quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Selos, Memes e…

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É isso mesmo que você entendeu. Darei uma PAUSA no blog, nada grave, só estamos (meu marido e eu) em férias do trabalho. Parece até um paradoxo, logo agora que tenho mais horas vagas, e embora eu não goste muito da frase “preciso dar um tempo…”, é o que farei para pôr em dia outras tantas coisinhas que vão ficando paradas e sem organização. Viajar? Quem sabe… quando marido e filho não estiverem estudando, contudo, há muitas formas de aproveitar o tempo livre em casa, aliás, na correria muitas vezes ficamos mais fora do que dentro dela.

Só não postarei, por enquanto, e para encerrar, nada melhor que presentear os amigos, concorda? Há controvérsias, alguns acham que selinhos e memes tratam-se do famoso “presente de grego” (rs), porém, eu não considero assim. Gosto e AGRADEÇO CARINHOSAMENTE AOS QUE SE LEMBRAM DE MIM! E desta vez, novamente, deixo em aberto a quem queira ou não levar os selos e memes. NO PROBLEMS, PEOPLE!

Compartilharei algumas lembranças que recebi durante os últimos meses e há muito esperavam um momento especial para saírem da caixa, estavam ali embrulhadinhas, com laços de fitas coloridas só para você!

Adiante! O caminho é um pouco longo. Persevere, pois, há boas coisas por ele!

MEME DA ESTER (do blog Esterança, foi uma das primeiras a me acompanhar, a recíproca era verdadeira e, atualmente, está afastada da blogosfera. Espero que volte porque suas palavras tinham profundidade e doçura).

1. A última pessoa com quem falou hoje: com meu baixinho

2. A última coisa que falou: filho, fecha os olhinhos (e a boquinha!) pra dormir!

3. O último pensamento: obrigada, Senhor!

4. A última pessoa com quem brigou: uma colega do trabalho, na verdade nem foi briga, só ficamos um tempinho “emburradas”(rs)

5. A última pessoa com quem se reconciliou: um amigo com quem ficamos (meu marido e eu) sem contato por quatro anos

6. A última pessoa que falou de Deus pra você: um amigo Padre, na ocasião de meu aniversário pelo Orkut

7. O último lugar que você gostaria de estar: num hospital

8. O último filme a que assistiu: Prova de fogo

9. O último livro que leu ou que está lendo: O poder da criança que ora – Stormie Omartian (esperava mais dele…rs)

10. O último presente que ganhou: buquê de rosas e uma corrente com um pingente de menininho por causa de meu aniversário (31/07)

11. A última coisa que gostaria de estar fazendo: trabalhando por ter as férias cortadas por causa de calamidade pública (gripe A H1N1)

12. O último telefonema feito ou atendido no seu celular ou telefone: com meu marido.

13. O último conselho que deu e pra quem deu: para uma sobrinha cuidar da alimentação.

14. A última vez que chorou e por quê: 07/09 escrevendo uma carta para uma tia sobre os dez meses de falecimento da mãe entre outras coisas.

15. O que faria hoje se fosse seu último dia de vida: dificílimo saber (pra não dizer impossível) mas, estando no campo hipotético: escrever algo sobre quem fui e/ou quem tentei ser, enviar aos amigos e parentes distantes – sempre acho que aquilo que gostamos de fazer marcam mais depois que partimos. Abraçar e beijar muito meu filho e marido, dizendo o quanto são importantes para mim.


esse blog mexe com meus sentidosRecebi do blog Abrazar la Vida. Obrigada, Marcelo! Adorei!

Regulamento:
1) Indicar os 10 blogs que mexem com seus sentidos:


2) Dizer 5 coisas que mexem com seus sentidos nesse momento: (como nesse momento estou em férias, algumas são coisas peculiares e outras nem tanto)

  • Escrever algo que não sai da cabeça e exige sair dela de algum jeito, forçando-me a acordar cedo mesmo sabendo que estou de férias (rs)
  • Paparicar mais o filhote e levá-lo pessoalmente à escola
  • Passear com o marido e o filho sem pressa de voltar “porque amanhã trabalhamos...” kkkk! Ótimo motivo para curtir as férias, né?
  • Organizar e mudar algumas coisas de lugar em casa (há quem diga que pessoas que precisam manter-se organizadas por fora é porque são desorganizadas por dentro, coisas de psicólogo ou psicanalista, não entendo disso, que seja! Sinto falta desse hábito, não que eu viva extremamente e minuciosamente organizada, acho que passo longe (rs), mas, procuro fazê-lo sempre que possível e, se eu preciso da organização interna pra ser feliz, o marido também compartilha desse pensamento, então, somos dois!)
  • Curtir o filhote cantando e dançando (literalmente, se exibindo pra gente! rs); se escondendo atrás da porta do banheiro na hora de escovar os dentes e dizer “só saio se você me achar, mamãe!”; chamando toda hora pra assistir um desenho com ele (e de quebra, pedindo um lanchinho pra acompanhar...esperto, né?rs);

3) Linkar quem te deu o selo e exibir no blog.

Outros dois selinhos indicados pelo Marcelo do Abrazar la Vida foram:

7 Eliane_thumb[1]

dá-me energia


Embora não hajam regras, os compartilharei com:


selo_esse_blog_me_faz_sorrir_thumb[1]Esse foi outro presente do Abrazar la Vida – blog do Marcelo e também do Ponderantes – blog do Valdeir. Estes meninos são dois grandes blogueiros e é com grande alegria que eu agradeço a indicação e a estima!

Regras:
Listar 7 coisas que te fazem sorrir e depois indicar 7 blogs para levar o selo:

Ouvir um singelo e sincero “obrigado (a)”, contrariando a constância no meu trabalho de só ouvir reclamação na maioria das vezes;

Ouvir meu baixinho que é muito carinhoso me chantageando, contrariado e bravo, usando as seguintes frases: “eu não mais te amo” e “não vou mais cuidar de você...” (claro que não rio na frente dele! (rs) Tudo muito bem conversado);

Ler posts inteligentes, bem-humorados e com bom conteúdo de quem leva a sério blogar;

Ler e responder os e-mails da Cris;

Ler um bom livro;

Assistir a um bom filme;

Ouvir uma boa música.

Meus 7 blogs indicados:

Não acabou não…calma aí!


Também do blog Ponderantes recebi mais este. Obrigada, Valdeir!

Selo blog maneiro

Quero presentear os seguintes blogs:


Outros três selinhos, não menos importantes, claro, foram da Cris, do blog Cristiane Marino. Pode até parecer “rasgação de seda”, contudo, cultivamos uma boa relação antes mesmo de nossos blogs aparecerem na blogosfera, não é mesmo, Cris? Obrigada, sobrinhamiga!(rs)

Indico para os seguintes blogs e para as respectivas blogueiras:

blog apaixonante

mulheres bem resolvidas

selo4


A Michelle do blog Carrossel da Aprendizagem fez um lindo selinho e faz bastante tempo que prometi postá-lo. Demorou, mas, aí está! Michelle, agradeço seu carinho! Também quero compartilhá-lo com alguns amigos:

blog encantado



Outro selo muito bacana dado pelo Diego do blog Soluço Mental foi este:

conectou_elaine_thumb6Diego, muito obrigada! Sinto-me à vontade de oferecê-lo especialmente para um blog que trata de um assunto que deve (ou deveria) interessar a muitos de nós na blogosfera: Conversa de Português.


Mais um, mais um…(rs). Adoro!

Este veio da Ivany - blog Compondo o Olhar… e do Valdemir – blog Valdemir ReisSELO AMIZADE VALDEMIREIS OKOKAos dois amigos da blogosfera, agradeço o gesto de amizade que é necessário para que nos encontremos cada dia mais (conosco e com os outros).

E, para concluir, este último é uma lembrança da minha participação junto de outros blogs na empreitada dos “Encontros e Desencontros”. Não é sempre que consigo, todavia, gosto de dar minha contribuição, além do que, é um exercício no qual me esforço no intuito de melhorar sempre, então, por que não?

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Bjins e até mais!

Fonte da imagem no início deste post: Google

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ué! Cadê você? Vou citá-lo de qualquer jeito...

Sabe de uma coisa? Acho melhor sair da frente desse micro e deitar na minha caminha confortável…

Deixa eu espreguiçar os braços, meu ombro direito está me matando, as dores nas costas nem digo…eu já devia ter me deitado há mais de duas horas e ainda estou aqui procurando algo que nem sei direito o que é. Tem razão alguém que disse para navegar na Internet, mas, não se afogar nela… devo estar me afogando desse jeito, melhor dormir agora mesmo porque meus olhos pesaram, meu raciocínio ficou mais lento e já nem sei o que os dedos estão digitando, estão meio automatizados…teclado e mouse, mouse e teclado… o cérebro organiza algumas ideias vagas e lá se vão os dedos executando, porventura, se os olhos não gostarem do que leram, lá se vão os dedos novamente deletando, digitando, incansáveis operários… só eu é que não aguento mais, preciso do descanso…

Aahhh! Nossa, que bocejo! Quase engulo o monitor desse jeito…kkkk! Ainda tenho algum reflexo para rir…ahhhhhh! Isso tá piorando…num disse? Já tô escrevendo do jeito que falo, cortando sílabas…ai, ai...

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Que isso? Caramba! Devo ter “pescado”…

Jô, vai dormir, vai! Olha o estrago, caindo com a cara no teclado! Que horror! É quase doentio ficar pregada assim sem arredar o pé (e o resto do corpo!) dessa cadeira.

Calma! Já saio… só queria terminar o raciocínio sobre o tema do Vou de Coletivo, sempre perco algumas boas coisas pelo caminho e depois fico tentando reavivar a memória e nada! Isso me irrita! As ideias bem podiam pular do cérebro para a tela sem ter que organizá-las uma a uma, não acha? Saírem prontinhas, que tal?

Uau! Seria uma revolução, mas, que graça teria depois disso? Não é o pensar e o criar que impulsionam nossa inteligência? Seria tudo muito simples e nós sabemos quão complexa é a raça humana. Se se vive entediado tendo tanto para pensar e ordenar, sem ter o que pensar então…discordo dessa ideia! Melhor deixar do jeito que está.

Espera aí! Que estranho… pensei que estivesse dormindo, mas, vejo que estou bem alerta e quem é que está conversando comigo? Eu sei que tem alguém falando, não enlouqueci, pelo menos até onde sei… Pensei que coisas assim só acontecessem em filme ou novela! Vejo que já terminei meu texto, nem lembro de que jeito fiz isso… será que prestou? Nem reli…

É eu sei! Se você contar vão rir da tua cara! Melhor ficar quietinha e guardar em segredo… Eu posso rir porque muita gente leva esse susto quando converso com elas, algumas enlouqueceram depois disso…kkkk! Espero que não seja o seu caso… Ah! Eu dei uma ajudinha no texto também.

Que engraçadinho, hein! Tem um senso de humor até em horas assim? Estou aqui procurando lógica no que está acontecendo e você só faz piorar?

Principalmente nessas horas, oras! Vocês é que vivem estressadinhos por aí, por aqui eu me divirto muito, percorro muitos caminhos e ideias, vejo gente de todas as raças e culturas e, sempre que elas concordam em aprender algo novo, entro em cena e apareço! Nem sempre do jeito que apareci aqui hoje, isso, na verdade, é raríssimo, dê-se por privilegiada, hein! Hehe!

Hehe pra você também!

Ui, que mau humor! Eu tentando ajudar e você nem agradece? Quanta ingratidão! Pois fique sabendo que este texto só saiu graças a minha imensa colaboração, viu? Acho melhor eu me mandar, já vi que não sou bem-vindo.

Desculpe! Sabe, tem razão… essa ingratidão não é do meu feitio, só entenda que ainda estou confusa, tudo que é desconhecido causa uma certa estranheza, não causa?

Tá, tá… vou relevar só desta vez, aliás, todos têm esse momento quando se encontram comigo, já estava em tempo de ter me acostumado… olha só, faz horas que eu estou zanzando pra lá e pra cá, agora é minha vez de dizer que preciso descansar. Gostei de você… é bacana! Que tal um novo encontro? Temos coisas em comum, sei que estou para visitar outras pessoas, inclusive, tenho uma lista interminável pendente, mas, posso dar uma escapadinha e aparecer de repente, que acha?

De acordo. E a propósito, obrigada por ter me ajudado a escrever, achei que não fosse terminar com tanto sono, aliás, qual nome devo citar na fonte do texto?

Amor, acorda! Vai se atrasar para o trabalho! O despertador ficou roxo de tanto tocar!

Hã?? Como assim? O que estou fazendo aqui na cama?

Eu te trouxe pra cá depois que caiu com a cara no teclado. Olha, salvei lá o seu texto do jeito que estava, depois você vê que bicho deu… na última linha tinha um amontoado de letras e números. Amor, isso nunca aconteceu antes, é para se preocupar com esse vício do blog, já falei! Não me importo que goste, mas, não exagera!

Tá bom… só preciso ver com meus próprios olhos! Tenho certeza que o texto estava terminado.

Aí, não falei? Lá vai ela de novo…

starry night - Van GoghObra “ A Noite Estrelada” de Vincent van Gogh 1889

Fonte do texto: Jô e participação especial de quem mesmo? Alguém aí pode me ajudar a descobrir?

O texto faz parte do projeto Vou de coletivo! do Murilo Hildebrand de Abreu e neste mês o tema é: Dormir aqui e amanhecer em outro lugar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

REFLEXÃO - “A Paixão de Conhecer o Mundo”

Este é o título do primeiro livro que fui orientada a ler logo quando ingressei no Magistério na década de 90. Escrito por Madalena Freire e, não por acaso, filha do renomado educador Paulo Freire, ambos (livro, autora e pai) ampliariam meu mundo daquele momento em diante sem a menor possibilidade de volta.

Quanto conhecimento apreendi ao folheá-lo, mitos se desfizeram e quantas descobertas acerca do papel da verdadeira arte de educar! Eu, tão jovem e inexperiente, apaixonei-me mais por esse mundo, porém, ele é cruel, já diziam outros e, partindo para os braços desse desconhecido, dediquei-lhe meu coração. Amar as crianças não é suficiente, é requisito básico, depois disso, aprofundar as metodologias de ensino e transferir tudo o que se aprende na mesma proporção em que recebe ensinamentos dos pequenos é, realmente, “fazer arte” (já ouviu essa expressão antes? Mães, normalmente, a usam: “está fazendo arte, não é, menininho?”; “que arte aprontou agora?” ou “essa criança é muito arteira!”) e, para ser artista nessa vida é preciso brilhar, caso contrário, seremos figurantes, apenas mais um preenchendo o espaço vazio no cenário da vida. Eis um dos aspectos que a educadora vai abrindo ao leitor: crianças são artistas natas e lidar com tanta curiosidade e criatividade é trabalho exigente, contudo, gratificante demais.

Ler Madalena Freire naquele momento foi um misto de descobertas e de alerta às dificuldades que, certamente, viriam pelo caminho. E vieram. Na hora dos estágios e depois na busca do emprego deparei-me com situações diversas: de crianças perfumadas e com boa estrutura socioeconômica até às que cheiravam a xixi e sequer tinham piso no chão de casa, a não ser o barro batido; as primeiras tinham nutricionista elaborando cardápio semanal,as outras comiam dos alimentos da horta escolar (e esperavam ansiosas por eles!);enquanto umas transpunham dificuldades escolares com apoio psicopedagógico, aquelas outras seguiam em “turmas remanejadas” dependendo dos esforços de uma professora abnegada.

Estas e outras situações ao longo de uma busca que iniciou ainda quando criança, desgastaram-me, consumiram-me. Deparei-me com a exploração e a falta de respeito de uma diretora de pré-escola em relação às professoras novatas, jamais imaginei que pudesse sofrer e ouvir humilhações tamanhas de alguém que se comprometia com pais e crianças nessa arte de educar: a mim bastaram dois meses naquele lugar, quase deixei-me abater, quis odiar a infância (anjos de um maternal!) que nada tinha-me feito de ruim, estava transferindo a indignação de modo errado, saí de cena (e o mundo foi cruel, de fato, naquele momento), senti um alívio imenso e, por outro lado, frustração: teria eu escolhido a profissão errada por tanto tempo? Teria me equivocado e teriam se equivocado minhas mestras no curso também? Quem esqueceu de me avisar? E as boas notas, os elogios, os bons trabalhos e tudo mais, de que serviam, então? Onde estava a minha “paixão de conhecer o mundo” naquelas horas?

Como não se deve desistir na primeira dificuldade, segunda, terceira ou quarta em diante… aceitei, a convite de uma colega, lecionar inglês para crianças de 4 a 6 anos numa escola particular quando já cursava o segundo ano da faculdade. Consegui me apaixonar novamente e, após oito meses de excelente convívio com outros funcionários, professores e crianças, fui capaz de entender que a vocação não depende da opinião de uma só pessoa, ela subsiste dentro de você, apesar de forças contrárias tentando minar essa paixão. E compreendi que o mundo não é cruel, mas, uns e outros podem torná-lo assim. São pedras no caminho: tente empurrá-las dali se valer o esforço, nem sempre se consegue, há pedras que têm o desprazer de manter-se à frente entulhando seu trajeto; chute-as (precisará de bons sapatos, caso contrário, sairá machucado!) ou apenas as ignore, desvie-se e siga adiante. Sua personalidade e experiência de vida responderão por si. Naquela ocasião da pré-escola deixei a pedra para trás, talvez hoje, mais madura, teria dito umas poucas e boas, mesmo sabendo que a pedra sempre foi pedra e não se tornaria nada menos dura e vazia, compreende? Seria um desabafo, um não-engolir de sapos tão somente!

Conhecer o mundo e alfabetizar podem ser companheiros de vida ou inimigos entre si, tudo dependerá do conceito que se tem de um e outro e como profissionais da área os transmitem. Nas diversas leituras de Paulo Freire, Jean Piaget, Emília Ferreiro entre tantos outros que se dedicaram à Arte de Educar, pude abstrair de cada um deles um pouco dessa mesma paixão que se traduz em conhecer o mundo (o nosso próprio, em particular, e o do outro) além de representá-lo por meio da comunicação oral e escrita, sobretudo, através das entrelinhas desta vida, das pausas, das reticências, das exclamações e interrogações intermináveis. Ponto final é difícil dizer.

Todos os educadores sabem (ou devem) que alfabetizar é muito mais que ensinar o bê-a-bá, vai além da simples transmissão do conhecimento uma vez que este não vem pronto e destinado igualmente para os cidadãos do mundo, sejam crianças, jovens ou adultos. Achegar-se a cada um desses mundos e levá-los à prática do ler e do escrever, especialmente, do tornar-se gente é tarefa das mais valorosas e nem sempre correspondida à altura. Sábias palavras contidas na “Carta de Paulo Freire aos professores”: sugiro uma releitura aos que já a conhecem e a leitura atenta para quem ainda não teve o prazer de lê-la e compreender de que paixão a filha Madalena Freire esteve a falar em seu referido livro e da qual compartilhei juntamente desde que me foi apresentada.

Se você quiser complementar essa leitura da Carta, assista ao vídeo e ouça palavras que, certamente, enriquecerão ainda mais seu/ nosso mundo!

Boa sexta-feira e um fim de semana cheio de paixão para você!

Bibliografia que inspirou o post de hoje:

"A Paixão de Conhecer o Mundo"

Madalena Freire
São Paulo: Editora Paz e Terra

Fonte da Carta de Paulo Freire aos Professores:Instituto Paulo Freire

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

REFLEXÃO – Viraletras ou Vira-letras?

Lembro-me do 1º de março quando esse blog que vos fala nasceu. Sim, “ele fala”! Tem vida própria, mesmo que se tente levá-lo em rédeas curtas como notei ao longo desses poucos meses. Isso não é ruim, é quase natural; “quase” porque é sabido que o blog tem alguém que o escreve, que o pensa, que o movimenta, que o controla até algum ponto e que, por sua vez, é um ser em transição. Falando em transição, também a língua materna sofre, eventualmente, ao longo do tempo a sua própria e o título do post hoje não é apenas uma dúvida (para mim nem tanto…o baby é meu e nome é nome. Se eu quisesse chamá-lo INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE DA SILVA? Tudo bem, sei que o bom senso precisa soprar aos ouvidos dos pais na hora em que se toma tal decisão, afinal, o bambino vai carregá-lo para o resto da vida e as pessoas parariam sempre no começo com a seguinte pergunta: INCONST… o quê??? Seria muito chato para o pequeno ter que explicar e repetir a mesma coisa ao longo dos anos, ao final, excomungaria a família. Não é isso que se deseja ao escolher um nome para quem se ama, concorda?), o título de hoje, por conseguinte, é uma homenagem “reflexiva”, pois é, essa é uma das particularidades desse blog à qual me propus desde o início: refletir toda sexta-feira, além de informar, compartilhar, divagar, desabafar, fazer rir e até chorar (de raiva? Espero que não…rs) em qualquer outro dia da semana, enfim, nos últimos tempos ando assoberbada, tenho postado semanalmente com frequência somente as reflexões das sextas-feiras.

Esse “bichinho virtual”, “diário ou periódico eletrônico”, “terapEUta pessoal ou grupal”, como queira descrever dadas as exigências particulares e cuidados que requer, ao ler e participar da blogosfera você percebe que existe a sua ideia inicial e existem ideias de tantos outros blogueiros que por aqui “circulam” (não à toa o termo “blogosfera” e, não à toa, o nome de cada um desses blogs terem uma real importância e um significado próprios).

O Viraletras foi concebido, de fato, da necessidade de explorar o que há nesta curiosa e pseudoafastada estudante das Letras e quem já circula (para não perder o ritmo da esfera…) por aqui, sabe também, que além da sobrinhamiga ter incentivado e apoiado bastante a “tia que gosta de escrever” (dos enormes e-mails que trocamos e através dos quais nos tornamos mais que tia e sobrinha somente…), outro fator decisivo e impulsionador foi não permitir que ficassem estanques sentimentos desde a morte de minha mãe em novembro passado, era preciso extravasá-los ou me sufocariam ainda mais.

E, voltando ao parto desse pequeno…

A Cris veio até minha casa junto do marido, o Adriano, que também teve participação especial no nome do blog. Ela, amadurecida na prática de blogar, foi logo compondo a base e, feito uma inseminação artificial, indagava como eu gostaria que a “cria” tivesse suas feições (olhos azuis ou castanhos, cabelos lisos ou cacheados, etc., etc., etc. rs). A parte que lhe coube foi feita. E eis que veio a pergunta que suscitou a reflexão de hoje: qual é o nome da criança? Meses antes, em nossos e-mails já havíamos combinado algumas coisas, inclusive, dar à luz ao pequeno em breve, pois, há muito eu tinha me tornado assídua leitora do Cristiane Marino e, de certo modo, ingressei na blogosfera através dele. Mas, uma coisa é ler um blog, outra bem diferente é manter, o que implica, em algum momento ou em vários, “revelar-se”. Não sei se é possível ou mesmo interessante ficar totalmente anônimo nesse meio, sua escrita também é reveladora, uma extensão de si, e, afinal, há inúmeros recursos que localizam, apontam, identificam você, aliás, tenho feito uso de alguns na aprendizagem com blogueiros mais experientes no intuito de melhorar essa relação. Sou bastante arredia em alguns aspectos, demoro para devotar confiança e não gosto de me expor tanto, o blog precisava de um nome que não fosse o meu próprio, pensei alguns que desceram por água abaixo e já tinham domínio. Nessas horas a criatividade (ou falta dela porque outros já tinham escolhido certos nomes…rs) precisa gritar e a colaboração do esposo e dos sobrinhos foi válida, começamos um brainstorming e, de uma última cartada entre três possíveis nomes, eu escolhi e remodelei o possível “vila letras” ou “vila das letras” que o Adriano sugerira. Foi engraçado e houve até votação. Sei que Viraletras nascera em época de reforma ortográfica e, com hífen ou sem hífen, eis a questão!

Após pensar e repensar, a lógica da gramática induzia para o Vira-letras, num relâmpago todos os conhecimentos do curso vieram à tona e, mais do que nome próprio, do que desafiar e se opor simplesmente, inovar e discutir o assunto de Virar ou não virar, um apelo maior se fez pelo significado do termo: vira…letras! O fato das Letras virarem meu mundo desde que as conheci determinou o que eu pretendia com o blog. Não por acaso, há tempos eu vivencio e “viro” um pouco do que as letras me ensinam. Talvez o blog pudesse até chamar-se Viroletras, não? Claro, ele transforma este ser real no ser virtual, consegue transportar minhas ideias e sentimentos e trazê-los de volta em forma de aprendizagem, da troca constante entre os blogamigos e até de alguns blogvisitantes. O espaço comporta muitas e muitas letras, de maneira ilimitada. Blogues de todos os tipos surgem e se conectam por identificação com alguma filosofia de vida, de trabalho ou seja lá o que for.

Esse pequeno está engatinhando, mas, desde que o batizei, creio que tem feito seu papel e representado um pouco da sua progenitora, pois, já dizia o velho e sábio ditado: quem sai aos seus não degenera!

Bom final de semana para você, com muitas letrinhas!

sopa_de_letrasFonte da imagem: Google

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

REFLEXÃO – Poesia para crianças (e adultos)

Desde que iniciei o blog tive vontade de abranger mais esse assunto, inclusive, de postar mais poemas infantis, o que ao meu ver não parece ser algo muito aprofundado quando se estuda o Magistério e até mesmo o curso de Letras, como aconteceu no meu caso: desculpe se incorro num grave erro neste ponto, talvez os cursos referidos estejam dando mais ênfase no conteúdo atualmente, sei que muitas mudanças ocorreram ao longos desses anos em que estou ausente do meio acadêmico, não posso precisar sobre este em questão. (Em off: lá se vão 15 anos em que concluí o Magistério e outros 10, que completei este ano, o curso de Letras! Caramba, como o tempo voa!rs…Isso me deixou mais velha!kkkkk!)

O fato é que gosto e já expus poesias de Olavo Bilac aqui e acolá. Intento postar outras, tanto dele quanto de outros poetas que muito contribuíram para a Literatura. Curiosamente, em vias de me formar “sofressorinha”, em meio à loucura dos estágios, revirando os livros nas prateleiras da biblioteca, fazendo pesquisas e mais pesquisas, planejando aulas e “tentando inovar” (coisa básica que os supervisores pedem a todo principiante!), deparei-me com alguns poemas infantis, encantei-me com a simplicidade do conteúdo e com a riqueza presente nas entrelinhas ao lê-los! Intitulados “infantis”, porém, muito se podia extrair de significativo para uma jovem normalista. Diante de mim havia um mundo de possibilidades! Além disso, crianças gostam e precisam ser estimuladas sempre mais a apreciar esse tipo de texto. Mães ninam os filhos com cantigas rimadas, com a sonoridade das palavras, sabemos muitas questionáveis, outras mais lúdicas. Nos primeiros anos do jardim de infância canta-se muito, gesticula-se para expressar o que se canta e, de certo modo, a poesia está inserida no contexto da criança, mas, a partir da alfabetização isso vai diminuindo e mudando de forma, outras vezes desaparece completamente da vida do aluno.

Não é tarefa fácil aprofundar o tema, entretanto, desvincular-se da poesia por completo é deixar passar algo preciosíssimo, principalmente num mundo carente por expressar-se como o da juventude.

Dias desses, lendo uma história para meu baixinho, lá pelas tantas um dos personagens citava uns versinhos e ele riu à beça, mesmo sem compreender completamente o teor do que era lido; a sonoridade e a rima das palavras despertaram algo na criança e eu percebi o quanto poesia faz bem, mesmo para quem mal entende o que é e como se faz aquilo e pediu que eu repetisse os versos muitas e muitas vezes.

A respeito do título do post de hoje, estive a pensar como o professor em sala e, mesmo em casa com pai, mãe ou qualquer adulto que goste e leia poesia para crianças pode servir de elo entre o que há de belo e mais profundo nessa arte. A partir da poesia é possível compreender o mundo e as pessoas que nos cercam, é possível extravasar, criar e recriar, dar sentido ao que, aparentemente, não tinha nenhum antes.

E, para não deixar passar em branco, escolhi outros dois poemas da Coletânea de Poesias Infantis de Olavo Bilac. Devo dizer que é muito difícil selecionar,pois, quando me deparei com essa riqueza fiquei a imaginar como o poeta conseguiu traduzir o mundo em forma de poemas tão singelos que podem agradar às crianças e aos adultos (e quantas lições podem evocar!).

Um final de semana cheio de poesia para você! Se gostar, leia outras no Portal São Francisco, ok?

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O Avô

Este, que, desde a sua mocidade,

Penou, suou, sofreu, cavando a terra,

Foi robusto e valente, e, em outra idade,

Servindo à Pátria, conheceu a guerra.

Combateu, viu a morte, e foi ferido;

E, abandonando a carabina e a espada,

Veio, depois do seu dever cumprido,

Tratar das terras, e empunhar a enxada.

Hoje, a custo somente move os passos...

Tem os cabelos brancos; não tem dentes...

Porém remoça, quando tem nos braços

Os dois netos queridos e inocentes.

Conta-lhes os seus anos de alegria,

Os dias de perigos e de glórias,

As bandeiras voando, a artilharia

Retumbando, e as batalhas, e as vitórias...

E fica alegre quando vê que os netos,

Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,

Batem palmas, extáticos, e inquietos,

Amando a Pátria sem temer a morte!

borboleta

A borboleta

Trazendo uma borboleta,

Volta Alfredo para casa.

Como é linda! é toda preta,

Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos de criança,

Batendo as asas, num susto,

Quer fugir, porfia, cansa,

E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:

“É a primeira que apanho,

Mamãe! vê como é bonita!

Que cores e que tamanho!

Como voava no mato!

Vou sem demora pregá-la

Por baixo do meu retrato,

Numa parede da sala.”

Mas a mamãe, com carinho,

Lhe diz: “Que mal te fazia,

Meu filho, esse animalzinho,

Que livre e alegre vivia?

Solta essa pobre coitada!

Larga-lhe as asas, Alfredo!

Vê como treme assustada...

Vê como treme de medo...

Para sem pena espetá-la

Numa parede, menino,

É necessário matá-la:

Queres ser um assassino?”

Pensa Alfredo... E, de repente,

Solta a borboleta... E ela

Abre as asas livremente,

E foge pela janela.

“Assim, meu filho! perdeste

A borboleta dourada,

Porém na estima crescente

De tua mãe adorada...

Que cada um cumpra a sorte

Das mãos de Deus recebida:

Pois só pode dar a Morte

Aquele que dá a Vida.”

Fonte das imagens: Site Colégio São Francisco

Poemas de Olavo Bilac (Coletânea de Poesias Infantis)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

REFLEXÃO – A legitimidade

Quem quiser chegar a ser o que não é, deverá principiar por deixar de ser o que é. (Raumsol)

De onde vem sua inspiração? Como ocorre seu processo de criação? Seja ele esculpir, pintar, desenhar, compor um poema ou música, entre tantos, inclusive, escrever um texto para seu blog? Em que momentos costuma ter “insights”? Ou você os tem o tempo todo? É uma tarefa fácil ou árdua? O que favorece sua “criação”?

É uma mera curiosidade pessoal, isso não deve mudar a forma com que a grande maioria lida com seu “dom”, contudo, é um trabalho que exige como qualquer outro. Pois bem, creio que cada ser humano tenha um dom ou até mais de um, seja daqueles que foram agraciados desde a mais tenra idade (gênios natos?), seja daqueles que, ao longo da vida, descobriram e aprenderam a lapidar a pedra bruta que tinham nas mãos. Enquadro-me na segunda opção e você?

Tenho várias manias na hora de escrever, incorporei algumas durante o curso de Letras, outras, trocando cartas e e-mails e, ultimamente, muitas aprendi “blogando”, apesar de não saber ao certo se desenvolvo a minha escrita melhor assim: preciso do dicionário aqui perto (com isso aprimoro e aprendo novos vocábulos), uma boa gramática (ou várias!) para pesquisa, a Internet é um almanaque sempre à mão e também necessito do silêncio (só o som do teclado e de meus pensamentos!) – adoro saber que tem pessoas que conseguem escrever enquanto ouvem música (ou ruídos quaisquer), é bárbaro! Não é o meu caso… Leio e releio muitas vezes os parágrafos em busca de possíveis erros e “bobagens”, que porventura, venha a escrever no blog. Chega a ser de um preciosismo que desgasta quem escreve e até quem lê, não? Mas, é assim que consigo os “frutos desse trabalho”, embora não seja remunerado, somente um hobby. E daí? Tem menos importância ou valor? O que é feito por prazer e sem fins lucrativos vale menos? Não, não e não!

Infelizmente, nem sempre há “bons dons”, há gente que cultiva “péssimos dons” e consegue destruir ao invés de edificar. E destroem não só coisas materiais, são capazes de destruir o respeito por si e, sobretudo, por seu semelhante.

Há os que são agraciados com dons que outros quereriam para si (invejariam, talvez?) e à certa altura, por mais que se tente, após frequentes fracassos, esse desejo pelo dom alheio desaparece e é possível chegar à conclusão de que há coisas intransferíveis nesse campo. Bem, isso cabe às pessoas que atingem um nível de bom senso e consciência, muito diferente de algumas em que inexiste um e outro. Nesse ponto lembrei-me do filme “O diabo veste Prada”: que preço você pagaria para obter glamour, sucesso e um emprego de status com um belo salário? Não faço campanha de hipocrisia, do tipo que diz “dinheiro não traz felicidade”, traz e muito! Traz conforto, lazer, deixa as contas em dia (o que te faz dormir sossegado!), paga boas escolas para os filhos e tudo mais que é possível sonhar.

Entretanto, o que me propus a refletir hoje é algo que há muito já foi discutido na blogosfera e vira e mexe reaparece. Há algum tempo tenho pensado em postar sobre o assunto que é muito importante, ponderei alguns pontos sobre meu próprio blog, até cheguei a pensar “quem copiaria algo daqui? Sou apenas mais uma em um milhão, há tantos blogueiros talentosos…”, porém, segui conselhos dos amigos, li muito acerca do plágio e concluo que, apesar de “batido”, o tema é presente e causa grandes transtornos aos que são “violentados”, “usurpados” e “lesados” em seus direitos. É inconcebível que haja gente “roubando” ideias e se apropriando do texto alheio como se delas fosse? Tão simples assim? Quanta cara de pau! (desculpa o palavreado, mas, imagino que não tenha outro melhor para quem não respeita a “criação” do seu semelhante e as horas dedicadas à mesma).

Por acaso hoje deparei-me com esse pensador, até então um desconhecido, porém, alguns dos princípios que pude entender, ainda que sem aprofundar-me, vieram a calhar com a atividade de quem bloga decentemente. Iniciei e terminarei o post com dois deles. Bom final de semana pra ti!

Começar é fácil; o difícil é prosseguir a obra.
Será necessário, então, acostumar-se a converter em fáceis as coisas difíceis. (Raumsol)

banner1 Fonte da imagem: Blog Blogosfera Cristã

domingo, 2 de agosto de 2009

Inusitado para uns, comum para outros!



Querido,

nossos encontros começaram há 5 meses apenas e, como muitas histórias de amor, no início são repletas de novidades, aquela sensação de alegria e fascínio parece que não terminará nunca, lembra? Não me interprete mal, não estou a dizer que ficaste menos atraente.

Tantas cartas já escrevi para ti, nem todas tão românticas, algumas foram desabafos de meus problemas pessoais, do trabalho… outras pareceram brincadeiras mensais, escrevia algo inusitado para mexer com suas emoções e com seu raciocínio. Que bom parceiro és ao compartilhar meus escritos, pois, muitos não têm essa compreensão e essa paciência para ler-me, por isso digo sempre que és especial!

És de poucas palavras e eu de muitas, não consigo evitar, aliás, de maio para cá, por conta de uma rouquidão contínua descobri que estou com dois pequenos nódulos nas cordas vocais (vulgarmente chamados de “calos”) e necessitarei fonoterapia, já tive outras rouquidões derivadas de minha rinite alérgica, essa, apesar de perdurar, creio não ser nada grave ou preocupante, ao menos o otorrino disse que a fono resolverá o problema, além de falar somente o necessário no trabalho e tomar mais líquido. Você já deveria imaginar a julgar pelo tamanho das cartas que escrevo, não é? Ria dessa tagarela incorrigível! A culpa chega a ser tua porque tens me dado tantas oportunidades para escrever (e trocar ideias!). Só não faço mais devido à escassez de tempo.

Ultimamente tens ouvido pouco minha voz porque só temos nos encontrado às sextas-feiras. Em nossos encontros que começaram mais frequentes e agora semanalmente apenas, tenho sentido falta do que era, contudo, mudanças são necessárias, fazem parte da vida. Sextas-feiras estão enfadonhas, devo concordar, mas, se não fossem por elas, perderíamos o contato de vez, quem sabe consigamos mudar o dia da semana, desde que não deixemos de nos ver, o que acha? Talvez mais de uma dia apenas, seria ótimo, não? Eu adoraria! Não posso prometer isso ainda, só posso dizer que está difícil dividir esse amor com os outros que já tinha quando nos encontramos. Das obrigações diárias nem falo, são tediosas por demais.

Nunca escondi nada de ti, nem deles. Arrisquei uma espécie de “livro aberto”, salvo algumas devidas proporções, evidentemente. Houve ciúmes e alguns atritos nesse “triângulo amoroso” – meu marido e filho disputaram-me contigo, é bem verdade! Também deixaram-me à vontade muitas vezes porque sabem o quanto o amo e o quanto tens-me feito bem, chegando a ser (quase) meu terapeuta!

Sinto que extrapolo deveras em dados momentos, em outros torno-me mais comedida. Repito: a culpa é tua! Por que me deixa tão livre? Por que não tens um sinal de alerta que diga “Jô, basta!”? Sei que já mostraste: és assim e é isso que tanto me atraiu em ti, se existe erro, ele é apenas meu. Você tem feito sua parte com a qual se comprometeu desde o princípio, deu-me o básico e ficou a meu bel-prazer desde então, inclusive, deixou-me livre também para as novidades que eu pudesse descobrir aqui e ali. Foi o que fiz. Muitas delas me agradaram e só posso agradecer aos que me incentivaram apreciá-las.

Lembras de quem nos apresentou? Sim, a Cris. Essa menina faz parte de nossa história, ela foi nosso “cupido”, ela nos aproximou porque sabia o quanto nos entenderíamos, o quanto tínhamos em comum: as palavras. Por isso és especial para mim! Um amor que só quem vive ou viveu é capaz de compreender, não é?

Esta é mais uma das muitas cartas de amor que pretendo escrever-te, mostrando o quanto aprendo contigo e com os que apóiam esse romance.

Carinhosamente,

Imagem: Obra de Fernand Toussaint “The love letter

Esse é o primeiro post do recente projeto "Vou de Coletivo!" do Murilo Hildebrand de Abreu.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

REFLEXÃO – Gripe A (H1N1) – 2º round

Estive a falar desse assunto não faz muito tempo como você pode comprovar neste post. Detalhe: muitos blogueiros estão a escrever sobre o assunto, o que é ótimo porque se preocupam e ajudam a divulgar, cada um ao seu modo, tal qual trabalho de formiguinha – parece que não faz efeito, todavia, logo vê-se um pequeno monte em crescimento.

Até então havia uma linha (ainda que imaginária) dividindo melhor quem seria de quem não seria suspeito da gripe A(H1N1), porém, essa linha desapareceu por completo, ainda há casos de contato com pessoas que viajaram para países com altos índices de mortalidade e de outros que nem sequer têm noção das pessoas infectadas e olha que esses “outros países” estão mais perto do que se pensa, hein! Nesse sentido o Brasil ainda tem algo do que se orgulhar, tenta-se, ao menos, enumerar a quantas anda a epidemia, se por um lado parece algo frio ater-se aos números, por outro é importante para mudarmos as estatísticas: não queremos que elas sirvam apenas para contar vidas que se tornaram vítimas da mais nova epidemia que o mundo vem enfrentando, de modo algum. Pessoas que trabalham na área da saúde como eu têm família, não esqueça! Não estamos imunes, aliás, corremos um grande risco, entretanto, lá estamos à toda prova procurando a melhor fórmula para aliviar as tensões e cuidar dos que precisam.

Ressaltando as novas instruções (que mudam a toda hora por conta das mesmas estatísticas mencionadas anteriormente, daí sua importância para combate e controle da epidemia) no intuito de direcionar melhor a detecção e o manejo dos suspeitos da gripe A(H1N1), segue: pessoas que apresentem febre igual ou superior a 38°, tosse e/ou dor de garganta associada a outros dois sintomas pelo menos (dores musculares, dor de cabeça, diarréia, vômito, falta de ar, coriza) serão consideradas suspeitas e deverão ser isoladas em casa e monitoradas após consulta médica, ou seja, o paciente deve estar atento quanto à febre: abaixou, aumentou? De quanto em quanto tempo? De preferência seria bom que anotasse as temperaturas medidas, além dos demais sintomas que iniciaram junto da febre: estabilizaram ou pioraram? Lembre-se: nada de paranóia, isso não ajuda e ainda prejudica os que, de fato, estão doentes. Se está realmente tendo os sintomas e não apenas aquela "sensação", procure o serviço de saúde ou seu médico de confiança. Não espere que te perguntem: está com isso, aquilo ou aquilo outro? Médicos, enfermeiras e auxiliares/técnicos de enfermagem precisam de dados para conseguirem fazer o trabalho deles tramitar adequadamente. Já vi gente agir e responder grosseiramente, esperando que houvesse uma "bola de cristal" instalada e que "adivinhassem" a que vieram logo ao chegar na recepção! Uma unidade de saúde atende, atualmente, suspeitas de gripe A(H1N1), porém, outras doenças ainda existem e, como se não bastasse, confundem-se aos sintomas dessa nova epidemia.

Outro detalhe importantíssimo que eleva a suspeição dos casos ao nível dos “grupos de risco”: gestantes; crianças menores de 5 anos, especialmente as abaixo de 2 anos; pessoas acima dos 60 anos; imunodeprimidos (em tratamento quimioterápico, portadores de HIV); renais crônicos; cardiopatas; diabéticos; obesos mórbidos; portadores de doenças que alteram a hemoglobina como anemia falciforme; pneumopatas – essas pessoas serão passíveis de internação hospitalar em caso de contato com o vírus e apresentando os sintomas referidos no parágrafo anterior. Nesse link é interessante notar que um especialista reforça a importância da PREVENÇÃO, o que é muito bom e, curiosamente, discorda de crianças e idosos constarem nos grupos de risco. Quanto à prevenção creio que deveria ter sido anunciada desde o princípio de modo constante e incansável, já disse e repito. Agora o caldo está entornando, ainda estamos “segurando as pontas”, está dificílimo… ontem as escolas dispensaram os alunos que haviam retornado essa semana e orientaram nova volta às aulas dia 10 de agosto até segunda ordem. É uma boa precaução, contudo, não basta somente isso, é preciso CONSCIENTIZAR ainda mais a população nesse momento crítico. EVITAR AS AGLOMERAÇÕES DESNECESSÁRIAS; LAVAR AS MÃOS CONSTANTEMENTE, INCLUSIVE, APÓS TOSSIR, ESPIRRAR E USAR O BANHEIRO; NÃO COMPARTILHAR OBJETOS PESSOAIS AO SER SUSPEITO DA GRIPE A (H1N1) são as principais atitudes e não há médico ou funcionário de saúde que resolva o problema se não formos, cada um de nós, responsáveis por essa etapa da PREVENÇÃO!

Como os casos estão aumentando consideravelmente (para não dizer, galopantemente), a coleta de material para comprovar a contaminação pelo vírus A (H1N1) será por “conglomerado”, isto é, em famílias ou locais de trabalho em que várias pessoas daquele mesmo grupo apresentem os mesmos sintomas (recapitulando: febre igual ou maior que 38°, tosse e/ou dor de garganta mais outros dois sintomas gripais) num curto período de tempo, entre 2 a 7 dias de contato. Deverá ser coletada amostra de secreção nasal do caso mais recente e enviada para confirmação. Pois bem: assim como foi com a dengue, ou seja, (eu que fui contaminada em abril de 2007, posso dizer do alto de tão horrorosa experiência o que é ficar “dengosa”) primeiro temos os sintomas, e se Deus quiser, sobrevivemos a eles e somente após estarmos bem curados é que se obterá a confirmação daquilo que acometeu nossa saúde, em resumo: demora muito para ter tal confirmação devido à alta demanda e um número reduzido de laboratórios (para não dizer: insignificante de 3 apenas!) que receberam kits para diagnosticar a nova gripe num país enorme feito o nosso?

Detalhes irritantes da bur®ocracia à parte, como “brava gente brasileira” que somos, apesar do caos que está se instalando (como se já não houvesse caos suficiente no serviço público!), tenhamos o que se é para ter a vida toda, não só agora, certo? Sabe o quê?

FÉ!

Simples e eficaz assim!

Que posso mais dizer, além de toda informação? Se somente ela bastasse, então, estaríamos livres de tantas outras epidemias e coisas do tipo que assolam um país, um estado, uma cidade, um bairro, uma rua, uma família…(xi…a coisa vai chegando tão perto da gente e, catástrofes que parecem acontecer só na casa do vizinho, subitamente, acontecem também na nossa?). Não sejamos ingênuos.

Cuidemos de nós e dos nossos! Especialmente daqueles que já têm uma saúde mais frágil, ok? A gripe em si não é o problema maior e sim as complicações oriundas dela.

Espero que possamos ter muitos bons finais de semana longe dessa nova gripe e, se não, que consigamos segurar os números que insistem em aumentar, especialmente, os que estão ceifando vidas! Prevenção da Gripe A (H1N1)

Fonte de imagem: Google

sexta-feira, 24 de julho de 2009

REFLEXÃO - Férias

Mês de julho é época de férias da meninada. Que felicidade para elas, não é? E para os pais, o é igualmente? Não sei, às vezes tenho dúvidas se os adultos gostam tanto desse período quanto os filhos, pois, cheguei a ouvir mais de uma mãe a lamentar: "ai, ai...lá vêm as férias!", como se fosse ruim? "Epa! Por que será?" - pensei comigo. Pais que trabalham fora e dependem da escola (dentre outras funções que competem a esta) também como forma de "babá" no horário em que estão dando expediente, podem até sentir falta do período letivo, entretanto, sabemos bem que a função primeira desse local é educar e não manter nossos filhos sob vigília tão somente. Bom seria se houvesse boas escolas com alternativas para casos excepcionais, entendo que não é fácil ter que trabalhar e não saber com quem ou onde deixá-los, porém, devemos pensar que o período de férias, tanto o de agora quanto ao final do ano escolar não são apenas para descanso dos professores e funcionários (Até parece! Tenho colegas que realizam várias atividades pendentes nesse período e pouco aproveitam o "tempo livre", engana-se quem pensa que professor descansa muito por conta disso). E pensei novamente com meus botões: "São só duas semaninhas magras, que mal há nisso?"
De fato, mal nenhum, muito pelo contrário. É tempo de aproveitar mais "nossa criança", de conversar, de brincar, de vivenciar coisas ditas "bobas"(assistir um desenho e comer pipoca no meio da tarde, preparar uma pizza juntos ou levá-la ao parque - algum tipo de atividade que saia do cronograma rotineiro do resto do ano, entende? Se seu filho já tem por rotina isso, então, invente outras, mas, crie oportunidades novas de experimentar e estar perto dele).
E, falando em experimentações, há um tempo ganhei um livro num sorteio do orkut, nem acreditei, sempre acho que tem gente somente querendo levar vantagem na Internet ou sacanear os menos atentos com todo tipo de tralha que possa destruir nosso pc...desconfio bastante, porém, também procuro fontes e chego a conclusões que, eventualmente, vale a pena arriscar. Minha sobrinhamiga está de prova! Foi ela quem me alertou e não é que recebi o livro em casa? Trata-se do "Agressividade Infantil - Relax e reprogramação emocional para crianças" de Cristina Locatelli. Foi ótimo lê-lo e aconselho a quem queira. O conteúdo é interessante e prático, a minha sensação durante a leitura foi da autora o tempo todo enfatizando o amor e a valorização deste entre pais e filhos, ao contrário do que o título pareça sugerir: tratar apenas da questão "agressividade". Entender o porquê a criança muitas vezes se rebela é importantíssimo. Quantas vezes queremos passar por cima do que ela quer dizer com a atitude ou a fala "agressiva", resolvendo na chinelada? Quantas vezes nos culpamos por tomar atitudes impensadas e amargamos ver aqueles olhinhos chorosos e o coraçãozinho triste conosco?
Procuro não errar com meu filho, assim como toda mãe que é preocupada em bem educar, inclusive, as palavras que proferimos têm muito peso e como! Viver a insultar, diminuir, denegrir, desprezar ou coisas que afetem negativamente a criança podem contribuir e condená-la a sentir e a assumir certas posturas. Uma colega vivia a dizer ao filho que ele "era triste" no sentido de ser muito bagunceiro. Eis que um belo dia essa criança respondeu a um elogio da mãe dizendo: "não, eu não sou bonzinho...eu sou triste!". Triste mesmo foi ela se dar conta do que estava fazendo com a cabecinha do menino e repensar as palavras que dizia ao se referir a ele, aliás, não a ele exatamente, mas, às atitudes dele, como se fosse um rótulo, compreende?
Eu mesma me corrigi um dia por conta de um lembrete bem dado da Cris, ao chamar meu pequeno de "seu tranqueirinha", depois disso, troquei por "meu anjo". E, não por acaso, é uma criança bastante carinhosa e compreensiva, muito alegre e inteligente.
Muitas vezes usamos alguns termos sem nem mesmo atinar o real significado deles, todavia, é preciso repensar até mesmo isso. Não é à toa que digo e repito sempre que o magistério muito me influencia e a pedagogia da sobrinhamiga também atualiza nossas conversas. Mãe mais informada pode correr menos riscos, isenta deles nenhuma está!
A questão das férias escolares também pode ser encarada como uma bênção, muito mais do que um problema a ser resolvido no meio e no fim do ano. Passar um pouco mais de tempo com a criança, fazer algo junto dela, apreciar suas habilidades, ouvi-la mais, dedicar-lhe atenção e carinho constantes não tem preço e só pode beneficiar ambas as partes, não acha? Vejo no trabalho que as pessoas, em geral, querem coincidir seu período de férias com o dos filhos, é muito bom saber que se preocupam, que tentam ao menos! Sei que nem sempre é possível, afinal, muitos funcionários para poucos e os mesmos meses ingratos de julho, dezembro, janeiro ou fevereiro. Aff! Decidir férias é sempre estressante nesse ponto também. Fazer o quê? Brigar de igual para igual, seguir as regras da empresa e... aproveitá-las ao máximo, mesmo que sejam em qualquer outro período.
Outro detalhe importante da leitura referida é o do toque. Vamos acrescentar sensações às palavras de carinho: muito cafuné, massagem, beijinhos e abraços apertados! Perco a conta das beijocas que dou nesse baby! E ele as retribui junto de abraços, seja para angariar algo (isso é básico em criança!rs), seja de graça, sem nada em troca! Melhor ainda, não é? E o cafuné para fazê-lo dormir, quantas vezes já não foi meu trunfo? - "mamãe, faz assim..."(massageando a mãozinha sobre a cabeça). Tudo bem que o filho não nos pertence, de certo modo ele ganha asas e voa para o mundo como já ouvimos muito, porém, o mundo lá fora não faz isso pelo filho da gente, faz?
Então, vamos tirar férias de outras coisas, especialmente dos problemas, mas, nunca dos filhos, nunca da possibilidade de estar mais junto e aprender sempre com eles.
Tenha um final de semana muito feliz junto dele ou deles! Falando nisso, vou curtir mais o meu porque as aulas reiniciarão na segunda-feira...que peninha!

Fonte da imagem: Google

sexta-feira, 17 de julho de 2009

REFLEXÃO - Pais e Filhos

Felicidade: paro, penso e...
sinto-me feliz!
Boas coisas aconteceram, outras nem tanto e daí? Coisas curiosas e estranhas também. Seriam pequenos sinais divinos? Seria hora de mudar hábitos e rotinas? Seria o momento oportuno ou o mais certo a se fazer?

Dia desses ouvi um depoimento de uma jovem que sofreu um terrível acidente, inclusive, sua história veicula em PowerPoint pelos e-mails, eu mesma cheguei a achar que fosse criação de alguém tentando amedrontar os que (ainda) bebem e dirigem. O pior é que o fato foi real! Em resumo: um motorista embriagado causou um acidente com o carro da jovem, o qual se incendiou com ela e a deformou de tal maneira que lá se foram 40 cirurgias e muito, muito sofrimento com queimaduras de 3º grau em mais de 60% do corpo. Imagina um absurdo desses? Tamanha dor (no corpo e, especialmente, na alma) é incalculável, foge à minha pequenez... a história dela poderia culminar em suicídio para muitos, porém, lá estava exposta num programa de TV famosérrimo contando sua experiência nesse desastre que modificou não apenas sua aparência externa, modificou seu ser. Ela atualmente se vê a mesma pessoa, obviamente não no aspecto físico, ela consegue dizer a si mesma que é possível encontrar a paz de espírito, um conforto para a alma ou como queira chamar esse ato de "permitir-se ser feliz."
Na quinta-feira recebi um convite de uma pessoa muito próxima e, embora eu o tivesse recusado, diante da insistência, notei que era sim um pretexto para algo maior. Então, lá fomos para uma reflexão bíblica em grupo na casa da mãe dela. Na adolescência fui uma beata, muito aprendi com os grupos de jovens, porém, mudanças de endereço, faculdade, casamento, etc., afastaram-me, de certo modo, dessa realidade. Fiquei à distância, mais recolhida. Nada de grupos nem encontros na igreja. Vivenciei os "grupos da vida": no trabalho, na escola, na família. Dizem que o mundo nos ensina muito, mas, muito do bom e do ruim, não é? É preciso peneirar somente o que é bom, o resto é resto, se não serve para mim nem para você, então, desprezo sem titubear.
Agora diga: o que tem de ligação entre os pontos levantados até aqui? Felicidade, superação e convite? Não necessariamente nessa ordem. Sei lá, pensa um pouquinho e diga se encontra elo entre os três.
Pensou? Ainda não? Tenta, vai...faz um esforço! Isso...
Depois me conta o que foi de interessante que saiu dessa cabecinha, ok?

Bem, dessa aqui saíram conjecturas, divagações mil...rs, ao final, muito positivas. No começo o convite pareceu-me uma cilada(rs), um pequeno grupo de onze adultos e cinco crianças reunido para refletir trechos da Bíblia e absorver uma gota de conhecimento. Os que já se reúnem semanalmente foram revezando leituras e dinâmicas do encontro, passado alguns minutos de concentração no assunto em questão "justiças e injustiças", entrei na roda viva e soltei o verbo. De repente, aquele grupo que estava meio que acanhado e sem palavras tornou-se numa espécie de terapia grupal, um desabafo de suas frustrações e, claro, senti-me na obrigação de amarrar o assunto com o trecho que havia sido lido antes para não ficarmos só nesse momento "tenho pena de mim!". Veio à luz as experiências daquelas pessoas, inclusive as minhas, especialmente das perdas. É justo? Injusto? Perder mãe, marido, filhos? Qual o peso de cada perda dessas? É justo descarregarmos as nossas perdas sobre os outros em forma de ira? Resolve ou ameniza a dor?E o outro, também não tem as próprias perdas e dores? Será justo com ele?

Após o encerramento do encontro é que pude conversar mais com a pessoa responsável pelo "convite cilada"(rs) e parabenizá-la pelo motivo que a fez juntar-me àquele grupo na casa de sua mãe. Sua perda também reverteu-se em alegria! Lá estava ela e o marido: novamente grávidos! Queriam muito compartilhar a felicidade que sentiam e eu (quase) me neguei a estar presente. Logo o assunto mudou de ares e tudo soava como novidade e até redenção. Sim, se nos é "permitido" que tenhamos perdas, também nos é "permitido" que tenhamos presentes divinos e quer coisa mais divina que a vinda de um filho?
Agora, podem criticar à vontade o que vou dizer, já o disse para a nova mamãe em questão, talvez ela nem se recorde, falamos tantas coisas sobre tudo(rs), mas, vejo que Deus nos permite ter filhos para que nos sintamos um pouco como Ele, entende? Uma prova de fogo. Queremos o melhor para aquele ser, nos primeiros anos tão indefeso, de repente, ganha autonomia e o mundo, contudo, mãe e pai são para sempre, mesmo os que têm suas divergências e conflitos sabem, lá no fundo, que a figura deles permanece em nós, seja fisicamente, nos genes, seja no coração ou só na mente. Quantas pessoas relatam e atribuem dificuldades na fase adulta por conta dessa relação pais e filhos? O quanto pai e mãe são realmente "culpados" pelo sucesso ou fracasso de um filho?

E quanto à história de superação da jovem que sofreu o trágico acidente de carro? Bem, acabei por suscitar o caso somente entre o mais novo casal de "grávidos", nos referindo ao "desabafo coletivo" surgido no encontro bíblico e o quanto nos lamentamos dos infortúnios, esbravejamos até contra a Mão Divina que rege o mundo, assim mesmo, como os filhos acusam os pais quando se frustram: a culpa é sua porque estou nessa situação!
"Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?"
trecho da música Pais e Filhos - Legião Urbana

E a jovem acidentada disse que podia sentir-se feliz, apesar da tragédia, permitia-se ter pena de si mesma apenas cinco minutos por dia e arrancou risos da plateia dando uma "palhinha" desse momento de lamúria diária: "Por que isso foi acontecer logo comigo? Bom, acabaram-se os 5 minutos!"

Concluo que somos "convidados" a aceitar ou não certos desafios nessa vida, uma delas é nos tornarmos pais e mães. Permitirmos a "felicidade" é melhor do que lamentarmos o "leite derramado" e a "superação constante" pode ser o bálsamo necessário nessa escalada.
*PS.: apesar do atraso na postagem por conta de alguns contratempos, a reflexão aqui está e espero que todos possamos ter um ótimo fim de semana, bem como uma ótima jornada durante a vida: com convites, superação e felicidade! Aliás, aproveitarei o espaço para novamente PARABENIZAR O CASAL DE AMIGOS RECÉM-GRÁVIDOS! A JOVEM MAMÃE TAMBÉM É BLOGUEIRA E LOGO SE MANIFESTARÁ, ENTÃO, NÃO QUERO ADIANTAR MAIS!

Fonte das imagens: 1ª Google; 2ª Anne Geddes

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Tertúlia Virtual - Tema Livre


Escolhe!

Nasci...
Cresci...
Tornei-me homem...
Doravante livre arbítrio:

Se lembro ou esqueço,
Se esfrio ou aqueço,
Se desvio ou endereço,
Se sorte ou insucesso,

Se fracasso ou venço,
Se falo ou penso,
Se mantenho ou apresso,
Se suficiente ou excesso,

Se ignoro ou enterneço,
Se fragilizo ou fortaleço,
Se libero ou impeço,
Se omito ou confesso,

Se inerte ou propenso,
Se calmo ou tenso,
Se desobstruo ou tropeço,
Se admito ou despeço,

Se correto ou avesso,
Se singelo ou adereço,
Se tranquilo ou possesso,
Se militante ou egresso,

Se calo ou expresso,
Se contínuo ou recesso,
Se prossigo ou recomeço...

Não importa!
E quem as decidirá senão eu mesmo?
Posso conferir a outrem tão árdua tarefa?
O tic-tac do relógio apressa!
Sem hesitar me convenço!
Por fim,
Se há prejuízo ou ganho,
Se saio intacto ou me arranho,
A escolha ainda é minha!


Fonte de imagens: Google