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sábado, 1 de março de 2014

Quinquênio do Viraletras

Ai, que saudades do meu bloguinho, que saudades das palavras, dos textos, da interação com a blogosfera.
Saudade é palavra de ordem que ocupou 2013 (e ainda ocupa com intensidade esse comecinho de 2014…), mas, Deus tem trabalhado desde sempre nos corações daqueles que vivem suspirando "ais" de saudades, alguns não só suspiram como choram e derramam lágrimas amargas junto delas. A ausência dos que amamos torna-se uma pilha enorme de lembranças que vêm à tona a todo momento.
Sinceramente, saudades das pessoas que se foram ano passado: um sobrinho, tão jovem; um amigo, tão próximo… Outras conhecidas que não eram do nosso círculo, mas que faziam parte da vida de pessoas com quem trabalhamos e convivemos na família, histórias tristes cruzando as nossas e até se assemelhando.
Isso tudo tem nos feito gente que entende cada dia mais a efemeridade neste mundo e nos faz desabrochar na fé em Deus na pessoa de Jesus Cristo porque sem essa realidade espiritual nada teria sentido realmente, essa vida seria somente uma vida que passa e deixa apenas saudades.
"Por isso, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe". (II Coríntios 5, 6-9)
Se nossos esforços são feitos em prol do bem, em prol do amor que o cristianismo sempre ensinou e sob o qual fundamenta suas bases, se nos esforçamos por andar na luz e fugimos das trevas, de tudo que contraria o melhor que pode haver em nós, então, caminhamos no rumo certo. Obviamente que as tribulações farão parte da vida, as dificuldades e as saudades, inclusive, pois, o cristão não é isento de cruz, muito pelo contrário, o verdadeiro cristão sabe que terá de carregar pequenas e grandes cruzes pelo caminho até que sua vida se esgote no calvário do mundo e ressurja gloriosa na fé que deposita no Filho de Deus.
Também é certo que o cristão se alegra nesta vida, conquista vitórias, saboreia felicidade. E, deste feito, tenho a agradecer tantos posts que consegui expor aqui nesse espaço. Sim, ano após ano fui postando cada vez menos, até que não consegui postar nada ano passado devido às prioridades que elenquei em particular, contudo, não paro de escrever e criar, sempre que posso compareço com o  dom que Deus me deu. Pessoas me pedem um texto para algum evento e dou o melhor de mim, isso alegra meu coração e sei que ainda poderei postar mais vezes no Viraletras em outros tempos.
Agora é tempo de educar os filhotes, aliás, estão no topo das minhas prioridades junto do esposo e de nossas famílias.
"Observei a tarefa que Deus entregou aos homens, para com ela se ocuparem: tudo o que Ele fez é apropriado para cada tempo. Também colocou o senso da eternidade no coração do homem, mas sem que o homem possa compreender a obra que Deus realiza desde o começo até ao fim. Então compreendi que não existe para o homem nada melhor do que alegrar-se e agir bem durante a vida. E compreendi também que é dom de Deus que o homem possa comer e beber, desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo o que Deus fez dura para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar (...)”. (Eclesiastes 3, 10-14)
Já que esse post exalou tantas saudades, quero celebrá-lo com um poema de Pablo Neruda intitulado "Saudade":
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Agradeço sempre aqueles que prestigiaram esse singelo blog e os que ainda prestigiam, mesmo quando essa blogueira escreve algo de tempos em tempos…
Obrigada por compartilhar esses 5 anos do Viraletras, nos seus altos e nos seus baixos, afinal, a fidelidade é assim, acompanha o outro em todos os momentos.
Fonte da imagem: Google

sábado, 7 de maio de 2011

“Quero que herdem meu coração (de mãe)”

Não é tão fácil ser mãe, também não é difícil. Parece contraditório, concorda? E muitas vezes é, de fato.

Enquanto filha não me recordo de pensar na maternidade como penso hoje, lógico que sempre admirei e respeitei minha mãe, discordei dela quando foi necessário, guardei as boas lembranças da infância e recordo com carinho, especialmente depois que ela se foi. Outro dia mesmo fiz um macarrão caseiro só porque fiquei com vontade de saborear o gosto daqueles pequenos e inesquecíveis momentos!

Acredito que isso aconteça com muitas mulheres antes de se verem grávidas, diante da real possibilidade de ocuparem um lugar que antes era só de suas próprias mães; e nessas horas é que nos vem à mente, com mais clareza, a importância dessa mulher que nos cativou desde o ventre, que nos ajudou em cada fase e esteve conosco nos momentos alegres e nos complicados por diversas vezes.

Amadurecemos através delas, até quando estão ausentes por qualquer motivo. Não podemos dizer: “Sou mãe por mim mesma, não precisei aprender nada com ninguém!”, pois, ao virarmos as páginas do passado descobriremos que uma imagem de mulher, de esposa e de mãe esteve presente, ainda que não tenhamos concordado com ela muitas vezes, que tenhamos desafiado o jeito de se comportar e de se impor diante da vida, afinal, nem todas tiveram as chances e facilidades que hoje temos e que nossas próprias filhas terão futuramente, tão diferentes das nossas. O mundo muda rapidamente em cada geração, temos de compreender que para cada tempo há direitos e deveres que se alteram, as mulheres do passado não são nada parecidas com as mulheres do presente e as de hoje serão menos com as do futuro, exceto por um motivo (e espero que isso não mude nunca com o passar dos anos): o desejo de ser mãe, protegendo, cuidando e amando uma criança que, num belo dia, como bem representa a figura de um pássaro, sairá do ninho e voará alto no seu próprio espaço.

O que deverá sobrar não é um ninho vazio como muitas de nós poderemos nos ressentir saudosamente, mas, lembranças e certezas de que conseguimos dar-lhes “asas fortes e confiantes” para que voem sim e possam voltar vez em quando, não se esquecendo de quem lhes ofereceu o máximo de si e isto não é cobrar amor não, é querer apenas estar perto de quem tanto amamos e amaremos a vida toda! Coração de mãe é assim mesmo e mostrarei, especialmente, para você amigo leitor que chegou até aqui, uma recordação importantíssima para mim que deixei guardada como real significado do “ser mãe” e hoje veio-me como inspiração para o título do post e todo o resto:

Singelo bilhete aos filhos, só encontrado após seu falecimento. Fonte da imagem: arquivo pessoal

Como minha mãe mal cursou o primário, aprendeu a ler e a escrever com sua irmã mais nova, vou transcrever legivelmente suas poucas e profundas palavras para quem, talvez, não tenha compreendido uma ou outra:

“Estou escrevendo para agradecer a Deus porque meus filhos não herdarão nada dos meus defeitos. A única coisa que eu quero é que vocês herdem é o meu coração.” (Nair C. de Souza, 1949-2008) 

Lindo, não? Pensar que praticamente três anos antes de seu falecimento ela havia escrito e guardado esse bilhete sem se dar conta de que causaria tanta emoção e, inclusive, suscitaria um texto. Suponho que o tenha feito num de seus momentos de crise depressiva, na solidão do “ninho vazio” e, mesmo assim, tenha apontado sua fé como alicerce de vida, tenha desejado o melhor para seus filhos. Isso é amostra de um coração de mãe e, certamente, você do outro lado da telinha tenha também mais provas de que o verdadeiro coração de mãe comporta sempre os melhores sentimentos.

UM FELIZ DIA DAS MÃES, CHEIO DE MUITOS BEIJOS E ABRAÇOS CARINHOSOS!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Balanço e saldão!

Que saudade da blogosfera! Não só de escrever não, de visitar meus blogs favoritos e comentá-los, infelizmente, o tempo anda curto demais, contudo, ainda hei de fazer surpresas, disso não duvido, basta esperar e confiar!

Por ora, prefiro registrar para a posteridade o que consegui com o Viraletras nos seus (quase) dois anos de existência. Creio que os que têm seus blogs o fazem da mesma forma, se não através de posts, provavelmente de outras maneiras, mas, o importante é que esse balanço seja feito e tenha, ao final, um saldo positivo!

Em 2009 escrevi muito, participei de várias blogagens coletivas e eventos, queria conhecer mais a vida e a experiência dos que blogam, sob meu ponto de vista, deixei torrentes estancadas de sentimentos e pensamentos tomarem conta do espaço, fluíram até sem rumo algumas vezes, em outras fui surpreendida pelo modo como me permiti escrever e como blogueiros absorviam o teor daqueles posts, fiquei feliz e aliviada, pois, naquele ano ainda pesavam a perda e o luto com a morte de minha mãe e essa, em especial, tenha sido a mola propulsora. Entretanto, escrever faz parte dessa blogueira desde a infância, brincar com as palavras usando de alguns recursos que a aprendizagem na faculdade me proporcionou, deixar de lado as mesmas regras e dar outros significados aos textos, enfim, tudo isso fez e continuará a fazer a diferença, continuarei amadurecendo em cada parágrafo que escrevo porque sei que nunca um é igual ao outro, embora o estilo seja delineado de alguma maneira, as mesmas palavras em um contexto específico ganham formas e significados variados, eis aí a beleza dessa arte, concorda?

Ano passado escrevi bem menos, praticamente um terço em relação a 2009 e não lamento por isso, precisei tirar o pé do acelerador e foi conscientemente. Mesmo assim, não deixei que a qualidade de meus posts também se reduzissem, pelo contrário, sempre prezo pelo melhor que ofereço, não gosto das coisas feitas ao léu. O positivo de 2010 é que me senti uma blogueira mais independente, resultado das experiências do meu primeiro ano na blogosfera, com certeza!

Não fiz grandes planos para o Viraletras em 2011, exceto o de que quero continuar escrevendo e aprendendo, lendo e comentando sempre que possível meus blogs favoritos, despertando mais a leitura e a escrita em minha vida pessoal porque é um dos hábitos que alimenta minh’alma, aliás, de 2010 pra cá tenho me empenhado em ler os muitos livros que adquiri, acho até que exagerei, porém, costumo dizer para não me colocar de frente para as prateleiras cheias de títulos que enlouqueço!(rs).

Concluindo, no geral, meu saldo está mais para credor porque tenho pautado a vida no sentido de encontrar a paz e dela colher seus frutos, pois, não importa o que fazemos, se isto não conforta, não alegra, não satisfaz, então, não valerá a pena insistirmos neste caminho.

Façamos sempre um balanço, não só dos nossos blogs, mas, de nossa vida pessoal, da carreira profissional e de tantas outras vertentes, ao contrário do que se pensa muitas vezes, teremos mais crédito do que débito. De resto, é possível (e até necessário!) mudar sempre e tudo começa assim: o que tenho, o que devo e o que excede para doar!

Na matemática da vida é preciso muito mais que uma calculadora! É preciso cabeça e coração! Fonte da imagem: Google

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

“Quem é vivo…”

É isso que pensou: “…sempre aparece!” e continua blogando, apesar de ter tomado um belo chá de sumiço por uns três meses como fiz.

Peço sinceras desculpas aos meus visitantes e aos queridos amigos da blogosfera e, mesmo tardiamente, justifico a inédita e longa ausência desta vez. Não, não fiquei doente e nenhuma tragédia se passou, graças a Deus! Somente o corriqueiro (e outros imprevistos) acabaram sugando minhas energias e meu tempo precioso de tal forma que perdi a inspiração para escrever. Muitas vezes pensava, tinha ideias para posts, mentalmente criava temas, porém, o cansaço vencia e, em frações de segundos, tudo se perdia porque não conseguia nem parar e anotar… Em momentos assim, punha-me no lugar de quem precisa criar como forma de trabalho e dele extrair seu sustento, feito escritores, redatores e tantas outras categorias que dependem das palavras, das suas ideias e inspirações, e obviamente, de muita transpiração para compor. Mesmo fazendo o que se gosta, ainda assim podem existir pressões e inúmeros desafios na vida dessas pessoas, por isso o meu apreço pelos livros, pelos textos, pelo trabalho que envolve tanta gente até chegarmos ao que somos e temos hoje em função da escrita e da leitura.

Incrível como nos deixamos levar e como a vida passa tão depressa, concorda? Não é à toa que muitos insistem em não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje, então, optei por realizar coisas mais particulares, de família (incluo aqui, dentre outras, o único bem que minha mãe deixou a inventariar: sua casinha de Cohab, com prestações pendentes e muita papelada para resolver tudo! Quanta burocracia e tanto melhor estarmos vivos porque após a morte certas coisas tornam-se muito mais complicadas, nem digo… [:S] De qualquer modo, agradeço a Deus por me dar forças e, com ajuda de marido e irmãos, estarmos solucionando tudo da melhor forma) e abdiquei do Viraletras por determinado período como aconteceu. Além disso, quem já leu vários posts por aqui, sabe que desde o começo deste ano quem trabalha na área da saúde como eu, teve e ainda continua tendo muito o que fazer por conta da Campanha da Vacinação Contra a Influenza A (H1N1), e se eu não estiver enganada, depois das epidemias graves de dengue, essa campanha foi a que mais nos exigiu esforços, tanto físicos quanto emocionais. Foram muitos sábados trabalhados para dar conta da demanda, para vencer prazos e faixas etárias, durante a semana a rotina foi severamente atingida porque tínhamos que fazer o que já se fazia e mais as orientações (e muitas desorientações também!Aff!) e ações desta imensa campanha, mas, folgo em saber que, até este ponto, está valendo a pena tanto estresse, seja por parte dos trabalhadores, seja da população. Enfim, espero que, de fato, a doença permaneça reduzida a fim de evitarmos números alarmantes de óbitos e mesmo de internações de casos graves como aconteceu em 2009, erradicar o vírus é praticamente impossível, assim como não erradicamos a dengue que seria até mais fácil, infelizmente, nem tudo funciona bem quando o esforço deve ser coletivo.

Continuarei escrevendo sim, quero ainda visitar meus blogs favoritos e deixar comentários, porém, tudo ao seu tempo, não posso prometer mais do que posso oferecer. O importante é que, de algum modo, a gente não desapareça do mapa sem deixar pistas… (Digo: eu não desapareça! :D).

APRECIE COM MODERAÇÃO! Imagem: Google

P.S.: Notei que tem muito blogueiro consumindo o tal chazinho também… rs. Bjins e até mais!

terça-feira, 16 de março de 2010

Lamento e não lamento

Lamento, caso você não queira ler…

Não lamento caso se arrisque daqui por diante.

A vida é feita dessa dualidade (Eclo 33,15), sabe?

Eu sabia e só venho confirmando mais e melhor de tempos em tempos. E por falar em tempo, faz tempinho que não lamento a perda da mãe aqui no blog, porém, às vezes é saudável lamentar discretamente, veladamente, conscientemente. A mim ajudou bastante e continua a me fortalecer. Não vivo a me lamentar, saiba!

Lamentarei muito se este meu momento se tornar ridículo e duramente lamentável visto sob outros aspectos que não intento suscitar nesse post.

Hoje a mãe completaria 61 anos se estivesse viva, mas, há um ano, quatro meses e dez dias ela nasceu para seus três filhos de um jeito diferente, doloroso ao extremo no começo, talvez como deva ser a nossa própria chegada ao mundo, daí aquele choro, aquele temor do recém-nascido… Coloco-me a pensar: Será que ela chorou ou sorriu? Ou será que está adormecida feito embrião? Mil pensamentos percorrem essa mente que vos escreve e não lamento se as respostas forem mais estranhas que as perguntas, nem se sequer houver respostas…

Lamento que minha mãe não esteja aqui para eu presenteá-la, costumeiramente, com aquela blusinha linda, tamanho P, que ao experimentar ficava sempre grande e eu dizia: mãe, vou comprar suas roupas na seção infanto-juvenil! ou, para não correr o risco, um perfume ou bijuterias  que ela gostava, era vaidosa, apesar da tristeza que muitas vezes se tornou a fragrância e o adorno de seus dias.

Não lamento que tudo tenha acontecido tão rápido, abreviando seu sofrimento com o câncer e contra ele, não lamento porque ainda assim tive tempo de ficar mais próxima, meus irmãos também puderam, mesmo morando um pouco mais distantes de nós. Não lamento que eu tenha acariciado seus cabelos e beijado sua fronte nos momentos de dor; não lamento que tenha ao menos conhecido um tratamento alternativo e que não houve tempo para começá-lo; não lamento que eu tenha chorado e me desesperado enquanto trabalhava, tentando ser profissional ouvindo a lamentação alheia; não lamento que eu tenha ficado alguns poucos dias de licença ajudando a tia, irmã da mãe, se bem que esse anjo caído do céu nem precisou muito, ela sabia bem o que estava fazendo o tempo todo, chamou pra si a responsabilidade de cuidadora e o fez com louvor; não lamento ter ficado junto dos irmãos, da tia e do meu esposo no momento derradeiro.

Lamento sim, por pessoas que não puderam se despedir de seus entes queridos como eu pude, mesmo com meu coração em frangalhos, estive consciente e ciente desde que soubemos que ela enfrentaria seu maior medo e o fez com bravura, devo dizer. Lamento que muitos de nós não consigam nem se lamentar, que escondam sentimentos sob uma grossa casca de orgulho ou seja lá o que for…

Lamento que você também tenha perdido alguém e sinta saudade, só não lamento que outros tenham a dádiva do dia de hoje e possam comemorar, possam, inclusive, se lamentar como eu! Por isso, não lamento minhas lamentações, pois, fizeram-me mais gente.

Como eu gosto de uma boa prosa, provável que tenha “puxado à mãe” nesse quesito, o netinho aí junto dela também, fala feito matraquinha e os dois se davam bem por isso, era um converseiro, ele bagunçando os cabelos da avó, ela ria feito criança com a peraltice… Não lamento momentos assim que ficaram registrados na mente e no coração.

Mãe, esteja na Paz de Nosso Senhor!Imagem: arquivo pessoal (não autorizada a sua reprodução)

E você?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Who Wants To Live Forever?

Em março, quando estreei este humilde blog não sabia exatamente até que ponto chegaria (ainda não sei!), desde então venho (a conta-gotas) desenvolvendo, aprendendo, partilhando o que posso e satisfaço-me com cada conquista. Não almejo aumentar dígitos, embora a curiosidade os procure aqui e ali e sejam, de certo modo, consequência dessa inter-relação na blogosfera, isso não é o que me motivou inicialmente e, agora, mantenho o propósito de, simplesmente, continuar a

CRESCER

Parece algo tão banal e tão simplório, não acha? Alguns  podem dizer que isso é balela porque bem lá no fundo todos querem um lugar ao sol com direito à sala VIP, então, por que alguém se alegraria em ser apenas mais um? Eu direi…

A razão do post de hoje é, novamente, em homenagem a minha mãe. Lá se vai um ano do seu falecimento e parece que foi ontem! Mencionei-a aqui e acolá, não gostaria que o assunto se tornasse chato e recorrente, contudo, é inevitável que recorde datas e fatos tão marcantes para mim e, sobretudo, das lições que  me fizeram uma pessoa diferente (não radical nem completa!), porém, um tanto quanto destemida em relação à morte. Presenciar os últimos dias da mãe e percebê-la “abraçando o próprio fim” nessa esfera terrestre foi, inexoravelmente, doloroso e revelador. Quando meu esposo perdeu o pai há mais de 11 anos eu passei a me perguntar: quem perderá quem a seguir? A vida seguirá a linha aparentemente óbvia dos “mais velhos primeiro” ou nos surpreenderá?

De certa forma ela seguiu o curso mais ou menos esperado “os pais antes dos filhos”, não necessariamente na ordem dos mais vividos ou de idade avançada. 

Por alguns instantes custo a crer na efemeridade, mas, o fato é que não está entre nós como a conhecemos no passado, salvo as lembranças, tanto as boas quanto as ruins pululam em *nossas mentes e corações. De início sonhei com ela umas três vezes, tentei decifrar o que significava: seriam recados ou somente resquícios da memória  transitando entre o que foi e o que é? Como ter certeza?

A depender da doutrina que se segue e se acredita há respostas que acalentam e dão o impulso necessário para continuarmos a caminhada, para continuarmos a crescer, não importando que idade teremos ao findar. Um cunhado costuma dizer em nossas rodas de conversa: Quem quer morrer? Ninguém, claro. Concordo (também quero ficar velhinha e cheia de netos, bisnetos… quem sabe?) e mesmo os que procuram a morte prematura o fazem à revelia, entretanto, tanto uns quanto outros estão fadados a fechar ciclos nesta vida (nascer, balbuciar, engatinhar, andar, estudar, trabalhar,etc.,etc.,etc.) e a morte encerra todos eles. Tenho a dizer que minha mãe fechou muitos ciclos por aqui, se do jeito certo ou errado, não cabe o julgamento, alegro-me que ela tenha visto os filhos se casando e lhe dando netos e netas, que tenha deixado bons exemplos como mãe, superando alguns equivocados ou incorretos, afinal, antes que ela fosse mãe ou qualquer outra coisa, era um ser humano em busca de sonhos e ideais.

"A Luz que traz Vida convida-nos a CRESCER diariamente!"Imagem Stock Photo

E, ao contrário das muitas lágrimas que permearam meus textos há uns meses, confesso que algumas ainda permeiam - e isso só mostra o quanto não sou indiferente ao que vivo; hoje tenho a firmeza de aceitar e conviver com essa perda, em particular, pois, compreendi que mesmo ela é passageira, que os contornos da vida podem ser alterados de modo que sejamos gratos e felizes pelo que somos e temos e também pelo que fomos e tivemos, compreende?

Ofereço este vídeo aos que chegaram até aqui, com a canção que inspirou, em partes, o post de hoje. Agradeço a cada pessoa que se manteve próxima, fosse com uma palavra amiga ou mesmo em pensamento, numa oração. *Em especial, ao meu esposo, irmão e cunhada que estiveram e estão sempre presentes em momentos importantes na travessia do luto à luta!

sábado, 10 de outubro de 2009

Restart

A pausa acabou e eu estava com saudades da blogosfera, já li algumas coisas a respeito e, de fato, quando nos envolvemos com o hábito de blogar encontramos pessoas e cultivamos um vínculo que torna essa necessidade contínua. Obviamente que cada uma dessas pessoas tem metas específicas para esse hábito, todavia, convergimos todos para um ponto em comum: interação.

Este post veio pela necessidade do meu retorno, mas também porque a ideia surgiu exatamente num desses momentos de interação em resposta ao comentário da Luma, pensei bem e descobri que blogar e pôr a casa em ordem são coisas parecidas. Duvida?

Pude organizar o que precisava, jogar fora o que já não servia mais para ninguém e doar coisas que não serviam mais a mim, entretanto, servirão para outros. E, fazendo uma ponte entre estes elementos: organizar, descartar e doar, é fato que eu me vejo, vira e mexe, fazendo o mesmo no blog (não necessariamente nesta mesma ordem! :D)

A rotina é uma coisa boa porque nos mantém seguros nos trilhos da vida, porém, viver totalmente presos a ela nos impede de elaborar novos pensamentos, tornando as atividades praticamente automatizadas e aí é que a mesmice toma conta do resto. É por isso que uma pausa, eventualmente, é necessária e benéfica para qualquer pessoa.

E, também por sugestão da Cris, dentre os últimos comentários, recordarei os melhores momentos dessa pausa, no melhor e no mais tradicional “minhas férias”…rs.

Não viajei, até gostaria, quem sabe no próximo ano ou em outra ocasião, a vida é cheia de surpresas e isso alivia a tristeza de não ter feito o que quase todos fazem nas férias. Por outro lado, fiz muito mais do que me propus e estou satisfeita, a casa está cheia de pequenas e notáveis mudanças, faz com que eu me sinta renovada, parece loucura (e pode até ser! :S), mas, mudar móveis de lugar, reorganizar prateleiras e gavetas e, sabe aquele espaço que não sabíamos como chamar? (quartinho de brinquedos, quartinho da bagunça, escritório, de tudo um pouco e até provisório/improvisado para visitas, pobres coitadas delas…kkkk! Então, recebeu um nome que, ao meu ver, ficou melhor que o indefinido “quartinho d(e)(a)… ??!” – sala de entretenimento, inclusive, cá estou, entretendo-me com o blog!

Curti a família, descansei, aliás, não quis nem ver noticiários (a gripe H1N1 se foi? A dengue começou? Só na terça-feira é que retorno ao trabalho e aí sim vou me preocupar…) e assisti a filmes bacanas, gosto dos que me causam emoção de algum modo: De porta em porta, O curioso caso de Benjamin Button e Passageiros. Há vários outros que ainda estão na espera e estou ansiosa para vê-los! Serão uma forma de prolongar o gostinho das férias no retorno ao trabalho.

E uma novidade interessante por aqui foi a reativação do nosso pequeno aquário, meu filho sempre nos pede um animalzinho de estimação, eu não sou adepta de nenhum deles, tenho medo e falta de paciência em mantê-los, sei que peixinhos não fazem exatamente a mesma relação, porém, a asma dele não combina com o pelo dos demais e minha rinite alérgica, certamente, também não combinaria, enfim, o fato é que nos afeiçoamos aos pequeninos e ficamos feito bobos os observando nadar de cá pra lá, de lá pra cá… meu filho tratou de batizá-los no mesmo dia, fiquei feliz em vê-lo encontrando o melhor nome para cada um dos seis que lhe demos. Agora é aprofundar conhecimentos em aquariofilia, afinal, precisarão de cuidados como todo ser vivo merece e, falando em cuidados, incomoda-me profundamente quando vejo cães abandonados pelas ruas, além do perigo em se deparar com um animal maltratado, mostra quão descartável ele se torna para muitos de seus donos e essa é uma pergunta que me faço quando meu filho pede um cão, gato ou coelho: qual a real necessidade e função de um bichinho na nossa vida se muitos são tratados feito “coisas”? O ser humano é estranho…

As únicas coisas que me entediaram nesse período foi não estar totalmente livre, pois, meu filho e marido tiveram aulas! Cá estava eu, ao mesmo tempo descansando e me preocupando com horários…aff! Bom, nem tudo é perfeito! Mesmo assim, minhas férias foram ótimas.

E de volta à ativa, pretendo continuar interagindo com o mundo, seja o real, seja o virtual, ambos fazem a vida prosseguir… então, prosseguirei…

caminhos-da-fazenda_1304_1024x768…se possível, encontrando e fazendo novas coisas pelo caminho aparentemente igual.

Fonte da imagem: Site Fotos e Imagens.etc.br

sexta-feira, 8 de maio de 2009

REFLEXÃO - MÃE, MAMÃE, MÃEZINHA, MANHÊÊÊ!!!

— É isso. Não importa que nome tenha ou de que modo seja chamada: mãe, mamãe, mãezinha, manhêêê!!!, pois, é tudo igual no fim das contas.

— Como assim tudo igual? Nunca! A minha é só minha e de mais ninguém (ainda que eu tenha muitos irmãos!), só ela sabe das coisas que gosto e do jeito que gosto, só ela é capaz de compreender e perdoar meus inúmeros defeitos (e tenho vários!), somente ela faz tudo por mim com o coração, e, principalmente, sabe "puxar minhas orelhas" nas horas certas, ainda que doa (nela!). Meu pai tinha medo de perder espaço para mim quando nasci e, embora ela negue e se dedique também a ele, de fato, perdeu!(rs). Sei disso porque o tempo dispensado a mim foi maior na infância: fraldas, amamentação, dentição, banhos, pediatra, idas à escola entre tantas outras coisas. E, continuando, minha mãe é a melhor de todas! Após a infância, depois que aprendi a engatinhar e, finalmente, a andar com as próprias pernas, lá estava ela querendo saber com quem eu fazia amizades e por onde caminhava. Na adolescência, entremeio à louca transição biológica típica da fase, distanciamo-nos, contudo, sabia que ela não dormia sossegada enquanto eu não chegasse a salvo em casa. Cresci, trabalhei, namorei, casei... tive um bebê em meus braços e senti toda a emoção que é possível somente aos que passam por tal experiência, antes disso, somente conjecturas e especulações. Soube valorizar tudo o que ela me dizia até então e repito as mesmas coisas. Tornou-se a melhor avó! Duvido que haja outra igual, discordo!

— Ah, é? Pois digo que minha mãe é igualzinha a sua, sem tirar nem pôr. As mesmas preocupações e ansiedades, os mesmos carinhos e desvelos. Aliás, há quem diga que são anjos em nossas vidas e eu acredito que sejam mesmo. Ei! E você aí! É! Você, oras! Quem mais está ouvindo a conversa? Diga qual de nós tem razão nessa história? Mãe é tudo igual ou não?

Bem, amigos da blogosfera, deixo para cada um de vocês a reflexão desta sexta-feira, antevéspera do Dia das Mães!
Com certeza, os pais não devem se chatear, eles também têm seus predicados, inclusive, com o advento dos diversos e diferentes tipos de famílias - foi-se o tempo em que "família" era pai, mãe e filhos, cada qual com sua função predeterminada hierarquicamente - no mundo atual, já existem os denominados "pães" (mistura de pais com mães), são eles que substituem as mulheres que não se importam (e nem querem!) assumir a função maternal, e, muito menos, comprovar que existe o tal "instinto maternal", porque se existisse realmente, eu não saberia de tantas barbáries cometidas por mulheres contra os pequeninos. Ah! Essas são inomináveis!
Inclusive, dentre várias músicas do Legião Urbana que gosto, uma em especial, intitulada "Pais e Filhos", traz essa questão familiar de modo muito interessante e profundo, suscitando seus vários tipos na sociedade, várias frases que ouvimos quando crianças ou que dissemos também, e, de quebra, trazendo à tona uma questão existencial:"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, por que se você parar pra pensar, na verdade não há".
Os mais próximos sabem que meu blog começou com o incentivo de uma sobrinhamiga,(a Cris) e, particularmente, tem sido uma experiência ótima, tenho colocado em prática algo que me faz bem, pois, as palavras completam aquilo que não é visível nem palpável. E, quanto à comemoração do Dia da Mães, terei meu primeiro dia sem a minha, também este blog tem preenchido o vazio que ficou depois de sua partida. Aqui postei alguns textos que surgiram dessa saudade e que funcionam como elo de ligação que ainda temos, afinal, mãe é para sempre! Não é? Eu espero que seja (mos). Tenho meu filho e quero dar o melhor de mim, quero sim ser a melhor mãe do mundo, adoro ouvir aquele "mamãe" de segundo em segundo que até cansa os ouvidos, às vezes! (rs). É maravilhoso experimentar a maternidade na sua plenitude! É um presente divino que só posso agradecer!
Aos filhos: presenteiem suas mães com os mimos que elas gostam, contudo, o melhor de todos os presentes é ver que os bons conselhos foram seguidos, que respeitam todos os esforços que foram feitos para educá-los e que valeu a pena "padecer no paraíso!".
Às mães: continuem sendo únicas para todos eles! É isso. Não importa que nome tenham ou de que modo sejam chamadas: mãe, mamãe, mãezinha, manhêêê!!!, pois, é tudo igual no fim das contas, embora, todos discordem disso, porque a MINHA MÃE É E SEMPRE SERÁ A MELHOR MÃE DO MUNDO!

Fonte da imagem: arquivo pessoal by Studio Matos

(não autorizada a sua reprodução)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mãe, esse é especialmente para você!

Mãe, quanta saudade!

Se estivesses conosco... hoje comemoraríamos seis décadas da sua existência, te tornarias uma sexagenária! Embora você não quisesse admitir que ainda eras jovem, sim, eras! Digo porque vejo mães de amigas, de outras tantas pessoas já com seus 65, 70, 75 e até 80! As invejo por um breve instante nesse pensamento e, nem tanto, pois bem sei que cada qual tem seu tempo, uns mais, outros menos. Completaram-se quatro meses no último dia 06 que partiste deste mundo, que foste embora desse plano, que consumaste tua dor, teu sofrimento e, deixaste um pouco de si para trás. Deixaste três filhos e cinco netos, teu legado.

E ao invés de festa de aniversário, com bolo e guaraná, algo que já nos parece tão banal quando vivenciamos tal evento ano após ano, temos hoje uma festa às avessas, do tipo introspectiva, do tipo telepática, sem abraços, sem beijinhos, sem presentes.

É uma saudade corrosiva, que tem função primeira nos mostrar quão humanos, quão efêmeros somos, hoje aqui, amanhã...

Sabedoria é o que supliquei desde o turbilhão que levou de vez teu sossego, é o que continuo a pedir a Deus para derramar estas lágrimas com dignidade... não me penalizo com isso, só transbordo um sentimento que mais parece uma goteira contínua em dia de chuva grossa, batendo sobre nossos corações, feito aquele dia em que a velamos, em que presenciamos seu último suspiro.

Não estou triste pelo inevitável da vida, não choro porque nos deixaste, todos deixaremos alguém e seremos deixados, é assim que as coisas seguem seu curso natural, não é? Sei também que há algo além do horizonte, lá longe, onde a vista não alcança nem com o melhor binóculo já produzido pelo homem...

Essa tristeza é um pouco daquilo que ouvi e presenciei da sua existência, tão árdua desde a infância: criada na lavoura, sob o sol quente, abandonada pela própria mãe, à mercê de um pai durão com quatro filhos à tira-colo, te tornaste mãe de seus irmãos antes mesmo que pudesses saber quem eras e à que vinhas, foste doméstica na juventude, encontraste o amor, enfim? Talvez...contudo, a desordem do primeiro e imaturo casamento de um jovem taxista a fizeram refém de um conturbado relacionamento, que perdurou por vinte e dois anos, do qual, cá estou a falar do alto de minha primogenitura.

E hoje, mais do que ontem, tenho o que comemorar, embora sob o aparente inconformismo, dessa tua trajetória: sou filha de alguém que, apesar das tristezas contidas nestas breves linhas narrando quase uma vida toda, soube aproveitar as entrelinhas dos teus exemplos!
Em resposta ao que perguntou, sentada conosco à mesa, quando havia uma tênue linha entre a vida e a morte naqueles seus olhos, já sem brilho, já entregues ao que viria por fim: o que estou a fazer neste mundo? Só pude dizer: mãe, não cabe à mim responder se vives por nós, por seus netos ou por outra coisa qualquer, descubra dentro de você mesma...cada um de nós precisa encontrar essa resposta dentro de si.
Lembras do que te disse: mãe, eu e meus irmãos, te amamos! Cada qual à sua maneira...assim, como cada um de nós tem aprendido a conviver com esse sentimento novo...saudade!
Nair C. de Souza: In memoriam