Mostrando postagens com marcador memórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador memórias. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de maio de 2011

“Quero que herdem meu coração (de mãe)”

Não é tão fácil ser mãe, também não é difícil. Parece contraditório, concorda? E muitas vezes é, de fato.

Enquanto filha não me recordo de pensar na maternidade como penso hoje, lógico que sempre admirei e respeitei minha mãe, discordei dela quando foi necessário, guardei as boas lembranças da infância e recordo com carinho, especialmente depois que ela se foi. Outro dia mesmo fiz um macarrão caseiro só porque fiquei com vontade de saborear o gosto daqueles pequenos e inesquecíveis momentos!

Acredito que isso aconteça com muitas mulheres antes de se verem grávidas, diante da real possibilidade de ocuparem um lugar que antes era só de suas próprias mães; e nessas horas é que nos vem à mente, com mais clareza, a importância dessa mulher que nos cativou desde o ventre, que nos ajudou em cada fase e esteve conosco nos momentos alegres e nos complicados por diversas vezes.

Amadurecemos através delas, até quando estão ausentes por qualquer motivo. Não podemos dizer: “Sou mãe por mim mesma, não precisei aprender nada com ninguém!”, pois, ao virarmos as páginas do passado descobriremos que uma imagem de mulher, de esposa e de mãe esteve presente, ainda que não tenhamos concordado com ela muitas vezes, que tenhamos desafiado o jeito de se comportar e de se impor diante da vida, afinal, nem todas tiveram as chances e facilidades que hoje temos e que nossas próprias filhas terão futuramente, tão diferentes das nossas. O mundo muda rapidamente em cada geração, temos de compreender que para cada tempo há direitos e deveres que se alteram, as mulheres do passado não são nada parecidas com as mulheres do presente e as de hoje serão menos com as do futuro, exceto por um motivo (e espero que isso não mude nunca com o passar dos anos): o desejo de ser mãe, protegendo, cuidando e amando uma criança que, num belo dia, como bem representa a figura de um pássaro, sairá do ninho e voará alto no seu próprio espaço.

O que deverá sobrar não é um ninho vazio como muitas de nós poderemos nos ressentir saudosamente, mas, lembranças e certezas de que conseguimos dar-lhes “asas fortes e confiantes” para que voem sim e possam voltar vez em quando, não se esquecendo de quem lhes ofereceu o máximo de si e isto não é cobrar amor não, é querer apenas estar perto de quem tanto amamos e amaremos a vida toda! Coração de mãe é assim mesmo e mostrarei, especialmente, para você amigo leitor que chegou até aqui, uma recordação importantíssima para mim que deixei guardada como real significado do “ser mãe” e hoje veio-me como inspiração para o título do post e todo o resto:

Singelo bilhete aos filhos, só encontrado após seu falecimento. Fonte da imagem: arquivo pessoal

Como minha mãe mal cursou o primário, aprendeu a ler e a escrever com sua irmã mais nova, vou transcrever legivelmente suas poucas e profundas palavras para quem, talvez, não tenha compreendido uma ou outra:

Estou escrevendo para agradecer a Deus porque meus filhos não herdarão nada dos meus defeitos. A única coisa que eu quero é que vocês herdem é o meu coração.” (Nair C. de Souza, 1949-2008) 

Lindo, não? Pensar que praticamente três anos antes de seu falecimento ela havia escrito e guardado esse bilhete sem se dar conta de que causaria tanta emoção e, inclusive, suscitaria um texto. Suponho que o tenha feito num de seus momentos de crise depressiva, na solidão do “ninho vazio” e, mesmo assim, tenha apontado sua fé como alicerce de vida, tenha desejado o melhor para seus filhos. Isso é amostra de um coração de mãe e, certamente, você do outro lado da telinha tenha também mais provas de que o verdadeiro coração de mãe comporta sempre os melhores sentimentos.

UM FELIZ DIA DAS MÃES, CHEIO DE MUITOS BEIJOS E ABRAÇOS CARINHOSOS!

terça-feira, 1 de março de 2011

Há dois anos…

…comecei a blogar, contente e timidamente… Surgiu o Viraletras!

…descobri amizades pela blogosfera, troquei visitas e comentários. Participei de blogagens coletivas!

…compreendi que escrever sempre foi meu hobby, presente desde a infância que transformei ao longo do tempo…

…há pouco mais de dois anos perdi minha mãe, entretanto, passei a ressuscitar as boas lembranças que tivemos em família e o blog foi, de início, uma válvula de escape importantíssima…

…minha sobrinhamiga “Cris” engravidou da Gabrielle e me deu a honra de ser a madrinha! Meu marido e eu temos dois afilhados maravilhosos e agora uma menina! A responsabilidade de sermos exemplos para essas crianças é muito grande, porém, a alegria é maior ainda!

Tantas coisas podem acontecer em apenas dois anos, não é mesmo? Pense um pouco na sua vida e relembre o que houve de 2009 pra cá, isso só pra começar! As boas mudanças e as nem tão boas que compõem nossa história, tão pessoal e intransferível!

Acredito que em tudo haja um propósito, especialmente nas horas difíceis, por isso é salutar mantermos a fé intacta Naquele que fez céus, terra, natureza, humanidade… Digo isso porque precisei e preciso sempre dela para dar sentido à vida, não consigo vê-la de outra forma, a ciência por si só não é capaz de dar vazão a todas as perguntas que  fazemos diariamente e mesmo com toda tecnologia, com todo avanço da medicina, ainda temos uma onda crescente de descontentamento ao redor, concorda?

Há dois anos muito aprendi contigo, com ele, com ela, comigo mesma e acima de tudo, mais ainda com o Criador do Universo e com seu Filho, Redentor dos homens. Sei que muito me falta, sou a pedra bruta que está a se lapidar pouco a pouco e, por todas essas razões eu venho dizer o quanto é bom comemorar e compartilhar enquanto há tempo, esse mesmo tempo que passa tão depressa, que é suficiente para alguns, mas pouquíssimo para tantos: 

MUITO OBRIGADA POR AINDA ESTAR NESSA JORNADA!

"Cada momento da vida é uma nova chance de Louvar ao Criador!"

Fonte da imagem: Site Cartooes

sábado, 3 de abril de 2010

Aleluia!

Você já esteve numa dessas apresentações teatrais na época da Páscoa? Se sim, diga se aquele final grandioso em que Cristo aparece ressuscitado após sua crucificação e morte não é digno desse título do post?

Quando criança, por vários anos, meus pais e meus irmãos tínhamos o costume de ir a uma típica e apreciada encenação da nossa cidade, uma multidão enchia aquele campo e o enche ainda hoje, momento de assistir tão belo espetáculo e mais, de nos entregarmos em cada cena, de caminharmos junto dos atores e nos sentirmos parte daquele contexto. Enquanto cristãos, todo esse trabalho não é só espetáculo cultural, é a oportunidade de revivermos os passos de Jesus em seus últimos momentos antes que se concretizasse o que estava escrito (Lc 24, 44-46) e abrirmos olhos e corações para o que há de novo.

Para mim é e sempre será uma das mais fortes lembranças da Páscoa em família. Mesmo após muitos anos temos ido (marido, filho e eu; algumas vezes, meus irmãos e sobrinhos também) a outras apresentações e sempre choro ao final delas, como fazia quando criança. Claro que de lá pra cá ampliei conceitos, porém, os sentimentos permaneceram intactos, sentimentos de que a vida vencerá a morte ao final, não importa quanto sofrimento seja imputado a alguém, desde que tenhamos a firme confiança no Cordeiro de Deus (Jo 1, 29).

Uma feliz e abençoada Páscoa para você!

terça-feira, 16 de março de 2010

Lamento e não lamento

Lamento, caso você não queira ler…

Não lamento caso se arrisque daqui por diante.

A vida é feita dessa dualidade (Eclo 33,15), sabe?

Eu sabia e só venho confirmando mais e melhor de tempos em tempos. E por falar em tempo, faz tempinho que não lamento a perda da mãe aqui no blog, porém, às vezes é saudável lamentar discretamente, veladamente, conscientemente. A mim ajudou bastante e continua a me fortalecer. Não vivo a me lamentar, saiba!

Lamentarei muito se este meu momento se tornar ridículo e duramente lamentável visto sob outros aspectos que não intento suscitar nesse post.

Hoje a mãe completaria 61 anos se estivesse viva, mas, há um ano, quatro meses e dez dias ela nasceu para seus três filhos de um jeito diferente, doloroso ao extremo no começo, talvez como deva ser a nossa própria chegada ao mundo, daí aquele choro, aquele temor do recém-nascido… Coloco-me a pensar: Será que ela chorou ou sorriu? Ou será que está adormecida feito embrião? Mil pensamentos percorrem essa mente que vos escreve e não lamento se as respostas forem mais estranhas que as perguntas, nem se sequer houver respostas…

Lamento que minha mãe não esteja aqui para eu presenteá-la, costumeiramente, com aquela blusinha linda, tamanho P, que ao experimentar ficava sempre grande e eu dizia: mãe, vou comprar suas roupas na seção infanto-juvenil! ou, para não correr o risco, um perfume ou bijuterias  que ela gostava, era vaidosa, apesar da tristeza que muitas vezes se tornou a fragrância e o adorno de seus dias.

Não lamento que tudo tenha acontecido tão rápido, abreviando seu sofrimento com o câncer e contra ele, não lamento porque ainda assim tive tempo de ficar mais próxima, meus irmãos também puderam, mesmo morando um pouco mais distantes de nós. Não lamento que eu tenha acariciado seus cabelos e beijado sua fronte nos momentos de dor; não lamento que tenha ao menos conhecido um tratamento alternativo e que não houve tempo para começá-lo; não lamento que eu tenha chorado e me desesperado enquanto trabalhava, tentando ser profissional ouvindo a lamentação alheia; não lamento que eu tenha ficado alguns poucos dias de licença ajudando a tia, irmã da mãe, se bem que esse anjo caído do céu nem precisou muito, ela sabia bem o que estava fazendo o tempo todo, chamou pra si a responsabilidade de cuidadora e o fez com louvor; não lamento ter ficado junto dos irmãos, da tia e do meu esposo no momento derradeiro.

Lamento sim, por pessoas que não puderam se despedir de seus entes queridos como eu pude, mesmo com meu coração em frangalhos, estive consciente e ciente desde que soubemos que ela enfrentaria seu maior medo e o fez com bravura, devo dizer. Lamento que muitos de nós não consigam nem se lamentar, que escondam sentimentos sob uma grossa casca de orgulho ou seja lá o que for…

Lamento que você também tenha perdido alguém e sinta saudade, só não lamento que outros tenham a dádiva do dia de hoje e possam comemorar, possam, inclusive, se lamentar como eu! Por isso, não lamento minhas lamentações, pois, fizeram-me mais gente.

Como eu gosto de uma boa prosa, provável que tenha “puxado à mãe” nesse quesito, o netinho aí junto dela também, fala feito matraquinha e os dois se davam bem por isso, era um converseiro, ele bagunçando os cabelos da avó, ela ria feito criança com a peraltice… Não lamento momentos assim que ficaram registrados na mente e no coração.

Mãe, esteja na Paz de Nosso Senhor!Imagem: arquivo pessoal (não autorizada a sua reprodução)

E você?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Infância ontem e hoje. E amanhã?

— Você lembra daqueles piões em madeira com os quais nossos avós e pais brincavam? Acabei de ver um numa loja de usados…

— Claro. Hoje eles ganharam luzes, sons, muitas cores e não deixaram de ser piões, mas, nossas crianças estão deixando um pouco a infância de lado…

— Será possível criança deixar de ser criança?

— O pior é que pode e está acontecendo de um jeito estranho e gradativo. Já percebeu como estão amadurecendo mais cedo? Como as meninas já se tornam pequenas moças antes do previsto? E os meninos cada vez mais ligados aos videogames e computadores?

— Não havia pensado nisso. Tem razão! Notei mesmo certas mudanças que no nosso tempo eram desconhecidas ou ignoradas, não sei dizer… Tipo essa coisa de hiperatividade e obesidade infantil, parecem mais atuais, não? A gente brincava muito na rua, não tinha essa preocupação com a violência, esse medo de deixar os filhos em contato com os outros não era constante nos pais. É, está difícil ser criança hoje em dia, é uma pena!

— Também acho. Lembrei de tantas brincadeiras de rua que fazíamos com a molecada, era muito bacana: mãe da rua colorida, três mocinhas da Europa, passa anel, balança caixão, lenço atrás, amarelinha… Quanta coisa!

— Nossa! Nem lembrava disso… E já pensou que se fazia muito com bem pouco? Diferente do que acontece com nossos filhos hoje, tão rodeados de brinquedos eletrônicos e cheios de tecnologia? Uma bola servia para futebol entre os meninos, bola-queimada para quem quisesse, vôlei com aquela corda servindo de rede… hehe! E essa mesma corda, então? Era para brincar um dia inteiro fazendo competição de quem pulasse mais modalidades, depois virava cabo de guerra. Algumas pedrinhas viravam logo “cinco Marias” para as meninas e, entre os meninos, as bolinhas de gude rendiam muitos buracos no asfalto! A ideia era reunir e se divertir, hoje não me parece a mesma coisa, talvez porque tenhamos crescido e esquecido desses momentos… sei lá!

— Mas é isso mesmo que vem acontecendo! Nossos filhos estão cada vez mais presos em casa, daí essa proliferação de brinquedos em que se brinca mais só do que acompanhado, como a Internet e seus atrativos, o realismo nas telas dos videogames, bonecas que (quase) interagem feito outra criança, falando, rindo, contando histórias… Uma loucura, não acha?

— Acho sim. Não é à toa que todos os problemas da infância estão mais evidentes, as crianças estão perdendo a essência com tanta informação, meu Deus!

— Não culpo a modernidade, acho que falta um pouco de jeitinho dos pais e até dos professores em resgatar certas coisas e aproveitar melhor os benefícios da tecnologia em favor desses baixinhos, afinal, nasceram crianças como nós e crescem com o que oferecemos, então, se não estimulamos alguns hábitos e nem despertamos a curiosidade deles para o que já existia, é certo que ficarão com o que mais atrai-los…

— Pois é… Difícil um pião de madeira competir com um outro cheio de luzes, sons e cores.

— Cheguei ao meu ponto e é o último dia que pego esse ônibus, vamos continuar essa conversa depois em outro lugar, tá bem? Tchauzinho!

— Tudo bem. Tchau! A gente se fala!

"Tempos de criança" Imagem Stock Photo

Este texto encerra minha participação no “Vou de coletivo” e o tema de novembro foi “Brinquedos – dos mais antigos aos mais recentes”. Aproveito para parafrasear o tema em questão com a despedida do projeto: todos crescemos e é preciso se despedir da infância em algum momento, dessa que contém brinquedos e brincadeiras diárias, entretanto, não é preciso perder a alegria ao fazer essa transição. Apenas mudamos. Se forem positivos, a essência e o aprendizado que decorrem do crescimento devem permanecer.

Como toda viagem, essa chegou ao fim e o projeto ficou com os bons frutos colhidos até aqui.

Transcrevo abaixo o esclarecimento de seu idealizador aos que, assim como eu, viajaram juntos dele. Até mais!

Parada obrigatória

Posted: 21 Nov 2009 03:55 PM PST

Muito obrigado a todos que embarcaram nas viagens que o coletivo fez. Foram momentos de muita criatividade, alegria e, sobretudo, momentos de nascimentos de novas amizades.

Infelizmente, meus compromissos profissionais estão tomando muito tempo e impedindo que eu me dedique mais a este blog, que visite mais os blogs participantes e que detalhe melhor as propostas de blogagens.

Assim, preferi interromper essa iniciativa a ter que continuá-la sem qualidade.

Deixo um grande abraço a todos que dedicaram tempo e carinho ao participarem das blogagens.

Muito, muito obrigado mesmo.

Murilo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Who Wants To Live Forever?

Em março, quando estreei este humilde blog não sabia exatamente até que ponto chegaria (ainda não sei!), desde então venho (a conta-gotas) desenvolvendo, aprendendo, partilhando o que posso e satisfaço-me com cada conquista. Não almejo aumentar dígitos, embora a curiosidade os procure aqui e ali e sejam, de certo modo, consequência dessa inter-relação na blogosfera, isso não é o que me motivou inicialmente e, agora, mantenho o propósito de, simplesmente, continuar a

CRESCER

Parece algo tão banal e tão simplório, não acha? Alguns  podem dizer que isso é balela porque bem lá no fundo todos querem um lugar ao sol com direito à sala VIP, então, por que alguém se alegraria em ser apenas mais um? Eu direi…

A razão do post de hoje é, novamente, em homenagem a minha mãe. Lá se vai um ano do seu falecimento e parece que foi ontem! Mencionei-a aqui e acolá, não gostaria que o assunto se tornasse chato e recorrente, contudo, é inevitável que recorde datas e fatos tão marcantes para mim e, sobretudo, das lições que  me fizeram uma pessoa diferente (não radical nem completa!), porém, um tanto quanto destemida em relação à morte. Presenciar os últimos dias da mãe e percebê-la “abraçando o próprio fim” nessa esfera terrestre foi, inexoravelmente, doloroso e revelador. Quando meu esposo perdeu o pai há mais de 11 anos eu passei a me perguntar: quem perderá quem a seguir? A vida seguirá a linha aparentemente óbvia dos “mais velhos primeiro” ou nos surpreenderá?

De certa forma ela seguiu o curso mais ou menos esperado “os pais antes dos filhos”, não necessariamente na ordem dos mais vividos ou de idade avançada. 

Por alguns instantes custo a crer na efemeridade, mas, o fato é que não está entre nós como a conhecemos no passado, salvo as lembranças, tanto as boas quanto as ruins pululam em *nossas mentes e corações. De início sonhei com ela umas três vezes, tentei decifrar o que significava: seriam recados ou somente resquícios da memória  transitando entre o que foi e o que é? Como ter certeza?

A depender da doutrina que se segue e se acredita há respostas que acalentam e dão o impulso necessário para continuarmos a caminhada, para continuarmos a crescer, não importando que idade teremos ao findar. Um cunhado costuma dizer em nossas rodas de conversa: Quem quer morrer? Ninguém, claro. Concordo (também quero ficar velhinha e cheia de netos, bisnetos… quem sabe?) e mesmo os que procuram a morte prematura o fazem à revelia, entretanto, tanto uns quanto outros estão fadados a fechar ciclos nesta vida (nascer, balbuciar, engatinhar, andar, estudar, trabalhar,etc.,etc.,etc.) e a morte encerra todos eles. Tenho a dizer que minha mãe fechou muitos ciclos por aqui, se do jeito certo ou errado, não cabe o julgamento, alegro-me que ela tenha visto os filhos se casando e lhe dando netos e netas, que tenha deixado bons exemplos como mãe, superando alguns equivocados ou incorretos, afinal, antes que ela fosse mãe ou qualquer outra coisa, era um ser humano em busca de sonhos e ideais.

"A Luz que traz Vida convida-nos a CRESCER diariamente!"Imagem Stock Photo

E, ao contrário das muitas lágrimas que permearam meus textos há uns meses, confesso que algumas ainda permeiam - e isso só mostra o quanto não sou indiferente ao que vivo; hoje tenho a firmeza de aceitar e conviver com essa perda, em particular, pois, compreendi que mesmo ela é passageira, que os contornos da vida podem ser alterados de modo que sejamos gratos e felizes pelo que somos e temos e também pelo que fomos e tivemos, compreende?

Ofereço este vídeo aos que chegaram até aqui, com a canção que inspirou, em partes, o post de hoje. Agradeço a cada pessoa que se manteve próxima, fosse com uma palavra amiga ou mesmo em pensamento, numa oração. *Em especial, ao meu esposo, irmão e cunhada que estiveram e estão sempre presentes em momentos importantes na travessia do luto à luta!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

REFLEXÃO – Viraletras ou Vira-letras?

Lembro-me do 1º de março quando esse blog que vos fala nasceu. Sim, “ele fala”! Tem vida própria, mesmo que se tente levá-lo em rédeas curtas como notei ao longo desses poucos meses. Isso não é ruim, é quase natural; “quase” porque é sabido que o blog tem alguém que o escreve, que o pensa, que o movimenta, que o controla até algum ponto e que, por sua vez, é um ser em transição. Falando em transição, também a língua materna sofre, eventualmente, ao longo do tempo a sua própria e o título do post hoje não é apenas uma dúvida (para mim nem tanto…o baby é meu e nome é nome. Se eu quisesse chamá-lo INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE DA SILVA? Tudo bem, sei que o bom senso precisa soprar aos ouvidos dos pais na hora em que se toma tal decisão, afinal, o bambino vai carregá-lo para o resto da vida e as pessoas parariam sempre no começo com a seguinte pergunta: INCONST… o quê??? Seria muito chato para o pequeno ter que explicar e repetir a mesma coisa ao longo dos anos, ao final, excomungaria a família. Não é isso que se deseja ao escolher um nome para quem se ama, concorda?), o título de hoje, por conseguinte, é uma homenagem “reflexiva”, pois é, essa é uma das particularidades desse blog à qual me propus desde o início: refletir toda sexta-feira, além de informar, compartilhar, divagar, desabafar, fazer rir e até chorar (de raiva? Espero que não…rs) em qualquer outro dia da semana, enfim, nos últimos tempos ando assoberbada, tenho postado semanalmente com frequência somente as reflexões das sextas-feiras.

Esse “bichinho virtual”, “diário ou periódico eletrônico”, “terapEUta pessoal ou grupal”, como queira descrever dadas as exigências particulares e cuidados que requer, ao ler e participar da blogosfera você percebe que existe a sua ideia inicial e existem ideias de tantos outros blogueiros que por aqui “circulam” (não à toa o termo “blogosfera” e, não à toa, o nome de cada um desses blogs terem uma real importância e um significado próprios).

O Viraletras foi concebido, de fato, da necessidade de explorar o que há nesta curiosa e pseudoafastada estudante das Letras e quem já circula (para não perder o ritmo da esfera…) por aqui, sabe também, que além da sobrinhamiga ter incentivado e apoiado bastante a “tia que gosta de escrever” (dos enormes e-mails que trocamos e através dos quais nos tornamos mais que tia e sobrinha somente…), outro fator decisivo e impulsionador foi não permitir que ficassem estanques sentimentos desde a morte de minha mãe em novembro passado, era preciso extravasá-los ou me sufocariam ainda mais.

E, voltando ao parto desse pequeno…

A Cris veio até minha casa junto do marido, o Adriano, que também teve participação especial no nome do blog. Ela, amadurecida na prática de blogar, foi logo compondo a base e, feito uma inseminação artificial, indagava como eu gostaria que a “cria” tivesse suas feições (olhos azuis ou castanhos, cabelos lisos ou cacheados, etc., etc., etc. rs). A parte que lhe coube foi feita. E eis que veio a pergunta que suscitou a reflexão de hoje: qual é o nome da criança? Meses antes, em nossos e-mails já havíamos combinado algumas coisas, inclusive, dar à luz ao pequeno em breve, pois, há muito eu tinha me tornado assídua leitora do Cristiane Marino e, de certo modo, ingressei na blogosfera através dele. Mas, uma coisa é ler um blog, outra bem diferente é manter, o que implica, em algum momento ou em vários, “revelar-se”. Não sei se é possível ou mesmo interessante ficar totalmente anônimo nesse meio, sua escrita também é reveladora, uma extensão de si, e, afinal, há inúmeros recursos que localizam, apontam, identificam você, aliás, tenho feito uso de alguns na aprendizagem com blogueiros mais experientes no intuito de melhorar essa relação. Sou bastante arredia em alguns aspectos, demoro para devotar confiança e não gosto de me expor tanto, o blog precisava de um nome que não fosse o meu próprio, pensei alguns que desceram por água abaixo e já tinham domínio. Nessas horas a criatividade (ou falta dela porque outros já tinham escolhido certos nomes…rs) precisa gritar e a colaboração do esposo e dos sobrinhos foi válida, começamos um brainstorming e, de uma última cartada entre três possíveis nomes, eu escolhi e remodelei o possível “vila letras” ou “vila das letras” que o Adriano sugerira. Foi engraçado e houve até votação. Sei que Viraletras nascera em época de reforma ortográfica e, com hífen ou sem hífen, eis a questão!

Após pensar e repensar, a lógica da gramática induzia para o Vira-letras, num relâmpago todos os conhecimentos do curso vieram à tona e, mais do que nome próprio, do que desafiar e se opor simplesmente, inovar e discutir o assunto de Virar ou não virar, um apelo maior se fez pelo significado do termo: vira…letras! O fato das Letras virarem meu mundo desde que as conheci determinou o que eu pretendia com o blog. Não por acaso, há tempos eu vivencio e “viro” um pouco do que as letras me ensinam. Talvez o blog pudesse até chamar-se Viroletras, não? Claro, ele transforma este ser real no ser virtual, consegue transportar minhas ideias e sentimentos e trazê-los de volta em forma de aprendizagem, da troca constante entre os blogamigos e até de alguns blogvisitantes. O espaço comporta muitas e muitas letras, de maneira ilimitada. Blogues de todos os tipos surgem e se conectam por identificação com alguma filosofia de vida, de trabalho ou seja lá o que for.

Esse pequeno está engatinhando, mas, desde que o batizei, creio que tem feito seu papel e representado um pouco da sua progenitora, pois, já dizia o velho e sábio ditado: quem sai aos seus não degenera!

Bom final de semana para você, com muitas letrinhas!

sopa_de_letrasFonte da imagem: Google

domingo, 2 de agosto de 2009

Inusitado para uns, comum para outros!



Querido,

nossos encontros começaram há 5 meses apenas e, como muitas histórias de amor, no início são repletas de novidades, aquela sensação de alegria e fascínio parece que não terminará nunca, lembra? Não me interprete mal, não estou a dizer que ficaste menos atraente.

Tantas cartas já escrevi para ti, nem todas tão românticas, algumas foram desabafos de meus problemas pessoais, do trabalho… outras pareceram brincadeiras mensais, escrevia algo inusitado para mexer com suas emoções e com seu raciocínio. Que bom parceiro és ao compartilhar meus escritos, pois, muitos não têm essa compreensão e essa paciência para ler-me, por isso digo sempre que és especial!

És de poucas palavras e eu de muitas, não consigo evitar, aliás, de maio para cá, por conta de uma rouquidão contínua descobri que estou com dois pequenos nódulos nas cordas vocais (vulgarmente chamados de “calos”) e necessitarei fonoterapia, já tive outras rouquidões derivadas de minha rinite alérgica, essa, apesar de perdurar, creio não ser nada grave ou preocupante, ao menos o otorrino disse que a fono resolverá o problema, além de falar somente o necessário no trabalho e tomar mais líquido. Você já deveria imaginar a julgar pelo tamanho das cartas que escrevo, não é? Ria dessa tagarela incorrigível! A culpa chega a ser tua porque tens me dado tantas oportunidades para escrever (e trocar ideias!). Só não faço mais devido à escassez de tempo.

Ultimamente tens ouvido pouco minha voz porque só temos nos encontrado às sextas-feiras. Em nossos encontros que começaram mais frequentes e agora semanalmente apenas, tenho sentido falta do que era, contudo, mudanças são necessárias, fazem parte da vida. Sextas-feiras estão enfadonhas, devo concordar, mas, se não fossem por elas, perderíamos o contato de vez, quem sabe consigamos mudar o dia da semana, desde que não deixemos de nos ver, o que acha? Talvez mais de uma dia apenas, seria ótimo, não? Eu adoraria! Não posso prometer isso ainda, só posso dizer que está difícil dividir esse amor com os outros que já tinha quando nos encontramos. Das obrigações diárias nem falo, são tediosas por demais.

Nunca escondi nada de ti, nem deles. Arrisquei uma espécie de “livro aberto”, salvo algumas devidas proporções, evidentemente. Houve ciúmes e alguns atritos nesse “triângulo amoroso” – meu marido e filho disputaram-me contigo, é bem verdade! Também deixaram-me à vontade muitas vezes porque sabem o quanto o amo e o quanto tens-me feito bem, chegando a ser (quase) meu terapeuta!

Sinto que extrapolo deveras em dados momentos, em outros torno-me mais comedida. Repito: a culpa é tua! Por que me deixa tão livre? Por que não tens um sinal de alerta que diga “Jô, basta!”? Sei que já mostraste: és assim e é isso que tanto me atraiu em ti, se existe erro, ele é apenas meu. Você tem feito sua parte com a qual se comprometeu desde o princípio, deu-me o básico e ficou a meu bel-prazer desde então, inclusive, deixou-me livre também para as novidades que eu pudesse descobrir aqui e ali. Foi o que fiz. Muitas delas me agradaram e só posso agradecer aos que me incentivaram apreciá-las.

Lembras de quem nos apresentou? Sim, a Cris. Essa menina faz parte de nossa história, ela foi nosso “cupido”, ela nos aproximou porque sabia o quanto nos entenderíamos, o quanto tínhamos em comum: as palavras. Por isso és especial para mim! Um amor que só quem vive ou viveu é capaz de compreender, não é?

Esta é mais uma das muitas cartas de amor que pretendo escrever-te, mostrando o quanto aprendo contigo e com os que apóiam esse romance.

Carinhosamente,

Imagem: Obra de Fernand Toussaint “The love letter

Esse é o primeiro post do recente projeto "Vou de Coletivo!" do Murilo Hildebrand de Abreu.

sábado, 18 de abril de 2009

Blogagem Coletiva - Quem foi seu Monteiro Lobato?

Memórias de uma leitora

Prefácio
Falar sobre o 18 de Abril, Dia Nacional do Livro Infantil e de seu representante maior Monteiro Lobato não é tarefa fácil, todavia, muito gratificante porque o prazer de brincar com as palavras e recontar coisas passadas não se mensura, um misto da literatura na vida e da vida na literatura. Incomparável, sua obra infantil deixou marcas em minha geração, deixará também para as subsequentes posto que é imortal.

Capítulo 1 – em casa: o pontapé inicial da literatura
Meu pai, que fora criado com o mínimo de estudo, na base da enxada, em nossa infância, contava a mim, ao meu irmão e minha irmã, basicamente duas histórias: João e Maria, em que a parte mais interessante era a tensão de saber se a bruxa descobriria a mentira das crianças na tentativa de se livrarem dela e, Ali Babá e os 40 ladrões, desta que ficou marcada a célebre frase “abre-te Sésamo!”, funcionava como mágica num mundo distante e diferente do nosso cotidiano. Coitado de meu pai! O seu repertório era composto apenas por estas e sempre pedíamos para que ele as repetisse, mil vezes que fosse!
Capítulo 2 – o primário: caminho das letras
Aos sete anos e meio iniciei a primeira série. Aprendi o alfabeto no velho método da abelhinha, quem se lembra? Em cada letra uma história, um som, uma grafia. As dificuldades eram substituídas por muitas repetições com a introdução de fichas no alfabeto silábico.
Já no ano seguinte, descobri a escrita de outra forma: produzindo redações: temas livres ou direcionados, não importava, eu queria muito inventar situações e pessoas, tanto que a professora chegou a pedir certa vez que eu preenchesse um pouco menos que cinco ou seis páginas dos pequenos cadernos de brochura, afinal, aquilo não era para ser um livro!
Na terceira série fui premiada com um coelhinho “Quick”, por ter escrito a melhor história numa competição entre os colegas da turma. Esse “troféu” dormiu, passeou e ficou ao meu lado por muito tempo.
Por essa época estava a frequentar a biblioteca, por ser um colégio novo não tinha muitos livros, contudo, dentre os que li, apenas uma coleção, em especial, passou a fazer parte das minhas várias idas e vindas naquele lugar:
Anita, escritos por Marcel Marlier e Gilbert Delahaye. Como toda criança, buscava algo que chamasse a atenção pelos sentidos: os olhos viram as capas duras e as lindas ilustrações. O cheiro do livro levava-me a viajar junto com a protagonista nas diferentes histórias. Folheá-los era a certeza de encontrar um pouco mais de aventura, podia, inclusive, ouvir as vozes, os sons...
Posso dizer que foi o marco zero de minhas leituras e elegê-la como alusiva ao meu Monteiro Lobato remonta a estas memórias, concomitantemente, Lobato apareceu-me de outro modo: pela televisão através dos muitos episódios exibidos no programa Sítio do Pica-pau Amarelo. Era um vício assisti-los todas as tardes, certa vez cheguei a sonhar com o Minotauro tentando me encurralar num labirinto, foi muito pior que sonhar com a Cuca! Meu personagem favorito era o Visconde de Sabugosa, tão culto e cheio de explicações inteligentes, fazia um ótimo par com a Emília nas suas intermináveis filosofias e ideias.
Na 4ª série tomei “ares de professorinha”, pois a “tia” cultivava o hábito de seus alunos serem auxiliares em classe: escrever na lousa, confeccionar cartazes, ajudar os colegas com dificuldades, etc. Coloquei na cabeça que seria professora no futuro.
Capítulo 3 – o ginasial: tomada de decisões
Da 5ª a 8ª séries a coleção Vaga-Lume, que acredito ter sido uma coqueluche entre professores e alunos da época, foi outra que apreciei muito, tendo lido vários, dentre eles alguns como: O Mistério do Cinco Estrelas; Sozinha no Mundo; A Ilha Perdida; Açúcar Amargo; Aventuras de Xisto; Deus me Livre!; O Caso da Borboleta Atíria; Os Barcos de Papel ; Xisto e o Pássaro Cósmico; Xisto no Espaço; etc.
Nesta fase, o estudo da Língua Portuguesa, além de Inglês e Estudos Sociais eram as disciplinas que mais me agradavam.
A partir da 7ª série comecei a trabalhar. O mundo foi ficando mais complexo, difícil e, ainda assim, com muito esforço conseguia manter meus estudos de modo saudável, não tanto quanto antes que só me dedicava a eles, porém, jamais deixei de ser uma boa aluna, uma boa leitora.

Capítulo 4: 2º grau profissionalizante – o Magistério
Meu sonho de ser professora teve seu início, meio e fim, infelizmente, o fim foi FIM mesmo. Cursei-o com dificuldades por trabalhar no comércio, contudo, jamais o releguei ao segundo plano: dormia tarde, sacrificava feriados e finais de semana, férias nem as tive para cumprir meus estágios. Já formada, travei batalha com o sonho perante a realidade, esta última foi dura e deixou que o primeiro sucumbisse diante dos obstáculos. Boa teoria e vontade não bastaram para seguir adiante, eram necessárias “provas de títulos” ou salários ínfimos, ambos não me eram possíveis naquele momento. Fazia parte de uma família, almejava construir a minha também e era preciso algo concreto. O sonho acabou por ora.
Capítulo 5: curso superior – Letras: orgulho de ser
Pedagogia ainda foi uma ideia que alimentei por um tempo, logo trocada pelo curso de Letras, sugerido por meu marido (namorado ainda na época). Jamais houve arrependimento, creio que foi a melhor coisa que fiz depois do magistério. Ambos corroboraram para tornar-me alguém muito melhor. Cheguei a lecionar inglês em escola particular para crianças, provei que era capaz, fui feliz, entretanto, a vida faz das suas, precisei tomar novo rumo, priorizar pessoas e coisas. Comecei a trabalhar na área da saúde com a burocracia onde continuo até hoje.

Considerações finais
Síntese é algo que tenho trabalhado ao longo da escrita e ao longo da vida, porém, bem sabemos que é quase impossível reduzir tantas histórias e tantas memórias em poucas palavras. Tentei ao máximo e peço sinceras desculpas se meu caro amigo leitor ficou enfadado, a intenção não era essa, de modo algum. A intenção maior foi suscitar algo, por mínimo e simples que fosse, de Monteiro Lobato em suas muitas e muitas criações. Minhas memórias podem não ter o glamour das aventuras de seus mais famosos personagens, porém, como foi proposto pela blogagem coletiva do
Fio de Ariadne, apoiada por Jorge Zahar Editor, apontei pessoas, fatos e autores que trilharam comigo esta trajetória no mundo da leitura. Assim se fez. Assim se faz. Era uma vez. Nada mais.
Fonte de imagens coleção Anita: site Editora Verbo
Fonte das demais imagens: Google

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Povo Santo e Pecador!

Normalmente as pessoas chegam esgotadas do trabalho. Hoje cheguei muito mais que o normal, com a cabeça em chamas, com o coração melancólico...mil pensamentos convergindo para um único ponto que não comportava uma vírgula sequer. Trechos da música "Zé Ninguém" do Biquíni Cavadão ecoavam em meus pensamentos: "Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes..."

Estresse total...desgaste...frustração...tristeza e indignação com o "bicho homem", pois é, o termo bicho vem bem a calhar com o que estou sentindo. Sei o quanto meu trabalho é estressante e o quanto é desmerecido, contudo, nem por isso desisto dele e você que lê este texto agora pode se enquadrar na lista daqueles que, como eu, também fazem parte das profissões mais estressantes e desvalorizadas do planeta, por isso não me queixo tanto, já tive outros empregos e sei que sempre haverá obstáculos onde quer que estejamos, afinal, o "bicho homem" é o mesmo em todo lugar ou não?

E, além do estresse rotineiro a que somos submetidos, alguns fazem questão de tornar a vida mais complicada, ora descambando contigo no melhor dos barracos, ora fazendo ameaças psicológicas num tom velado, numa classe de dar inveja a qualquer lorde inglês, isso tudo no intuito de realizarem seus desejos tais quais imaginavam. Onde entro nesta história? Ah! Sim...sou a personificação de uma minúscula parte da megaengrenagem brasileira chamada
BUR(R)OCRACIA! Aquela sem boa vontade que só quer dificultar a vida dos que precisam...

Sinto-me consternada com os problemas alheios e faço das tripas coração para resolver da melhor forma dentro das regras que me são impostas e, antes que alguém diga: não concordo com o famoso "jeitinho" para solucionar tudo, pois, embora não pareça, é através do jeitinho que a corrupção começa. Pensamos em corrupção quanto a grandes desfalques, porém, pequenas ações ilícitas funcionam para manter e proliferar, sorrateiramente, atitudes maiores.

Claro que reconheço aqueles que agradecem, aliás, bem poucos, tanto que quando alguém é cortês de verdade chego a ficar sem palavras...nessas horas acredito novamente na humanidade, nesse "povo santo" que está em busca de algo maior.

O título é frase do Padre Lauri que, com seu sorriso faceiro e suas passadas largas do altar até os fundos da capela nas celebrações, olhos nos olhos dos fiéis, sempre ressaltava esta dubiedade humana: santidade e pecado. Através dessa frase eu reconhecia em mim os defeitos que levariam ao inferno e as virtudes que levariam ao céu. Logicamente estou a resumir conceitos teológicos minuciosa e exaustivamente esclarecidos nas muitas e muitas homilias do amigo e conselheiro referido.
Fonte de imagem: Google

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mãe, esse é especialmente para você!

Mãe, quanta saudade!

Se estivesses conosco... hoje comemoraríamos seis décadas da sua existência, te tornarias uma sexagenária! Embora você não quisesse admitir que ainda eras jovem, sim, eras! Digo porque vejo mães de amigas, de outras tantas pessoas já com seus 65, 70, 75 e até 80! As invejo por um breve instante nesse pensamento e, nem tanto, pois bem sei que cada qual tem seu tempo, uns mais, outros menos. Completaram-se quatro meses no último dia 06 que partiste deste mundo, que foste embora desse plano, que consumaste tua dor, teu sofrimento e, deixaste um pouco de si para trás. Deixaste três filhos e cinco netos, teu legado.

E ao invés de festa de aniversário, com bolo e guaraná, algo que já nos parece tão banal quando vivenciamos tal evento ano após ano, temos hoje uma festa às avessas, do tipo introspectiva, do tipo telepática, sem abraços, sem beijinhos, sem presentes.

É uma saudade corrosiva, que tem função primeira nos mostrar quão humanos, quão efêmeros somos, hoje aqui, amanhã...

Sabedoria é o que supliquei desde o turbilhão que levou de vez teu sossego, é o que continuo a pedir a Deus para derramar estas lágrimas com dignidade... não me penalizo com isso, só transbordo um sentimento que mais parece uma goteira contínua em dia de chuva grossa, batendo sobre nossos corações, feito aquele dia em que a velamos, em que presenciamos seu último suspiro.

Não estou triste pelo inevitável da vida, não choro porque nos deixaste, todos deixaremos alguém e seremos deixados, é assim que as coisas seguem seu curso natural, não é? Sei também que há algo além do horizonte, lá longe, onde a vista não alcança nem com o melhor binóculo já produzido pelo homem...

Essa tristeza é um pouco daquilo que ouvi e presenciei da sua existência, tão árdua desde a infância: criada na lavoura, sob o sol quente, abandonada pela própria mãe, à mercê de um pai durão com quatro filhos à tira-colo, te tornaste mãe de seus irmãos antes mesmo que pudesses saber quem eras e à que vinhas, foste doméstica na juventude, encontraste o amor, enfim? Talvez...contudo, a desordem do primeiro e imaturo casamento de um jovem taxista a fizeram refém de um conturbado relacionamento, que perdurou por vinte e dois anos, do qual, cá estou a falar do alto de minha primogenitura.

E hoje, mais do que ontem, tenho o que comemorar, embora sob o aparente inconformismo, dessa tua trajetória: sou filha de alguém que, apesar das tristezas contidas nestas breves linhas narrando quase uma vida toda, soube aproveitar as entrelinhas dos teus exemplos!
Em resposta ao que perguntou, sentada conosco à mesa, quando havia uma tênue linha entre a vida e a morte naqueles seus olhos, já sem brilho, já entregues ao que viria por fim: o que estou a fazer neste mundo? Só pude dizer: mãe, não cabe à mim responder se vives por nós, por seus netos ou por outra coisa qualquer, descubra dentro de você mesma...cada um de nós precisa encontrar essa resposta dentro de si.
Lembras do que te disse: mãe, eu e meus irmãos, te amamos! Cada qual à sua maneira...assim, como cada um de nós tem aprendido a conviver com esse sentimento novo...saudade!
Nair C. de Souza: In memoriam

terça-feira, 3 de março de 2009

Vã preocupação

Senti um medo imenso de que tua ausência
se tornasse presente constante...

de início esperei,
a falta de notícia preenchia o desespero

o medo transformou-se em raiva
e até lembrei da reação de minha mãe:
passada uma semana da cirurgia
em que seu pneumologista, um tanto reticente
deu-lhe o diagnóstico de melanoma metastático
ela também teve medo e,

naquele dia uma explosão de fúria,
mais tarde nos confessou
era o medo das perdas...
perder a capacidade de sentir alguma alegria e motivação
perder o apetite e ainda sentir náuseas após comer

(das poucas coisas que ainda fazia com prazer até então)
de não se manter mais em pé, dignamente;
medo das dores, perda da vaidade...
perda da capacidade de falar e de se movimentar...
o câncer tomou seu corpo e sua mente
tomou nossa paz!
Fizemos o que era humanamente possível
Muitas orações, consultas, exames, medicamentos...
Por 70 dias se tornaram a sua rotina

E o medo da quimioterapia, da queda dos cabelos,
Nem houve tempo para tanto
E o medo da solidão e da ausência aumentou nela
e, em nós também...
Mesmo com todas as visitas
Pena! Embora não fosse intenção,
só reforçavam o amargor da inevitável despedida
com um aperto no peito, um nó na garganta
E com os olhos marejados
voltei a ti meus pensamentos, meu amor,
e ao nosso filho, ainda criança, que tanto de nós precisa
na sua infância tão ingênua
vã preocupação...
chegaste, enfim! Oh! Lembrei, de fato, tinhas avisado
em lugar do medo, senti uma gratidão reconfortante
em tê-lo por perto, ainda que efemeramente
e rogo a Deus que permita
envelhecer a todos nós na plenitude
que o sentimento de perda não nos persiga
nem a mim, nem a ti, nem a ele
não nos consuma, não nos mate em vida
porque descobri que,
mesmo para a morte, existe remédio...



Texto de
Fonte de imagens: Google