportava uma vírgula sequer. Trechos da música "Zé Ninguém" do Biquíni Cavadão ecoavam em meus pensamentos: "Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes..."

Estresse total...desgaste...frustração...tristeza e indignação com o "bicho homem", pois é, o termo bicho vem bem a calhar com o que estou sentindo. Sei o quanto meu trabalho é estressante e o quanto é desmerecido, contudo, nem por isso desisto dele e você que lê este texto agora pode se enquadrar na lista daqueles que, como eu, também fazem parte das profissões mais estressantes e desvalorizadas do planeta, por isso não me queixo tanto, já tive outros empregos e sei que sempre haverá obstáculos onde quer que estejamos, afinal, o "bicho homem" é o mesmo em todo lugar ou não?

E, além do estresse rotineiro a que somos submetidos, alguns fazem questão de tornar a vida mais complicada, ora descambando contigo no melhor dos barracos, ora fazendo ameaças psicológicas num tom velado, numa classe de dar inveja a qualquer lorde inglês, isso tudo no intuito de realizarem seus desejos tais quais imaginavam. Onde entro nesta história? Ah! Sim...sou a personificação de uma minúscula parte da megaengrenagem brasileira chamada
BUR(R)OCRACIA! Aquela sem boa vontade que só quer dificultar a vida dos que precisam...

Sinto-me consternada com os problemas alheios e faço das tripas coração para resolver da melhor forma dentro das regras que me são impostas e, antes que alguém diga: não concordo com o famoso "jeitinho" para solucionar tudo, pois, embora não pareça, é através do jeitinho que a corrupção começa. Pensamos em corrupção quanto a grandes desfalques, porém, pequenas ações ilícitas funcionam para manter e proliferar, sorrateiramente, atitudes maiores.

Claro que reconheço aqueles que agradecem, aliás, bem poucos, tanto que quando alguém é cortês de verdade chego a ficar sem palavras...nessas horas acredito novamente na humanidade, nesse "povo santo" que está em busca de algo maior.

O título é frase do Padre Lauri que, com seu sorriso faceiro e suas passadas largas do altar até os fundos da capela nas celebrações, olhos nos olhos dos fiéis, sempre ressaltava esta dubiedade humana: santidade e pecado. Através dessa frase eu reconhecia em mim os defeitos que levariam ao inferno e as virtudes que levariam ao céu. Logicamente estou a resumir conceitos teológicos minuciosa e exaustivamente esclarecidos nas muitas e muitas homilias do amigo e conselheiro referido.
Fonte de imagem: Google

domingo, 1 de março de 2009

Quem sou:

Às vezes não sou, estou...
Há momentos em que “estou” quando gostaria de “ser”...
Confuso? Não!
Costumo dizer que, a partir da 4ª série, quando ainda chamava a professora de “tia (Ana)”, nutri o sonho de seguir seus passos; ter sido a sua auxiliar na sala de aula definiu o que, alguns anos adiante, eu cursaria no ensino médio: o magistério. Trabalhando no comércio durante o dia e estudando à noite não foi fácil, contudo, superava-me, infelizmente, esse sonho, tal qual ”castelo de ilusões”, começou a desmoronar ao fazer frustradas tentativas de atuar na área, tive boas e memoráveis experiências lecionando aqui e acolá, nada que me ajudasse a driblar as “provas de títulos” dos concursos e neste ponto, devo ressaltar que sempre fui do grupo de alunas rotuladas "esforçadas", "estudiosas", "inteligentes", etc., surgindo bem diante dos meus olhos o paradoxo teoria x prática.Mais adiante, amadurecida pelo vai-e-vem atrás de pré-escolas e concursos, entendi o que uma de minhas professoras do magistério dissera certo dia: este conhecimento, aqui adquirido, não servirá apenas para lecionarem, mas uma bagagem para a vida inteira, afinal, serão mães, tias e exercerão tantas outras atividades que impliquem saber lidar com as crianças, concordam?
Paralelamente, por um determinado e precioso tempo, fui catequista e participei de grupos de jovens da comunidade paroquial, o que aprimorou, de modo enorme e gratificante, quem sou.
Decidida a cursar pedagogia e insistir um pouco mais nesse sonho, conheci meu marido, ainda namorado na época, e ele, sabendo de minhas manias por leitura, escrita e a curiosidade pelas traduções de músicas, sugeriu que eu cursasse Letras e foi o que fiz, porém, ainda havia uma centelha do desejo de lecionar, quando num desses reveses da vida, que só Deus pode explicar, comecei a trabalhar com a burocracia na área da saúde e o que me sustenta até então. Não posso dizer que sou infeliz, muito contrariamente, devo dizer que essa mudança súbita e radical teve propósitos divinos.Sabe o que é conhecer a base do clamor social (saúde e educação) mais de perto? Ah! Ambos me rendem e renderam boas experiências.
Letras foi fundamental na consolidação do meu “ser”, o magistério também. Hoje sou alguém melhor, sou uma mãe mais atenta porque obtive conhecimentos que, provavelmente, noutros cursos não obteria. Aprendi muito mais do que imaginei, não só academicamente, pois, ensinar implica, antes de qualquer coisa em aprender, daí a célebre frase de Guimarães Rosa: Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.
Por isso posso dizer que, embora não exerça o magistério como profissão o tenho feito vida afora por paixão.
E não parei de ler, de saber e escrever para, a cada dia, descobrir e reinventar esta aqui.
Fonte de imagem: Google